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peru liberalPeru - Brasil de Fato - [Marcio Zonta] Humala segue política de abertura econômica e pode elevar a onze o número de TLCs firmados com vários países.


Umas das principais promessas do presidente Ollanta Humala Tasso nas campanhas presidenciais de 2006 era acabar com todos os Tratados de Livre Comércio (TLC) vigentes no Peru com outros países, principalmente relacionados aos Estados Unidos. Humala perdeu as eleições e no pleito eleitoral sequente, em 2011 voltou a atacar o tema do TLC timidamente. Agora, em pleno exercício de seu mandato "não fala mais nada sobre o assunto que se expande pelo Peru", lembra o cientista social Antonio Zambrano.O presidente Humala realizou viagem pelos principais países europeus para discutir mais um TLC com a União Europeia. Se assinado, o Peru passará a ter onze TLC's com diversos países (veja quadro).

Entre os países que mais têm se beneficiado do TLC no Peru estão China e Estados Unidos. "Os estadunidenses além do tratado, ainda têm uma grande intervenção em nossas forças armadas aproveitando-se do tema de combate ao narcotráfico. Já a China, no último ano tem expandido muito seu negócio no país", cita Zambrano.

Para o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores de Educação (SUTE), Carlos Navas, o Peru segue, dessa forma, um modelo econômico neocolonial. "Somos meramente primários exportadores, principalmente de minérios, criando uma ilusão de um crescimento econômico por perfazer 52% do PIB peruano". E que, na verdade, "por meio esses TLC´s assinados desprotegem nossa economia e promovem um verdadeiro saque de nossas riquezas naturais, além de formar um Estado débil", acrescenta Navas.

Mais distante da América Latina

Com uma política econômica internacional que prioriza Tratados de Livre Comércio, o Peru vai se distanciando e descartando relações comerciais com um bloco de países latino-americanos que têm optado por uma política econômica mais protecionista.

"Com os países vizinhos como Equador, Bolívia e Venezuela há uma relação tímida e temerosa. Só faltam pedir desculpas quando participam de alguma reunião com esses países", lamenta o professor de sociologia da Universidade São Marcos, Hector Bajos.

Entre os países vizinhos, o Peru pende sua relação econômica aos que também têm TLC ou uma relação comercial com China, Estados Unidos e países da Europa, "que é o caso de Colômbia, Panamá, México e Chile", enfatiza o advogado e pesquisador peruano Ricardo Saberón, mestre em Política Internacional e Estudos de Segurança Nacional pela Universidade Bradford.

Saberon concorda com o professor Bajos, pois afirma que "os países que compõem a Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), são meio que rechaçados no Peru".

O pesquisador detalha a relação do Peru com alguns países ligados à ALBA: "Com a Argentina não temos relações comerciais, com a Venezuela mantemos relações cordiais, e somente com projetos de alianças comerciais, mas nada de efetivo ainda; com o Equador algumas parcerias comerciais, mas pouca. Por fim, o Brasil é o país com que mais temos acordos econômicos estratégicos desse bloco".

Zambrano destaca que mesmo dentro da América do Sul, com os poucos acordos comerciais que firmou, o Peru segue a mesma lógica dos tratados firmados na Ásia e América Central, propiciando a exportação de matéria-prima e deixando sua economia bastante vulnerável, "ao invés de ter como objetivo incrementar a capacidade comercial do Peru com esses países numa outra perspectiva de crescimento nacional".

Atitude que não causa espanto para Navas, pois, segundo ele "a política de Humala é de continuísmo do modelo neoliberal, portanto sem muitas esperanças de mudança nos próximos quatro anos desse governo".

Opinião que é compartilhada por Veronika Mendoza, congressista que também acabou de renunciar ao Partido Nacionalista Peruano. "Sei que é difícil mudar uma política econômica neoliberal profunda, que há anos, desde Fujimori, Alejandro Toledo e Alan Garcia vem tendo respaldo, porém Humala não dar o mínimo sinal que de que vai mudar isso, é complicado", reflete.

Em vista dessa conjuntura, o professor Bajos conclui, "não há maiores perspectivas numa política que obedece aos interesses particulares e locais, sobretudo limenhos, em detrimento de uma visão da problemática nacional pela qual passa o Peru".


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