De acordo com a Constituição da República Bolivariana, o presidente eleito poderá justificar a ausência durante dois períodos de três meses. Caso o presidente da Assembleia Legislativa declare a ausência, deverão ser convocadas novas eleições.
A direita tem explorado a situação para continuar promovendo a mobilização golpista contra o chavismo, que, por esse motivo, convocou um grande ato de massas na capital do País, Caracas, em apoio a Hugo Chávez.
Na Venezuela, o governo liderado pelo PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela) tem implementado amplos programas sociais, com benefícios tangíveis para a população, apesar das restrições assistencialistas.
A direita não tem nada para oferecer à população pobre, além de frases vazias sobre uma suposta democracia e liberdade que, na prática, se traduzem nos cortes dos programas sociais, nas privatizações em benefício dos grandes capitalistas, principalmente da cobiçada indústria petrolífera, e do aumento do entreguismo pró-imperialista. A implementação dessas políticas por vias eleitorais é difícil num País que foi levado à bancarrota em 1989, gerando o chamado Caracaço, com gigantescos protestos das massas que tomaram as ruas, em cima dos quais o chavismo cresceu.
Se novas eleições fossem convocadas imediatamente, a direita sofreria uma nova enorme e derrota, pois, conforme tem ficado evidente nas últimas duas recentes eleições, a rejeição popular é muito grande. A derrota nas eleições estaduais, realizadas em dezembro, ampliou a vantagem obtida pelo chavismo nas eleições presidenciais realizadas dois meses antes. A direita perdeu três dos seis estados que governava anteriormente. O candidato presidencial Hugo Capriles manteve o governo do estado de Miranda, mas por estreita margem de votos.
Capriles olha com receio a realização de novas eleições no curto prazo, com temor de uma nova derrota eleitoral, ainda em maiores proporções. A direita golpista, composta por 19 partidos agrupados na MUD (Mesa da Unidade Democrática), está tentando promover o dissidente do PSUV, Henri Falcón, que venceu as eleições ao estado de Lara com o seu próprio movimento, tentando revitalizar a direita com um certo verniz esquerdista.
A reação do chavismo para conter os golpistas tem sido a criação de instrumentos ligados ao próprio aparelho de estado – o Conselho de Estado é integrado pela alta cúpula chavista; as Milícias Bolivarianas têm 30 mil homens, em crescimento até 100 mil, com unidades de elite, altamente treinadas e ligadas diretamente ao chavismo, que compõem o chamado comando-antigolpe; 11 dos 20 governos estaduais estão nas mãos de militares, quatro dos quais são ex-ministros da Defesa.
O armamento da população não tem sido promovido, pois, como todo movimento nacionalista, o chavismo teme a organização independente das massas.
No próximo período, a nova escalada da crise capitalista no País obrigará o governo a cortar os gastos sociais e a arrochar os salários dos trabalhadores. O aumento dos preços dos alimentos e da inflação levarão à erosão do poder de compra das massas, que deverá se acentuar por causa do crescente desabastecimento, o câmbio artificial, a queda nos investimentos, o envelhecimento do parque industrial, principalmente no setor petrolífero, a paralisia produtiva e a disparada das importações dos bens de consumo. Uma queda acentuada dos preços do petróleo nos mercados especulativos de energia levaria imediatamente o País à lona. A saída para as massas trabalhadoras está na organização independente. Por esse motivo, a organização de um partido operário revolucionário de massas estará colocada à ordem do dia no próximo período.