No México, foi a primeira visita ao País após o presidente Peña Nieto ter assumido no início do ano.
Peña Nieto foi imposto pelo imperialismo norte-americano com o objetivo de aplicar uma nova onda de políticas neoliberais que visam, em primeiro lugar, entregar PEMEX, de maneira integral, aos monopólios e baratear ainda mais o custo da mão de obra.
O México foi transformado num mercado manufatureiro alternativo ao chinês, devido ao aumento dos salários dos trabalhadores chineses. Devido ao aprofundamento da crise capitalista e, portanto, à queda dos lucros dos monopólios imperialistas, assim como às derrotas que o imperialismo tem sofrido nas demais regiões do mundo, tornou-se questão de vida ou morte repassar a crise com maior intensidade para a América Latina.
No México, a política de Peña Nieto tem provocado o forte descontentamento da população. Começou com o movimento "Yo Soy 132!" impulsionado pelos estudantes contra a imposição descarada da candidatura. Agora são os professores que têm enfrentado a violência policial e se encontram em greve há várias semanas. Existe o temor do imperialismo que ações mais contundentes no setor petrolífero possam conduzir a uma escalada do ascenso popular.
Os objetivos da visita do Obama ao México
A crise está se aprofundando também no México devido à queda das receitas provenientes das remessas dos imigrantes aos Estados Unidos (hoje um pouco acima dos US$ 20 bilhões) e das exportações de petróleo por causa da produção de petróleo e gás a partir do xisto em cima da ultradepredadora fratura hidráulica. A dependência é gigantesca, já que 80% das exportações mexicanas têm como destino os Estados Unidos, que, nos últimos cinco anos, passaram de representar um 7% das importações totais para 14%, em cima dos chineses.
As manufaturas são controladas pelos monopólios norte-americanos e, por esse motivo, têm aumentado a pressão para reduzir os impostos, o que estão tentando viabilizar por meio de uma segunda edição do neoliberal NAFTA (Tratado de Livre Comércio da América do Norte).
Ao mesmo tempo, a participação do México é uma peça chave do TTP (Tratado Trans Pacífico) impulsionado pelo imperialismo norte-americano para contrapor um concorrente ao mercado manufatureiro asiático, liderado pela China, com poder de pressionar no sentido da redução da escalada dos aumentos dos salários, que foram catapultados devido ao ascenso grevista – de US$ 30, na década de 1980, na China para US$ 230; de US$ 40 em 2007 no Vietnam, para US$ 95. Mas há um concorrente ainda mais perigoso.
O imperialismo japonês enfrenta duríssima crise no Japão e, por esse motivo, tem migrado grande quantidade de plantas industriais para os países da região onde a mão de obra é mais barata, como as Filipinas, Tailândia e Indonésia. Para conter a crise, a burguesia japonesa está impulsionando o ressurgimento do militarismo fascista e a produção exportadora de armas. Isso significa o risco do fim da atuação em bloco que tem acontecido desde o final da Segunda Guerra Mundial e o acirramento das contradições em escala muito maior na região Ásia Pacifico, onde também estão os interesses de outras potências regionais importantes (Rússia e Índia), também fortemente afetadas pela crise capitalista, e onde há centenas de milhões de operários que têm se movimentado, em sentido ascendente, na luta contra o capital.
Sob o ponto de vista militar, o México cumpre um papel fundamental na estratégia do imperialismo para toda a região. O Plano Mérida complementa o Plano Colômbia com forças de mobilização rápida, farta ajuda militar e a coordenação com a revitalizada IV Frota.
Os objetivos da visita de Obama à América Central
Nos dias 3 e 4 de maio, Obama participou da reunião cume da SICA (Sistema de Integração Centro-americano). Os objetivos foram similares com os da visita ao México. Aprofundar os TLC (Tratado de Livre Comercio) e a presença militar.
O governo da Costa Rica se vangloria de não ter exército. Em compensação, há 16 mil soldados norte-americanos estacionados no País com a desculpa de que pela região trafega 90% da droga que sai da Colômbia com destino aos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, a aproximação com os regimes da região faz parte da política de impulsionar a direita contra os governos nacionalistas da América do Sul, com o objetivo de impôr uma política mais dura que somente conseguiria ser aplicada por regimes de força. Neste sentido, a região desempenharia uma ponta de lança que também incluiria a Colômbia.
O governo de Daniel Ortega, da Nicaragua, que seria o mais esquerdista da América Central, tem relações fluídas com o imperialismo inclusive a nível militar, e mais ainda a partir dos últimos meses conforme a crise na Venezuela tem se aprofundado, aumentando o risco de diminuir o fornecimento de petróleo barato.
Em El Salvador, o governo Funes, do FMLN (Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional) estaria na extrema direita dos governos nacionalistas, com enorme dependência do imperialismo, pois a economia do País gira em torno às remessas dos imigrantes que moram nos Estados Unidos. Os demais países têm governos abertamente de direita – Porfírio Lobo (Honduras), Laura Chinchilla (Costa Rica), Otto Perez Molina (Guatemala) e Ricardo Martinelli (Panamá).
O fortalecimento do domínio do imperialismo norte-americano sobre o próprio pátio traseiro se converteu numa necessidade de vida ou morte. A tentativa de descarregar um peso maior da crise sobre a região provocará inevitavelmente o acirramento das contradições nacionais e sociais. A tarefa colocada no momento é o aglutinamento dos setores anti-imperialistas. Isso só poderá ser feito de maneira consequente por um partido que represente a vanguarda dos trabalhadores, o único que tem a possibilidade de levantar a bandeira de um governo operário e camponês.
