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281010_Che_Guevara_-_FamiliaArgentina - Diário Liberdade - O cineasta argentino Tristán Bauer apresentou o documentário "Che, um Homem Novo", que inclui documentos e imagens inéditas do revolucionário argentino Ernesto Guevara centrando-se no seu lado mais intelectual e humano.


"A vida do Che é um exemplo que pode ser seguido ou não, mas ele foi um homem de uma coerência extraordinária, que atuava como sentia e pensava. Tomara que ele sirva para influenciar os atuais políticos de qualquer país", destacou o cineasta.

Bauer nasceu em 1959, ano da Revolução Cubana. Enquanto preparava um documentário sobre o escritor Julio Cortázar, descobriu uma antiga fita na qual ele lia um poema dedicado a Che. Foi a partir desse momento que iniciou 12 anos de pesquisa sobre uma figura da qual se sabia quase tudo como mito, mas nada sobre seus pensamentos, disse Bauer em uma recente entrevista.

"O que mais me impressionou foi o homem que pensa e como ele transformou esse pensamento em palavras desde muito novo; a criança leitora que mergulha na biblioteca de seu pai e que faz anotações em cadernos que deixa dentro de cada livro que vai lendo", destaca Bauer.

Este costume, que Che manteve até o dia de sua morte, é o que permitiu, 40 anos após sua morte, "ouvir" suas reflexões mais profundas.

Segundo Bauer, o revolucionário "é um homem de seu tempo", mas "seu pensamento não morreu". "Neste tempo de mudanças para a América do Sul, suas ideias voltam a adquirir muitíssima força", ressaltou.

Ele também afirma que já não há muitos socialistas puros, a não ser o presidente boliviano, Evo Morales, que "está fazendo um enorme esforço", afirma o diretor argentino.

O filme conta os 39 anos de vida do revolucionário em pouco mais de duas horas, a partir de declarações do sobrinho de Guevara, Rafael, que lê seus diários de guerrilha, e o mais interessante e inovador, é que também mostra o ponto de vista do próprio revolucionário: "A intenção era mostrar o Che a partir do próprio Che".

"Che, um Homem Novo" contém imagens inéditas e documentos recolhidos por toda a América Latina, "em arquivos públicos e privados, em lugares permitidos e vedados, nas lembranças dos que o conheceram e dos que ouviram falar dele", com a ajuda do Centro de Estudos Che Guevara.

Um dos achados mais emotivos - e difíceis de conseguir, pois estava guardado a sete chaves pela viúva de Che, Aleida March - é a gravação que ele lhe deixou e na qual recita seus poemas favoritos. A sorte também quis que Bauer tivesse acesso a vários documentos originais apreendidos de Che na última vez em que foi preso, escritos que, segundo Bauer, "pensavam que não existiam, e que nos permitiram mostrar uma imagem nova de Che".

Portador de uma visão crítica permanente, Ernesto Guevara foi também considerado um "herege" em sua época. "Ele teve a ousadia de questionar", revela Bauer. "Che, um Homem Novo" teve estreia simultânea na Argentina e em Cuba, como homenagem às duas pátrias de Guevara, e chega na próxima sexta-feira a Europa antes de ser exibido nos outros países da América Latina.

O filme recebeu o reconhecimento do Festival de Cinema de Montreal, no qual ganhou o prêmio de melhor documentário. O diretor argentino afirma que, por enquanto, só pensa em voltar à ficção: "Vou contar uma história de amor adolescente". "Ninguém sabe toda a verdade sobre outra pessoa, mas tenho certeza de que avançamos no conhecimento sobre Che e há coisas objetivas muito fortes que estão sendo contadas pela primeira vez", destacou.

Com informações do Vermelho e de agências.

 


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