A causa foi apresentada em 14 de dezembro do ano passado por organizações defensoras dos direitos humanos, que esperam que se castigue todos os que instigaram o golpe e os delitos que implicou.
Segundo confirmou hoje o próprio juiz encarregado do caso, Mario Carroza, Edwards se apresentou a declarar ontem em companhia de seu advogado Miguel Schweitzer, um dos defensores do ditador Augusto Pinochet em vários processos legais.
O juiz Carroza investiga uma operação da outrora Direção de Inteligência Nacional (DINA) destinada a aniquilar mais de cem opositores à ditadura Pinochet.
Questionou o papel que jogaram os jornais sob controle de Edwards tanto durante a derrocada do governo da Unidade Popular liderado por Salvador Allende, como depois, em seus relatórios sobre supostas brigas internas entre grupos de esquerda que a justiça mais tarde demonstrou que não eram reais.
O vespertino La Segunda, parte do holding El Mercurio, publicou "Exterminados como ratos" uma notícia referente a uma suposta briga que custou a vida de 119 integrantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) na Argentina, e que na verdade foram executados pela DINA em 1975.
A campanha de comunicação para encobrir os fatos, denominada Operação Colombo, é parte da Operação Côndor, a grande caça a integrantes da esquerda por parte dos serviços de inteligência das ditaduras em países sul-americanos.
O processo contra o golpe de Estado foi apresentado pelo advogado Eduardo Contreras, em nome dos grupos de executados políticos, presos e desaparecidos.
"Este é um fato inédito na história do Chile, é um ato necessário, é um ato de justiça elementar, nenhum advogado pode estar tranquilo com sua consciência se não inicia as ações penais que correspondem e a petição dos familiares das vítimas", comentou Contreras à Prensa Latina na abertura da causa.
A demanda tem como objetivo esclarecer as causas do golpe militar, "porque o golpe em si é um delito, porque teve insurgência, teve rebelião, há delitos julgados pelo código de justiça militar; há crimes penais pelos quais devem responder não só os militares, mas também os civis responsáveis e autores do golpe", exclamou.
"Eu tenho confiança nos tribunais chilenos, há uma experiência desde 1998, acho que os delitos serão investigados, que vai ter processo e espero que condenações", explicou o juiz, envolvido com várias causas contra o falecido ditador Augusto Pinochet e outros militares.