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ato-contra-o-golpe-no-paraguaiParaguai - PCO - Depois do golpe “branco” que derrubou Fernando Lugo da presidência do Paraguai, forças reacionárias miram contra Evo Morales na Bolívia.


No Brasil, o termo “paraguaio” se tornou sinônimo de falsificação barata, de mercadoria de qualidade inferior vendida no lugar do original mas por um preço mais baixo.

Os recentes acontecimentos no Paraguai justificam o trocadilho aplicado ao regime político que as forças reacionárias e pró-imperialistas do subcontinente tentam fazer passar como substituto de uma verdadeira democracia burguesa.

A “democracia paraguaia” que julgou sumariamente Fernando Lugo e o afastou do poder para atender a interesses obscuros é o retrato da imposição de um regime de exceção sob a fachada da legalidade e dos meios institucionais.

Lugo, um ex-bispo católico ligado ao movimento camponês, foi deposto para que os interesses de multinacionais imperialistas ávidas pelos lucros da exportação de commodities continuassem a prevalecer no nosso vizinho Paraguai. Mas não só nele. Na Bolívia, setores reacionários ensaiam um golpe semelhante ao que se insinuou no Equador dois anos atrás: uma greve de policiais desafia o governo Evo Morales que, rapidamente, promete ceder à pressão e reunir-se com os policiais que reivindicam aumento salarial para evitar uma ruptura na hierarquia do poder estatal.

Assim como contra Rafael Correa, a greve policial na Bolívia é um ensaio para um levante contra o governo de frente popular. Em La Paz, os protestos tornaram-se violentos na quinta-feira, 21 de junho, quando dezenas de policiais tomaram o controle de postos de segurança em torno do palácio presidencial.

Depois da Bolívia, pode-se dizer com relativa segurança que o Paraguai é um dos países mais convulsionados da América do Sul. Apenas dois governos civis cumpriram seu mandato constitucional durante o século XX. O primeiro do século XXI já foi abortado pela manobra orquestrada pelos Colorados, afastados da presidência depois de 61 anos no poder. Golpes militares, conspiratas palacianas e impeachments são o meio usual pelo qual a chefia do regime político paraguaio se modifica.

Mas golpes, revoluções, conspiratas e que tais não são exclusividade ou privilégio do Paraguai. A presente situação na Bolívia é uma confirmação disso. A derrubada do governo de Manuel Zelaya pelos militares em 2009 também. As ameaças contra Rafael Correa e as insinuações golpistas da direita contra o próprio governo Lula no Brasil contribuem ainda para mostrar que não só no Paraguai, mas em toda a América Latina, a democracia é “paraguaia”.


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