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policiamacauChina - Ponto Final - [Sónia Nunes e Celina Lau] O Tribunal Judicial de Base condenou a sete anos de prisão quatro agentes da PSP, suspeitos de terem assassinado um homem que estava a ser interrogado na esquadra. A tese de homicídio não foi, no entanto, dada como provada. Os polícias vão recorrer da decisão.


Os quatro agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) acusados de estarem envolvidos na morte de um detido em 2007 foram condenados na sexta-feira a sete anos de cadeia. O cenário de homicídio não foi dado como provado, com o Tribunal Judicial de Base a considerar antes os arguidos culpados pelo crime de ofensa grave à integridade física de que resultou a morte da vítima, segundo o jornal Ou Mun. Os polícias foram condenados ainda o pagamento de uma indeminização de 1,2 milhões de patacas à família.

A decisão não foi aceite pela defesa dos quatro agentes da PSP, que na sessão de leitura de sentença anunciou que vai interpor recurso para o Tribunal de Segunda Instância. Até lá (e enquanto a sentença não transitar em julgado), os arguidos – com idades entre os 35 e os 45 anos – vão manter-se em liberdade, mas sob coacção: estão impedidos de se ausentarem de Macau.

Os quatro polícias ouviram a condenação em silêncio e não prestaram declarações à saída do tribunal, ainda de acordo com o jornal Ou Mun. "Este é o caso mais triste de todos os acórdãos que li em tribunal", declarou Mário Silvestre, presidente do tribunal colectivo que julgou o caso, citado pelo diário. "A responsabilidade da polícia é proteger os cidadãos", afirmou ainda o juiz, ao destacar os deveres dos agentes da PSP na manutenção da ordem e segurança públicas e ao apontar para a ocorrência de um "crime grave" e que terminou na morte de um homem.

O caso remonta a 28 de Março de 2007. Os quatro agentes da PSP estavam a participar numa "campanha contra a pornografia", escreve o Ou Mun, na Rua de Pequim, então um centro de prostituição. Durante a operação, os polícias detiveram várias pessoas: entre elas estava Li Jinglong, um homem com mais de 30 anos oriundo do Continente, que horas mais tarde viria a falecer.

Já na esquadra, no Comissariado Policial nº3 da PSP à Praceta 1 de Outubro, próxima da Rua de Pequim, um polícia revistou Li e acabou por encontrar droga. O detido respondeu com violência e partiu o nariz do agente, que teve de ser hospitalizado.

O interrogatório continuou a ser feito pelos quatro arguidos, que terão tentado vingar o colega e agredido Li, que veio a morrer no mesmo dia. Em tribunal, o Ministério Público defendeu depoimentos contraditórios entre as testemunhas ouvidas e apontou para a ausência de provas para que os polícias fossem condenados por homicídio.

Uma chefia da PSP afirmou em tribunal que só se apercebeu que o detido estava deitado no chão, depois de ter vomitado, quando viu que um polícia tinha sido agredido. A testemunha afirmou, porém, que não se apercebeu que a vítima tivesse feridas no corpo. Já um bombeiro, também ouvido em tribunal, estranhou que Li cheirasse a lixívia – foi colocada a hipótese de o liquido ter sido utilizado numa tentativa de ocular os sinais de agressão.

Durante o interrogatório, o detido perdeu a consciência. Os arguidos tentaram reanimá-lo, deitando-lhe água para cima até que, descreve o Ou Mun, "alguém ciente que algo não estava certo"  chamou uma ambulância. Li foi declarado morto já no hospital. O relatório da autópsia apontou para um cenário de agressão violenta contra Li, que apresentava feridas nas mãos e nos pés.

Sem comentários

O tribunal concluiu que não havia provas suficientes que sustentassem a tese de homicídio, mas deu como provado que os quatro arguidos estavam presentes no local onde Lei foi agredido, ainda segundo o Ou Mun.

A condenação dos quatro agentes da PSP e a sentença do TJB – que vai ser alvo de recurso – está ainda a ser digerida pela Associação de Agentes Policiais de Macau, que prefere não fazer comentários por enquanto. Ao PONTO FINAL, Frankie Chan, vice-presidente do organismo, faz uma declaração a título pessoal: "Lamento muito", diz ao admitir que o caso afectou "um pouco" a imagem da polícia. A PSP disse não ter comentários a fazer sobre o caso.

Vong Hin Fai, da Comissão de Fiscalização da Disciplina das Forças e Serviços de Segurança de Macau, diz é cedo para reagir. "O processo não findou ainda. Os arguidos já recorreram para o tribunal superior. Só poderemos fazer um comentário quando a sentença transitar em julgado", justifica.

O deputado e advogado garante, no entanto, que a comissão "presta atenção a este assunto" e recorda as "recomendações" já feitas pelo organismo. Leonel Alves, presidente do organismo, defendeu ainda em Setembro a instalação de câmaras de videovigilância nas esquadras – nas salas destinadas à prestação de declarações, sobretudo – para proteger os interesses dos suspeitos e dos polícias.

Foto: APiC - Polícia macaense fazendo o que melhor sabe fazer.


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