Na capital do então "império", Lisboa, as manifestações de apoio a Salazar e ao seu regime fascista, quando aconteciam, tinham por recrutadores os caciques e as chamadas Casas do Povo dos mais recônditos lugares do país. Ali se concentravam camionetas de passageiros ou de transporte de gado para trazer a Lisboa muitos dos cidadãos que vinham pelo aliciante do passeio à capital do país – que antes não tinham visitado e provavelmente nunca mais a veriam. Era o "passeio" e não Salazar que os fazia mover, mas para o caso servia às mil maravilhas. Os caciques controlavam. Ai daqueles que não estivessem presentes nas manifestações de apoio com as bandeiras, cartazes e faixas elaboradas nas organizações salazaristas (Movimento Nacional Feminino, Mocidade Portuguesa, Legião e outros) e que já no local da manifestação lhes eram distribuídas.
Nas então colónias, como em Angola, Moçambique e outras, sempre que um ministro ou qualquer "alto representante" do regime salazarista ali se deslocava acontecia o mesmo, para a manifestação de boas-vindas... Era a organização do regime colonial-fascista.
Neste momento, em Luanda, está a acontecer o mesmo, numa manifestação de apoio ao ditador Eduardo dos Santos. A organização da manifestação de apoio é do MPLA, temente da manifestação anunciada com intenção de repudiar Dos Santos, que se encontra há 32 anos no poder sem que para isso tenha sido eleito pelos angolanos.
O MPLA, partido da resistência histórica ao colonialismo, que nas suas fileiras contém inúmeros patriotas heróis, recolhe e pratica os ensinamentos do regime que oprimiu os angolanos durante séculos, contra o qual combateu. O MPLA recorre aos métodos colonial-salazaristas na pretensão de demonstrar que o ditador José Eduardo dos Santos tem o apoio dos angolanos. Uma falácia. Em Luanda está a acontecer aquilo que acontecia em Lisboa durante os negros anos do fascismo salazarista.
Talvez de modo mais discreto mas a fazer recordar a cópia do nefasto regime colonialista, as forças da repressão fiéis a Eduardo dos Santos controlam, intimidam e encarceram opositores. Já há notícias de que isso está a acontecer em Luanda e um pouco por todas as principais cidades angolanas onde existam opositores ao regime mais destacados. Estão a acontecer raptos no mesmo modo dos da PIDE colonialista. Opositores que serão libertados (ou não) quando este regime opressor e ditatorial angolano considerar que "a vaga de terrorismo passou". "Terrorismo" que mais não é que a contestação à manutenção de um ditador e de um regime que subjuga os angolanos há 32 anos e que os traz na miséria, na fome, na ilusão de dias melhores com promessas que levam décadas a serem minimamente concretizadas, as que são. Fartos de guerra, fartos de opressão, fartos de padecer, fartos de acreditar em autênticos traidores dos propósitos que fundaram o MPLA, os angolanos estão a dizer NÃO! É esse o propósito da manifestação convocada para 7 de Março. Só esse propósito. Propósito mais que suficiente para ser temido pelos que fizeram do MPLA um movimento hibrido angolano-colonial-salazarista, ou deve dizer-se angolano-traidores de um povo farto de ser roubado e massacrado?
Quantos milhares de pessoas já foram e estão a ser transportadas para o local da manifestação de apoio ao ditador, em Luanda, no figurino salazarista? Quase todas. Santos e os que o ladeiam, os alunos de Salazar, assimilaram-no, aprenderam e usam os seus métodos. Que não sendo uma novidade... não deixa de ser uma enorme vergonha para todos que amam a Pátria Angolana e que quase até agora foram crentes e fiéis a este regime por demais caduco!
