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240116 pobPortugal - Esquerda - As desigualdades grassam no nosso país, agravadas pelas políticas de austeridade. A riqueza de América Amorim, o mais rico de Portugal, equivale ao rendimento de dois milhões de pobres, durante três meses.


O Jornal de Notícias deste domingo destaca, neste domingo, que “dois milhões de pobres não superam fortuna de Amorim”, salientando que a fortuna de Américo Amorim é de 2.500 milhões de euros e que para a igualar seria necessário juntar o rendimento de dois milhões de pobres (rendimento médio de 422 euros por mês), durante três meses.

Questionado se medidas como a reposição de mínimos sociais e a atualização de pensões ajudam a minorar a desigualdade, António Firmino da Costa, diretor do Observatório das Desigualdades, afirma:

“As reposições de apoios sociais, que o atual Governo começou a implementar, assim como os complementos remuneratórios e os aumentos do salário mínimo são, de facto, medidas efetivas de redução da pobreza e, até certo ponto, de redução das desigualdades”.

As desigualdades são grandes no nosso país e agravaram-se extraordinariamente desde 2009, com as políticas de austeridade.

O investigador e professor do ISEG Carlos Farinha Rodrigues aponta:

“A proporção da riqueza líquida (sem endividamento) total auferida pelos 10% mais ricos atinge o valor de 52,7%. Porém, se à riqueza líquida subtrairmos o valor da casa própria, os indicadores de desigualdade são ainda mais expressivos: o índice de Gini [cálculo usado para medir a desigualdade social], alcança um valor de 84% e a proporção da riqueza nas mãos dos 10% mais ricos é de 74,1%”.

O investigador realça, sobre o agravamento entre 2009 e 2013:

“Se construirmos dez escalões de rendimento, começando com os 10% mais pobres e terminando nos 10% mais ricos, podemos analisar a evolução. O rendimento dos 10% mais ricos regista um decréscimo de cerca de 8%. Os rendimentos dos escalões 3 a 7 descem menos de 7%. O rendimento dos 10% mais pobres diminui 24%”.

De acordo com o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do INE, 19,5% da população (dois milhões) estava em risco de pobreza em 2014, isto é, tinham um rendimento igual ou inferior a 422 euros mensais. Considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 47,8% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2014. Seriam 4,9 milhões de pobres.

Carlos Farinha Rodrigues salienta:

“O recuo das políticas sociais, no auge da crise económica quando elas mais se revelavam necessárias, constituiu inequivocamente um fator de empobrecimento, de fragilização da coesão social e do agravamento da distância que separa os rendimentos da população mais pobre da parte cimeira da distribuição dos rendimentos”.

O investigador destaca ainda que “a desigualdade na distribuição da riqueza é muito superior à da distribuição dos rendimentos”, sublinhando que “há que ter em conta o papel das heranças e a transmissão intergeracional da riqueza”.


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