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Pedro Penido

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Pensamento em Rede

No Fronte da Informação

Pedro Penido - Publicado: Quinta, 31 Março 2016 15:28

Em uma democracia, quando o poder emana do povo, pelo povo e para o povo, tal poder deve, sempre, estar fundamentado em informações. Informações estas que respeitem o contraditório, que se alicercem no respeito mútuo, que não debochem da capacidade crítica de seus receptores, que estejam à altura do que se espera de toda a nação.


Modelos econômicos forjam não apenas a forma de produzir, mas a forma de pensar e a forma de lidar com o pensamento.

É evidente, no atual cenário, a incapacidade de veículos domainstream de sustentarem, sem perdas, as narrativas que propõem. Resultado direto disso tem sido o aumento inquestionável da quantidade de pessoas criticando tais veículos nas redes sociais. Revistas semanais que se valiam de imensa reputação e credibilidade hoje caem na piada pública, por não conseguirem mais sustentar seus discursos parciais, desonestos e atrelados diretamente aos interesses de grupos que os financiam. Da mesma forma, ainda parelha à Democratização da Mídia, novas propostas de comunicação, levadas adiante por dezenas de publicações tidas como governistas, também não se debruçam em desentupir as orelhas de seu público, contentando-se, muitas vezes, em realçarem o inverso do problema, sob a lógica do revanchismo. Acabaram por se silenciar diante de seus padrinhos, mesmo quando seus padrinhos, governo ou oposição, pouco tem de interesse no bem estar das pessoas.

Nos canais de televisão, diante das vultuosas quantias associadas aos seus modus operandi, a situação é mais gritante. Assusta ver uma sequência de nomes de investigados não citar, por exemplo, Eduardo Cunha (PMDB), atual Presidente da Câmara, réu por unanimidade do STF. A omissão de seu nome cumpre a agenda doimpeachment e, sendo peça essencial para a formalização da derrocada petista, precisa ser mantido lá, onde está, criminoso ou não.

Em outras frentes, com discursos midiáticos e jornalísticos tão mal orquestrados e cada vez mais declaradamente perniciosos, revanchistas, totalitaristas e polarizadores, nada restou à grande parte da população brasileira se solidarizar da estupidez entreguista e acrítica de seus oradores. Tornaram-se bois de piranha em escala massiva. Estão aí, às ruas, aos gritos, agressões, ameaças e toda forma de ódio, repercutindo nada mais, nada menos, que aquilo que uma mídia vendida lhes pode oferecer. No meio disso tudo, grupos de pressão realçam pautas das mais válidas, como a manutenção das instituições na condução de casos. Mas tornaram-se minoria, com discursos avessos ao patronato de um e ao governismo de outro.

No fronte das notícias, guerras imensas, épicas, são travadas. Soldados repórteres em meio ao bombardeio de interesses são sempre os primeiros alvejados pelas saraivadas disparadas de todos os lados. Tanto por aqueles a quem deviam proteger, quanto por aqueles que deveriam protegê-los.

Fato é que, diante da tragédia do cenário político brasileiro, polarizado entre o "bom e o mau", entre o "bem e o mal", entre dicotomias de cores e discursos de ódio, ser um livre pensador é um risco. Ainda mais quando se atrelado às lógicas inerentes do mercado, da relação de trabalho, dos pesos e medidas que favorecem ou desfavorecem quem está no fronte, diante dos rumores e das alternâncias de poder detrás das "linhas inimigas" na Guerra da Informação.

Na contracorrente, pensar por conta própria é um atentado ao estabilishment. Servem mais à causa os subservientes, oportunistas e combatentes de ocasião, também conhecidos como mercenários em alguns dialetos, pelegos em outros, mas, por excelência, gente sem causa alguma.

Contexto e complexidade são meros imbróglios para protocolos já estabelecidos de culpabilizar e elencar inimigos, mesmo que diante disso, faça-se cego diante dos fatos. Mas os 'fatos' realmente importam? O discurso já está pronto, lá atrás das máquinas de escrever e das cafeteiras. Precisa-se é de legitimadores de ódios encarnados, que dêem substrato técnico, formal e textual para um grito inflamado pela ignorância e verborragia preguiçosa, que argumenta com base em memes e vídeos absurdos de whatsapp e redes sociais.

Hoje, a Comunicação não é aquele esforço em prol da análise crítica - dialética - das égides que estabelecem as forças num determinando campo, principalmente nos que realçam as contradições sistêmicas que vitimizam pessoas, propostas, discursos, minorias, projetos. Comunicar hoje é - e talvez sempre tenha sido - mero trabalho de tecnicizar algo que gente não familiarizada com a técnica precisa. Comunicar hoje é - e sempre foi - prestar serviço mercenário ao ódio e à ignorância de gente que já tem a verdade, assim como os meios de produção - e comunicação - e se valem deles no jogo sujo da política contemporânea.

Sejamos sérios. Abdiquemos do sonho infantil e romantizado do jornalismo maior que a demência de seus financiadores. Hoje em dia, crianças têm mais maldade e malícia que adultos. E não poderia ser diferente, com tamanha influência de toda sorte de manipuladores à frente das decisões, ainda sustentados por trabalhos hercúleos de massificação dos discursos em prol da famigerada - e assustadora (vide Nuremberg/1939) - unidade nacional.

A homogeneização das comunicações atinge seu ápice, embrutecendo mais rápido e com mais profundidade que qualquer outro tipo de lavagem cerebral. Ainda que alguns poucos tentem levar serenidade à Comunicação e ao Jornalismo nessa luta, são avassalados. Ainda há quem venda essa combatividade como disfarce a um evidente oportunismo, defendendo lados, omitindo fatos, esvaziando histórias e construindo narrativas a favor de um ou outro monstro sujo.

Esperemos, ainda, que estejam nas redes sociais, ainda que de modo bem incipiente, as novas possibilidades tão aguardadas e tão prometidas pelas Novas Tecnologias de Comunicação e Informação. E que a Internet não seja a próxima vítima, pois, tal qual o Jornalismo, ainda é dependente de meios de produção físicos, que têm donos.


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