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Ilka Oliva Corado

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Crónicas de uma inquilina

Não é contra Dilma, nem contra Lula, mas sim contra o progresso do povo brasileiro

Ilka Oliva Corado - Publicado: Quarta, 30 Março 2016 07:15

[Tradução de Camila Lee] Para a cúpula empresarial, a burguesia e a classe média latino-americana é a palavra do povo é assustadora, sente calafrios quando escutam a classe obreira e, ainda mais, quando o grito enardecido dos campesinos rebate como eco de vulcão em erupção em um indômito poder popular. A população originária leva mais de 500 anos resistindo e não será agora que serão derrotados.


Estes presidentes que foram eleitos na democracia através do voto dos mais levaram golpes do sistema, da oligarquia e dos mal-agradecidos são chamados de populistas, com a clara intensão de menosprezar o voto do povo por ser precisamente isso: o povo. 

Não é contra Maduro. Não é contra Evo. Não é contra Correa. Não é contra Cristina. É contra o desenvolvimento do povo. Não é contra Fidel. É contra a integridade do povo cubano. Não é contra Chávez, é contra a Revolução Bolivariana. Não é contra nenhuma corrupção por parte dos governos progressistas, é contra a oportunidade de dar uma vida íntegra para os pobres das classes sociais. Explicando de uma forma bem direta, é contra o florescimento da classe obreira, campesina e proletária. 

É contra o sistema de educação, a saúde e as políticas que impulsionam a igualdade social, a inclusão, os Direitos Humanos e a dignidade da memória histórica. É contra aqueles que procuram a independência dos seus povos e aqueles que estão contra toda a ingerência estadunidense na região. Nenhuma cúpula empresarial está feliz se aqueles que são oprimidos conhecem a liberdade, tanto de pensamento quanto de ação, se conhecem e exercem os seus direitos e têm acesso ao básico que o Estado deve oferecer obrigatoriamente. O que aconteceria com a oligarquia se os oprimidos se rebelam? Se o analfabeto aprendesse a ler? Se as universidades despertassem e liberassem o pensamento analítico dos seus estudantes em vez de aniquilá-los? Se o estudante universitário tivesse como ideal que não há nada para ele que não seja também para os demais?

Em resumo, o que está vivendo a América do Sul nesse momento é o resultado da excelente logística da guerra suja em cada país. Sem recorrer à ditaduras sanguinárias como há décadas atrás, conseguiram, através de polarização dos meios de comunicação, fazer lavagem cerebral e arrancar de uma vez o fraco critério da classe média latino-americana que, por classicista, racista e inumana, é fácil de manipular. Carente de raciocínio, é uma massa amorfa, que toma as ruas do seu país para se manifestar e mostrar o seu apoio àquilo que é incongruente, desleal e inumano. O que ocorreu no Brasil no dia 13 de março é um claro exemplo do êxito que teve a guerra suja na região. 

Não existe pior inimigo para uma população em desenvolvimento do que a classe média que se beneficiou com as políticas de governos progressistas. Por excelência, é mal-agradecida, avarenta e traidora. É submissa e camaleônica, é a aplanadora e o trampolim. É a palanca para a oligarquia. 

Para exemplificar e falar claramente do quão manipulável é a classe média, vejamos a calamidade da Guatemala. Um país no qual milhares de pessoas saíram para protestar contra a corrupção (e neste momento, com toda a razão), mas que por nada neste mundo — protestaram pelo genocídio — estiveram dispostos a mudar o sistema e que fossem levadas a cabo transformações necessárias. Por essa razão, serviram de palanca para um golpe de Estado claro contra Pérez Molina (genocida) por parte da oligarquia e da embaixada dos Estados Unidos na Guatemala (Pérez estava com a imagem queimada, já não servia para nada dentro dos interesses desses). E aproveitando as manifestações e o enardecido fanatismo, conseguiram fazer a população acreditar que foram estas que obrigaram tanto Pérez quanto Baldetti a renunciarem. 

Entretanto, o único que a cúpula empresarial, militar e a embaixada dos Estados Unidos fizeram foi trocar de lacaio na presidência, colocando outro muito mais servil e ad hoc com o nível do fanatismo religioso, classicismo e xenofobia com que se engalana a classe média guatemalteca. E como o toque final, a classe média e a burguesia caíram na armadilha e votaram no novo candidato apoiado por essa cúpula. E assim, eles ficaram felizes e contentes, vendo que fizeram história conseguindo que os corruptos renunciassem e colocando outros usurpador com ar de puritano. A Guatemala tem o que merece. 

Este é o nível de manipulação que a classe média se submete. Não nos esqueçamos do golpe de estado em Honduras e do papel que esta jogou. Na Argentina, agora o seu flamante presidente já varreu em três meses todas as conquistas que durante 12 anos os anteriores governos de Néstor e de Cristina conseguiram. Na Venezuela, votaram por uma Assembleia Nacional de direita e aplaudem que pelo segundo ano consecutivo Obama declare que o país é uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos. A classe média no Brasil está tentando um golpe de estado ou, pelo menos, ter a mesma sorte da Venezuela, e que Obama (ou Hillary, que já se nota que será a nova presidente dos EUA) também assine um decreto declarando que o país do jogo bonito é uma ameaça e, desta forma, preparar terremo para uma possível invasão militar. 

Sem ideologia, sem humanidade, sem pensamento analítico, sem desejos de se mobilizar e sem integridade, a classe média latino-americana serve de palanca para qualquer ingerência que deseja o retrocesso da população. 


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