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Alexandre Banhos

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Em coluna

A justiça: O calcanhar de Aquiles do nacionalismo galego e da esquerda por todo lado

Alexandre Banhos - Publicado: Quinta, 17 Março 2016 16:44

(Uma reflexão incitada pelo caso do Secretário do PSdG Besteiro(1) e pelo golpe de estado modelo século XXI que se vive no Brasil).


A Justiça é um dos poderes do estado, desde que Montesquieu no seu Livro o Espírito das Leis, concebeu a modernização dos estados como um processo onde os poderes executivo, judicial e Legislativo, ocupavam espaços e atribuições distintos, e entre eles se controlavam (2).

Neste tempo de corrupções desvendadas por todo lado, a justiça não é alheia a elas, não há nada que vaia nos garantir que o que se passa nos outros poderes, não esteja também a passar na justiça. Desde sempre é sabido que os melhores advogados são aqueles que tomam o café e comem com os juízes.

Como diz um dia o Arzallus com a sua sabedoria de vasco, “Eu acredito muito na justiça, mas no estado espanhol ela tem um problema, ou é justiça ou é espanhola, quanto mais justiça é, menos espanhola resulta, e quanto mais espanhola é, menos justiça há nela”

Na justiça cometem-se todo tipo de erros ao ditar sentenças. Eu que tenho lido muitas, por exemplo no âmbito do contencioso, penso que se poderia contar uma bela história só narrando aquelas que são verdadeiras asneiras jurídicas ou das que os juízes não sabem de que se trata em realidade quando falam (escrevem). Suponho, que nos outros ramos judiciais, a cousa há de ser bastante parelha. E já sabemos que é melhor sentenças erradas que não falta dum sistema judiciário. (Mas nós temos um sistema judiciário! Os constantes acordões dos tribunais europeus sobre a justiça do estado espanhol estão a discutir isso bem as claras)

Na justiça espanhola na que não houve um Togliati (3) para fazer limpeza na transição, onde os fascistas juízes passaram a exercer na democracia. No sistema judicial do estado o 90 por cento das sentenças são determinadas previamente polo posicionamento ideológico do juiz, (palavras ditas a mim, por um magistrado do Tribunal Superior de Justiça na Galiza), e onde se violam pelos juízes de essa mesma justiça, dia sim e outro também direitos dos cidadãos, como são os direitos linguísticos, e onde se condena a uns ou a outros segundo se afirmarem ou não supremacistas ou não de castela/espanha.

Numa justiça onde incluso a questão das praticas corruptas são tratadas com um sesgo ideológico de meter medo. Compare-se por exemplo o tratamento aos implicados dos assuntos desvendados do governo Matas nas Baleares, com dupla vara de medir penal, segundo se for da União Maiorquina ou do PP.. Uns presos por anos e os outros andam por aí, e isso indiferentemente das importâncias e gravidade em cada caso.

A justiça é usada contra o processo soberanista catalão, sem cortar-se um cabelo. E o invento dos dinheiros de Mas pelo Mundo em plena campanha eleitoral e tendo como fonte a policia, -outro órgão imparcial do estado-n Não resultou em nada para essa justiça tão de parte.

A juíza Lara de Lugo, da que já tive ocasião de ler autos e textos do seu trabalho judicial, é um ser marcado absolutamente pela sua ideologia a que soma o supremacismo de castela/espanha, incapaz de entender o país no que trabalha, e que da leitura que eu fiz, resulta-me de pouca fiabilidade como agente da justiça caindo de pleno no que dizia Arzallus.

O nacionalismo e a esquerda perdeu o sentido mais principal, que é o sentido comum, e deixa a confiança no que tem que ter sentido nas mãos de aqueles que usam esses mesmos meios para lançá-los na sua contra, dando sempre novas armas ao inimigo.

Nas passadas eleições tinha o posto de responsável de organização em ANOVA Iolanda Peres do Campo, pessoa que conheço e que acho tão inocente como uma andorinha. As corruptelas do psoe em Ourense e o processo na justiça para devolver esse feudo ao PP, de jeito colateral fizeram aparecer militantes do Bloco e Anova citados pela justiça, (que fique bem claro ao público-alvo que são todos iguais, la Voz e companhia já educam). Uma pessoa que ia ser candidata de Anova saiu citada num desses processos e a inocente andorinha do conto, manifestou-se firme: Não pode ir nas listas, está incurso judicialmente. Todos os que o arrodeavam sabiam que nada havia, como ao final resultou, mas ... como acreditamos na justiça, pois fora da lista a pessoa. O melhor de todo o conto e que pouco depois a candidata ia ser a Iolanda, quem estivera uns 5 meses de vereadora em Ourense, e que não chegara nem a entender a complexidade do aparato burocrático, quando de pronto a justiça a botou fora da candidatura, seguindo a sua própria doutrina, ainda que tudo acabou em nada.

A perda do sentido comum, a falta de saber cheirar os problemas certos e distingui-los dos boatos, e dar a confiança a um sistema corrupto e de parte, aceitando que nisso está no certinho- leva a asneiras que abriram não uma fresta mais um verdadeiro furo para que nos tempos do BIG-Data se possa manipular resultados pro parte, dum jeito de meter medo e para quem com muito pouco esforço e uns meios tipo os que há na Galiza se podam derrubar organizações e alternativas e se meta a pata em muitos temas até as cojas.

O Caso do Golpe que se vive no Brasil, outra mostra mais da mesma asneira esquerdista com a justiça (4)

Nestes tempos do século XXI e da Big Data, onde o controlo da informação e onde a manipulação de massas alcança novos patamares e onde se ensaiam novas formas de modificação das relações políticas nos estados, já não baseadas no funcionamento das formas estabelecidas e a sua reforma e sim contornando-as e aproveitando as frestas que todo sistema tem.

Já os velhos golpes militares parecem desnecessários, como tem teorizado já por exemplo o SouthCom estado-unidense com respeito a latino-américa, com os modelos Honduras, Paraguai...etc onde se aproveitam frestas alicerçadas no conhecimento minucioso das pessoas, de que dispõem.

Esse modelo de golpe e também o do velho modelo militar, foi travado na Venezuela ainda, pela politização tão forte social e militar, e pela existência do poderoso ator que é o Brasil. Alguém pode esquecer que Chavez não caiu por existir o Brasil, e que quando a nacionalização da empresa de petróleo na Venezuela, Brasil garantiu a subministração, e que o ALCA ao sul foi travado por o Brasil travá-lo.

Vou pôr um exemplo bem visível para mim, no Brasil está-se organizando agora um novo golpe de estado com o novo modelo do século XXI, começou no mesmo momento que foram proclamados os resultados eleitorais das eleições presidenciais, que a Globo e os tucanos não aceitaram.

O objetivo do golpe não é acabar com a corrupção, se não tentar levar a uma potência dos BRICS de novo ao patamar dos submetidos. No Brasil para isso é chave o controlo dos meios, e nesse grande país, os meios carecem de pluralidade, pois são todos da mesma linha ocupando o lugar de referência a rede Globo nascida do ventre da ditadura militar, e com o seu ADN profundamente reacionário, racista e classista.

Neste Brasil o PT e a presidenta sempre afirmaram a sua profunda confiança na justiça, e na sua independência, (tautologia da esquerda por todo lado, que confunde confiança com a perda do necessário espírito crítico, o que lhes trava o agir). Pois estão sem entenderem que o conhecimento da justiça e de cada uma das pessoas que a encarnam é uma poderosa fresta pela que entrarem os golpistas, muito facilitado pelo uso do Big-Data e as redes sociais, e sem entenderem como toda a operação lava-jato foi cair num escuro juiz federal de primeira instância do estado de Paraná, que ocupa a 13 vara da justiça nesse estado, e que de todo o que faz e que se relaciona com o PT faz imediato vazamento a Globo-Veja. E sem entenderem que entanto o corruptíssimo Cunha presidente do Congresso e terceiro na sucessão constitucional à presidência da república continua no seu cargo, por ser alavanca chave para queimar e botar à Dilma.

A Dilma que incorporou no seu anterior mandato enorme legislação para combater a corrupção, agora descobre que isso não afeta a classe dirigente profundamente corrupta do Brasil e tudo se volta contra dela... Pois o Brasil tem que voltar a estar nas mãos dos senhores da senzala, e os negros a serem de novo pretos. E os senhores a servirem de novo ao inglês de turno, e impedir que os Mauãs possam desenvolver o país de jeito independente.

Como foi que tudo caiu no juiz Sérgio Moro num escuro julgado do Paraná. Não seria que alguém soube ligar tudo para isso, para que um ativo personagem nas redes sociais, o juiz Sérgio Moro, (comentarista as vezes na Globo), e onde tanto ele como a sua mulher se amossam como tucanos ferrenhos, contrários a todo o que for público, partidários das privatizações, de que desapareça a Petrobras (a mulher do juiz trabalha para as mais poderosas multinacionais do petróleo, para que elas tenham o livre acesso e controle das reservas do Brasil).

Entanto a Presidenta do país fica assombrada olhando como a polícia federal controlada por um ministro aliado, mas partidário do golpe, (o PT nunca teve maioria, sempre no governo precisou de ter outros partidos, neste momento é minoria no governo) a está controlando a ela. E como os meios posicionaram à chamada classe média no ódio furibundo ao governo, fonte de todos seus males, e a vez a afastaram-no da sua base social, e como boa parte do esquerdismo nos tempos do BIG-Data também joga o seu papel para o sucesso do golpe. A luta contra a corrupção impulsionada pelo PT poupa a todos menos a eles.

Recuperamos o sentido comum por todo lado.

Notas:

(1) Não seria eu quem fosse a colocar a mão no lume por um membro do PSOE e menos por alguém que de nada conheço.

(2) Montesquieu estava na sua obra bebendo na fonte fantástica que é Espinoza.

(3) Togliatti, Secretário Geral do PCI, foi nomeado ministro de Justiça em 1945 na Itália com o objetivo de depurar os extremistas fascistas inseridos na justiça. Mas não durou muito...a guerra fría!

(4) Antes os esquerdistas chamavam de justiça burguesa, mas a correção política e não se saber já que era isso deu na perda desse qualificativo.


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