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150714 dilma alemanhaBrasil - Carta Maior - [Eric Nepomuceno]  Após longos 24 anos, a Alemanha conseguiu, e no mítico Maracanã, outro confronto com a Argentina e, desse jogo, um Mundial. O quarto.


Copas raras: Messi, que ontem quase não foi visto em campo, foi eleito o melhor jogador da Copa. Entre os brasileiros, o único candidato entre os dez ao posto de melhor dos melhores era o Neymar. Coitado. Sem chance.

E em um Mundial em que os goleiros se destacaram, o alemão Neuer foi consagrado como melhor. Eu queria saber se o júri que acompanhou o Mundial e tomou essa decisão viu jogarem o goleiro da Costa Rica, do México, e por aí vai (não cito nomes para que não me acusem de ser parcial).

Ontem tivemos um jogo com momentos brilhantes no primeiro tempo, com um segundo tempo que se alongou para além do que poderia supor a paciência bíblica de Jó, e pronto. De repente, a Alemanha faz um gol e se liquida a fatura. Assim são as coisas. Se tivesse acontecido o oposto, isto é, se a Argentina tivesse feito um gol, seria igualmente justo.

Ao final, Dilma Rousseff não fez qualquer discurso. Foram em vão as horas de tensão dos assessores encarregados de redigir as duas versões de discurso da presidenta brasileira. Nem um, nem outro.

Bem, após longos 24 anos, a Alemanha conseguiu, e no mítico Maracanã, outro confronto com a Argentina e, desse jogo, um Mundial. O quarto.

Agora, é quem está mais próximo do Brasil, que tem cinco. Mas se observarmos e estudarmos o futebol de um e de outro, a verdade é que os alemães estão muito melhores, muito embora lhes falte um título para se equipararem a nós.

É difícil, muito difícil a missão que eu e a seleção brasileira temos agora.

Eles, a de resgatar algum vislumbre do jogo que já tivemos, do futebol maravilhoso que soube encantar o mundo. Eu, a de terminar este texto.

Eu lhes confesso, olho no olho, que ontem torci pela Argentina. Sim, sim, nossos maiores rivais, nossos adversários mais adversários. Mas, ao fim e ao cabo, são irmãos, vizinhos.

Os alemães cometeram a maior humilhação que já padecemos em um mundial. Do 7 a 1, trago pelo menos seis espinhos entalados na garganta.

Bom, não tem jeito. Outra vez, os alemães ganharam. Confesso que esperava algo a mais da Argentina. Mas não cobrarei dos muchachos adversários o que os nossos muchachos não conseguiram dar. De alguma forma, ontem o Brasil foi um país dividido. Uma parte importante, e por certo muito masoquista, esteve com Alemanha, nosso maior carrasco. Outra parte, talvez maior, talvez menor, esteve com a Argentina, nosso adversário mais feroz. Uma parte perdeu. Uma parte ganhou.

Mas, ao fim e ao cabo, nada disso importa tanto. O que realmente importa é que o inverno no Rio está suave. O domingo de 13 de julho foi um dia esplendoroso de sol.

E, ao anoitecer, enquanto os alemães comemoravam à sua maneira – os alemães não são latinos, como todos sabemos; e, como todos sabemos, suas comemorações nos parecem um tanto estranhas –, nós, os latinos, olhávamos o céu, onde havia uma imensa lua cheia. Essas luas que os apaixonados entregam para suas amadas, dizendo – e é mentira, mas não importa – que as conquistaram a um preço elevadíssimo, tão caro que precisaram dividir no cartão de crédito.

Bem, com uma lua dessas, tudo é válido. Este foi, como diria meu mestre John dos Passos, o Mundial de nossas desesperanças.

A Alemanha teve, sim, o melhor futebol Que façam bom proveito.


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