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120714 alemanhaBrasil - PCO - O resultado do jogo entre Brasil e Alemanha dará lugar a mais uma de tantas farsas inventadas no Futebol: a de que o futebol europeu é superior ao brasileiro.


A vitória da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo contra o Brasil foi a “deixa” que os colonizados precisavam para se convencerem de determinados “mitos” artificiais criados no futebol. A seleção Brasileira é inegavelmente a melhor seleção de todas, não à toa ou por invenção de alguém, mas simplesmente porque o futebol praticado no Brasil é de fato o melhor do mundo.

Só mesmo um brasileiro que ama acompanhar todo o tipo de jogo de futebol sabe que o que faz esse esporte o mais popular do mundo é sua incrível capacidade de trazer lances inesperados que muitas vezes levam a resultados inesperados.

Quanto mais previsível, mais sem graça. A Seleção de basquete norte-americana foi quase sempre invencível. Perdeu poucas vezes na história. No futebol não é assim. Nem sempre ganha o melhor. Nem sempre o time de mais talentos, com melhor esquema tático, melhores passes etc etc etc, consegue sagrar-se vitorioso. É isso o que torna maravilhoso o futebol, é isso uma das coisas que o faz tão popular.

Por isso mesmo e principalmente por motivos exteriores ao próprio esporte (como a política e a economia) há uma imensa campanha para tentar fazer o brasileiro em primeiro lugar e o restante do mundo acreditarem que a Seleção Brasileira não é a melhor. A vitória absurda da Alemanha por 7 a 1 será um dos momentos do futebol feitos para criar “mitos”, mesmo que temporários. A imprensa brasileira, principal correia de transmissão do imperialismo e consequentemente principal propagandista da cultura dos colonizadores dentro do País, está despejando uma imensa quantidade de besteirol sobre o que seria a “superioridade alemã” contra a “duvidosa” supremacia do futebol brasileiro.

Não será a primeira nem a última vez que inventarão “mitos” 

Um dos casos mais interessantes dos “mitos” artificiais foi a “temida Espanha” campeã da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. O resultado nessa Copa, na qual os espanhóis sequer passaram para a segunda fase mostrou que o caso era mais do que um “mito” era uma fraude grotesca.

Os que encaram o futebol como uma modinha repetiram feito papagaios por quatro anos que a Seleção Espanhola era o “suprassumo” do futebol. Já para um brasileiro, que gosta de futebol de verdade, que assiste e acompanha o esporte da Várzea à Copa Libertadores, passando pela “segundona”, sabe que é evidente a farsa. A Seleção Espanhola sempre foi motivo de chacota em Copas do Mundo por “latir pouco e não morder nunca”. Esse fato é explicado pelo simples fato de que no futebol espanhol gasta-se mais dinheiro contratando jogadores de outros continentes do que formando jogadores. O Barcelona e o Real Madrid não são times espanhóis, são times artificiais montados para fazer a alegria dos capitalistas e investidores.

Depois de quatro anos tendo que escutar bobagens, os “deuses” do futebol nos presentearam com a justiça. Na Copa das Confederações, a Seleção Brasileira atropelou os “temidos” espanhóis; foi o começo do fim. Na próxima Copa, talvez a Seleção Espanhola volte ao lugar que sempre ocupou: ser a chacota entre as “grandes seleções”.

Mas sejamos justos com a Espanha. A Seleção Italiana, na Copa de 2010 também havia sido a atual campeã em 2006, no entanto, não passou da primeira fase. A seleção espanhola apenas imitou a “Azurra”, uma seleção de maior tradição, sem dúvida, mas que é mais conhecida por saber montar um esquema defensivo razoável.

Não esqueçamos ainda que a mesma “Azurra” – tetra campeã do mundo – também não passou da primeira fase esse ano, morrendo abraçada com os ingleses inventores do futebol, cuja única Copa do Mundo é a de 1966. Essas duas Seleções foram eliminadas pela escola sul-americana de futebol. Uruguai e a Costa Rica (que embora seja um país da América Central procura aprender a jogar com os sul-americanos) avançaram.

A Seleção Francesa, composta por um time cuja base eram descendentes de imigrantes e cujo principal jogador, Zidane, era Argelino foi campeã em 1998. O Brasil, então campeão em 1994, chegou à sua segunda final consecutiva e perdeu para os franceses donos da casa em jogo que até hoje traz controvérsias. O resultado de 3 a 0 para os franceses gerou uma reação muito parecida com o que aconteceu no jogo de agora contra a Alemanha. A sensação de que algo estranho havia acontecido e de fato aconteceu. O principal jogador brasileiro, Ronaldo, teria tido uma convulsão momentos antes da final e por pressões dos patrocinadores foi escalado de última hora, sem estar em sua melhor condição. Será apenas coincidência que novamente o Brasil tenha sido atacado justo no seu principal jogador? A vitória inesperada da França gerou outro “mito”. De que a Seleção Francesa era a melhor de todas, que talvez o futebol brasileiro não fosse o melhor.

E qual foi o resultado? Tudo revelou-se uma fraude. A “poderosa” França, na Copa seguinte (Japão e Coreia 2002), sequer passou para a segunda fase. Vê-se que a Itália e a Espanha tiveram em quem se espelhar. Enquanto isso, o Brasil fazia sua terceira final de Copa do Mundo consecutiva e sagrava-se pentacampeão mundial passeando contra a Alemanha, 2 a 0.

Caso a Alemanha se sagre campeã nessa Copa, é bom os “tão poderosos” tomarem cuidado na próxima Copa para não ter um fim com a das três última campeãs. Será que ela conseguirá passar da primeira fase?

Essas fraudes em torno de supostas grandes seleções servem aos interesses dos grandes monopólios. Para eles, é necessário que países europeus ganhem destaque, por motivos óbvios. A grande questão aqui é que esses “mitos” são criados de maneira artificial. O que está em questão não é se França, Itália, Espanha, Alemanha ou qualquer outra seleção venceram roubado (como se diz na linguagem popular), embora tudo seja muito duvidoso. A grande questão é que tais resultados – de certa maneira naturais no futebol, conforme está dito no início da matéria – são usados são usados de maneira fraudulenta, para criar uma realidade que nada tem a ver com o futebol em si.

Ninguém aceitaria que o time do Ituano, apenas por ser o atual campeão paulista, de uma hora para outra se tornasse a grande potência do futebol de São Paulo. O Ituano mereceu o título e graças às maravilhas do futebol ainda podemos assistir a espetáculos inesperados como esse, mas nem o mais fanático torcedor de Itu diria que o seu time agora é a grande máquina do futebol brasileiro. Absurdo? Pois é o que fazem nas Copas e é exatamente o que estão fazendo com a Seleção da Alemanha.

O que está por trás dos “mitos” do futebol europeu 

Além dos motivos econômicos e políticos, que são óbvios, a criação artificial de grandes seleções tem um objetivo (que logicamente no fundo também é econômico e político) bem específico. O futebol foi criado na Inglaterra, mas foi na América do Sul onde o esporte se desenvolveu e cresceu. Mais especificamente, no Brasil. O futebol se popularizou entre a classe operária nascente nesses países, e particularmente entre a população pobre e negra.

O futebol no Brasil e na América do Sul foi desenvolvido na rua, nos terrenos baldios e ladeiras da periferia. Nos pés dos sul-americanos, ele se transformou em uma arte. Uma arte do povo. Como toda arte, o futebol se tornou a expressão cultural do povo. Em um país oprimido como o Brasil, essa cultura torna-se o orgulho do povo, sua identificação, sua maneira de se fazer ouvir diante daqueles que o oprime.

Para os poderosos países imperialistas, é necessário acabar com isso. Somente uma pessoa colonizada não perceberia que para os monopólios que controlam o esporte o ideal seria tornar a Copa do Mundo como são as Olimpíadas, onde quem domina o quadro de medalhas são as potências econômicas. Não é possível permitir que países oprimidos tenham o domínio absoluto do esporte mais popular do mundo, com maior poder de gerar lucros para os capitalistas.

Para isso, não basta manipular resultados, é necessário convencer o mundo e os próprios brasileiros de que eles não são os melhores do mundo. É necessário afirmar um milhão de vezes se necessário que a Alemanha, a Espanha, a França, a Inglaterra e a Itália são “exemplos” de futebol realmente bem jogados. Mais ainda, é necessário extirpar do brasileiro e do restante dos sul-americanos seu orgulho, convencer o povo pobre e humilde desses países que o futebol europeu deve ser imitado.

Para isso também foram criados outros “mitos”. Durante mais de duas décadas, havia no futebol mundial uma dúvida: depois do tricampeonato de 1970, seria o Brasil ainda o melhor futebol? As seleções de 1982 e 1986, reconhecidas como times de ouro, não prosperaram. Seria então que o chamado “futebol arte” dos brasileiros não estaria perdendo lugar para o frio europeu de passes longos e roboticamente programados?

A resposta veio com a Copa de 1994. O Brasil, primeiro tricampeão do mundo, mesmo depois de 24 anos, tornava-se o primeiro tetracampeão do mundo. Aquela seleção pode não ter tido a qualidade de 1982 e 1986, mas foi campeã com facilidade e colocou o mundo novamente aos pés da camisa amarelinha. Tal superioridade se confirma na final de 1998 e no pentacampeonato de 2002. O Brasil foi o primeiro tri, o primeiro tetra e o primeiro penta.

Agora, os mesmos que colocaram em dúvida o futebol brasileiro nos anos 70 e 80, criam Seleções artificiais e lançam a mesma pergunta: será o fim do “futebol-arte” dos brasileiros? Os que não perdem tempo em agradar o imperialismo e os que gostam de seguir o futebol como uma moda se apressam em dizer que sim.

Mas os brasileiros que conhecem o verdadeiro futebol sabem que na próxima Copa do Mundo o Brasil continuará sendo o mais temido e continuará sendo o favorito.

Toda a campanha europeia é a de que o futebol brasileiro, “individual”, “moleque”, “travesso” teria perdido a parada para o estilo europeu, “coletivo”, “tático”. Tudo não passa de uma grande farsa. O “individualismo” brasileiro é o talento dos que sabem fazer com a bola um espetáculo de malabarismo, sabe “entortar” os zagueiros e partir para o gol, sabe exatamente onde se posicionar e sabe realizar passes e lançamentos ao estilos dos que faziam os jogadores da Seleção de 70. A “coletividade” não anda dissociada da “individualidade” no futebol e mesmo se considerássemos verdadeira tal diferença entre uma e outra o Brasil continua sendo infinitamente melhor nas duas.

Enquanto houver crianças jogando futebol de lata na ladeira, o futebol brasileiro será o maior. Diferente do que se procura afirmar, o futebol brasileiro só poderá sucumbir ao europeu se deixar de ser o futebol brasileiro.

Portanto, o ângulo da questão é o exato oposto do que a imprensa capitalista, o PSDB e a esquerda pequeno-burguesa procura mostrar. Esses “vira-latas” de cabeça colonizada procuram afirmar que o Brasil deveria imitar a Alemanha para ser bem sucedido. Os brasileiros que conhecem o verdadeiro futebol afirmam o contrário: a causa do insucesso da Seleção Brasileira é a influência dos europeus; é preciso jogar como jogam os brasileiros. Quanto mais distante da Alemanha, melhor. 

A “superioridade alemã”: a fraude do momento

O resultado do jogo da semifinal contra a Alemanha é absurdo, mas acontece. Não muda os fatos. A seleção Brasileira ainda é a melhor do mundo. Tanto que para garantir a vitória alemã e criar mais esse “mito” do futebol europeu, foi preciso desmontar a equipe brasileira.

Antes que os colonizados venham argumentar que a Seleção Brasileira dessa Copa não era uma maravilha e que a Alemanha “mereceu a vitória”, expliquemos exatamente o contrário.

Ainda que a Seleção escalada por Felipão pudesse ter muitos problemas, ainda que essa jovem Seleção não fosse nem de longe o time brasileiro de outros momentos, ainda assim foi necessário quebrar a vértebra de Neymar, excluir injustamente Thiago Silva com um cartão amarelo e criar um verdadeiro clima de terror psicológico para que o Brasil fosse derrotado.

O fato (ou não) de que a Seleção dessa Copa não é uma maravilha apenas enfatiza a superioridade do futebol brasileiro, não do alemão. Contra uma equipe brasileira melhor estruturada, com seus principais jogadores, a seleção alemã simplesmente não teria chances. Por isso foi necessário criar tantos obstáculos e por isso o resultado final foi tão absurdo.

O brasileiro que não conhece nada de futebol, o brasileiro “coxinha”, de classe média, que ama Miami, Nova Iorque, Berlim e Londres e odeia seu próprio povo, vai gastar dinheiro com camisas da Alemanha e repetir como papagaio que os alemãs são superpoderosos agora. Até daqui a quatro anos. Já vimos esse filme, Copa após Copa e o Brasil não deixa de ser o País do futebol.

Contra fatos...

Por fim, gostaríamos de finalizar esse artigo apenas confrontando alguns números (apenas alguns poucos) que revelam a infinita superioridade do futebol brasileiro diante de qualquer outro.

O Brasil foi o primeiro tricampeão, o primeiro tetra e é hoje o único penta. Continuará sendo pelo menos até a próxima Copa, já que a Alemanha é apenas tri e a Argentina apenas bi. Como não é o ângulo desse artigo não iremos detalhar cada um desses títulos.

O Brasil é o único País que participou de todas as edições de Copas do Mundo. Será apenas sorte que um País pobre como esse possa ter tamanha supremacia? Será pura invenção da imprensa capitalista brasileira, da rede Globo, da ditadura militar? Se fosse para inventar tamanha mentira, não teria sido melhor inventar que a Inglaterra é o País do futebol? Até o direitista Nelson Rodrigues reclamava constantemente em suas crônicas da “vira-latisse” da imprensa brasileira, na qual reinava o derrotismo, a ponto de ter sido necessário que revistas e jornais europeus coroassem o escrete canarinho como melhor do mundo para que a própria imprensa aceitasse tal definição.

Em um artigo de 1970, em que relato o clima derrotista que se instalou na imprensa antes da Copa do Mundo, Nelson Rodrigues afirmou: “Quem quer que tenha um mínimo de isenção, de objetividade, de apreço aos  fatos sabe que o futebol brasileiro é o melhor do mundo. Não sou eu que o digo, mas o óbvio, sim, o óbvio ululante.” (O belo milagre das vaias, 1/5/1970).

A Seleção Canarinho foi a única a vencer uma Copa do Mundo fora do seu próprio continente (talvez a Alemanha seja agora). Levando-se em conta, é claro, que apenas recentemente a FIFA começou a realizar o torneio em outros continentes, portanto, a exceção a essa regra são as Copas na África do Sul (Espanha campeã) e no Japão/Coreia (Brasil campeão). O Brasil foi campeão em 1958 na Suécia enfrentando a própria Suécia num estádio lotado.

O Brasil tem uma lista interminável de jogadores que desenvolveram o futebol, que criaram jogadas e que são referência para o esporte. Artur Friedenreich, Leônidas da Silva, Amarildo, Garrincha, Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Gerson, Reinaldo, Zico, Sócrates, Falcão, Romário, Rivaldo, Ronaldo, Neymar (a lista é injusta, mas procura mostrar que a arte está presente até hoje, ainda que procurem nos convencer do contrário). Ainda que existam belos craques em todos os países, qualquer outro não conseguiria criar uma lista com um terço dos nomes brasileiros.

O futebol brasileiro é como o nosso samba. O futebol brasileiro é arte do povo. É arte do povo negro, do povo pobre, do povo trabalhador, sua criatividade; é a supremacia desse povo, oprimido na maior parte dos países do mundo. Não deixemos que nos ataquem justamente onde somos maiores.


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