1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (0 Votos)

200911_santurioMoçambique - Jornal de Notícias - O isolamento a que foi votada a localidade de Quewene, no distrito de Vilankulo, na sequência da precariedade das vias de acesso, preocupa os residentes locais que, desta forma, enfrentam muitas dificuldades nas suas deslocações para os diversos pontos da província de Inhambane.


Esta preocupação foi reafirmada ao Governador provincial, Agostinho Trinta, no decurso do comício que orientou naquele aglomerado populacional com o objectivo de, em conjunto, procurar soluções para os vários problemas que assolam a localidade.

"Falem de todas as dificuldades da vossa localidade menos da estrada, porque o que vi e senti na rua Quewene/Mavanza dispensa comentários. Deu para perceber as dificuldades que enfrentam para atingirem a Estrada Nacional Nº1 (EN-1) para daí se deslocarem a outros pontos do distrito de Vilankulo, da província e do país, em geral", disse Agostinho Trinta em jeito de solidariedade com os cerca de sete mil habitantes de Quewene que vivem isolados naquela localidade que dista a 200 quilómetros da sede do distrito de Vilankulo e a 85 da EN-1, mais concretamente no cruzamento de Mavanza.

A única via de acesso, por terra, àquela remota localidade encravada na região do Cabo S. Sebastião, a escassos quilómetros da costa do Oceano Índico, é precária, sendo apenas transitável com viaturas com tracção às quatro rodas ou de tractor. A estrada, que não passa de uma picada, é bastante arenosa e atravessa uma vasta floresta densa e uma lagoa que requer uma ponteca para permitir a circulação de viaturas que, neste momento, passam pelas águas. Em tempo chuvoso, nesta lagoa, nenhuma viatura passa devido à subida do nível das águas.

O avançado estado de degradação da via e a falta de comunicação através de telefone fixo e móvel não só dificultam a normal circulação de pessoas e bens, como também a assistência técnica e social das pessoas, pois não funcionam os serviços sociais básicos, nomeadamente as estruturas administrativas locais, o Centro de Saúde, bem como as três escolas existentes na zona.

Os residentes locais consideram Quewene como sendo um outro país, pois, conforme assinalaram, a sua ligação com as autoridades do posto administrativo bem como do distrito e outros pontos do país não passa de um sonho.

"Ora vejamos, esquecendo a estrada que ninguém ousa percorrê-la a pé sob risco de ser devorado por animais selvagens ao longo destes 95 quilómetros, a ligação marítima é outra autêntica dor de cabeça, porquanto, as três embarcações de privados que exploram o transporte de passageiros de Quewene a Vilankulo não são regulares", disse no comício o director da Escola Primária Completa de Quewene, José Cachiname Nkomeio.

Aquele professor explicou que para fazer a distância Quewene/Vilankulo, usando barco a motor, são necessárias três horas, sendo que, em algum momento, a distância é feita em um ou dois dias, devido às condições climatéricas.

"Apanhar barco também não é fácil, porque a população vive a cerca de 20 quilómetros da costa, e aqui, em Quewene, não há "chapa 100", sendo que os carros que circulam na região pertencem ao projecto do Santuário da Fauna Bravia", disse.

As três embarcações de transporte de passageiros e bens há momentos em que não se fazem ao mar por causa do mau tempo, conforme contaram os residentes de Quewene. Indicaram que, no Verão, há frequência de ventos fortes que se prolongam por mais de uma semana, sendo que, devido ao facto, durante este período, não há transporte, situação que torna tudo difícil.

"Imagine um doente grave, no centro de saúde, no período de mau tempo. Como evacuá-lo para Vilankulo já que as instituições públicas não vão, frequentemente, à localidade? Por outro lado, como fazer chegar um doente ao barco já que aqui não existe nenhum "chapa"?, questionou José Nkomeio, acrescentando que se houvesse comunicação telefónica, ocorrendo uma emergência, o distrito seria informado de modo a intervir em tempo útil.

Para o chefe do posto de Quewene, Alfredo Gulamo, a maior preocupação é, de facto, a estrada. "Aqui é normal senhoras grávidas darem à luz a caminho do centro de saúde, como também é um bico d'obra transferir para a sede do distrito criminosos neutralizados pelos agentes do policiamento comunitário", disse.

Alfredo Gulamo explicou que o custo da viagem com recurso a embarcações de Quewene a Vilankulo varia entre 80 e 100 meticais por pessoa, valor que também não está ao alcance da maior parte dos utentes, atendendo a sua condição de camponeses.

O Governador da província, Agostinho Trinta, prometeu aos habitantes de Quewene que o seu executivo vai se desdobrar em contactos com os parceiros de cooperação em busca de financiamento para reabilitar a via de acesso que é o principal obstáculo de desenvolvimento de Quewene.

A comunicação telefónica, segundo o governador, poderá ser a primeira dificuldade a ser solucionada. Prometeu convencer as empresas de telefonia móvel para a montagem de antenas para explorar um potencial adormecido em termos de negócio naquela região.


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

Última hora

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.