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031114 harryCuba - Prensa Latina - Harry Villegas, combatente internacionalista junto a Ernesto Che Guevara nas ações em Cuba, Congo e Bolívia, levou neste outubro para a Venezuela uma visão atualizada sobre o legado guevarista no mundo.


Conhecido desde a campanha africana pelo pseudônimo em língua swahili por Pombo Pojó (que depois ficou apenas como Pombo), Villegas, de 74 anos, compartilhou aqui com a Prensa Latina sua satisfação por várias conversas em territórios do país.

O ex-combatente disse que essas conversas junto à apresentação do livro Conversaciones con Pombo, editado em Caracas na Imprenta Nacional, ampliaram o conhecimento na Venezuela sobre a vida do Guerrilheiro Heroico.

As palestras sobre o livro, escrito pela pesquisadora equatoriana María del Carmen Garcés (1958), deram destaque ao pensamento do Che, em especial sobre sua definição sobre o que é um guerrilheiro.

O GUERRILHEIRO, UM REFORMADOR SOCIAL

Pombo recordou o conceito do Che de que o guerrilheiro "não é um atirador de tiros", senão que um reformador social; não ama a guerra, o terror, a violência, nem a morte, porque tudo isso significa destruição.

Uma pessoa não pode se simpatizar com nada que represente violência, se como revolucionário o que quer é construir uma sociedade mais justa, onde haja menos injustiça, pobreza, analfabetismo, opinou.

As palestras, que foram convocadas pela Fundação Ernesto Che Guevara e começaram em 9 de outubro (dia do 47 aniversário da morte do Che) com a apresentação do livro, esclareceram sobre enfoques gerais e dúvidas pontuais.

Pombo, um dos sobreviventes da guerrilha boliviana, falou sobre seu entendimento do senso comum sobre Guevara, como ocorre com outras figuras históricas e, ainda por cima, ao ser ele naquela época o pior inimigo dos Estados Unidos.

Ou, dito como o descreve Inti Peredo, combatente boliviano junto ao Che, outro dos sobreviventes da guerrilha e assassinado em La Paz em 1969 por forças de segurança, em uma citação sobre aquela epopeia inserida no livro apresentado agora por Villegas:

"O homem mais procurado pelo Imperialismo, o guerrilheiro legendário, estrategista e teórico de projeções mundiais, bandeira de luta e esperança, estava ali, metido tranquilamente no coração de um dos países mais oprimidos e explorados do continente".

O PORQUÊ DA LUTA ARMADA

As preocupações, dúvidas e distorções sobre Guevara são frequentes, sobretudo pela histórica manipulação de meios, aparelhos propagandísticos e de desinformação ocidentais com respeito aos líderes revolucionários, diz Villegas.

Isso se torna complexo para as novas gerações pelo desenvolvimento da teoria e as práticas revolucionárias depois de mais de meio século do início em Cuba da segunda independência da América, como o Che chamava esse processo, relata Pombo.

Uma das principais preocupações aqui, destacou, foi a característica do atual processo na região, onde se chega ao poder pela via eleitoral, em comparação com o das armas, empregadas por processos como o cubano e o nicaraguense.

Explicamos aos nossos amigos venezuelanos presentes nessas conversas em várias partes do país o porquê do líder cubano Fidel Castro e os demais revolucionários de então se encontraram obrigados a escolher a guerra.

Muitos patriotas cubanos, disse, tentaram nos anos 50 empregar a via pacífica, mas o ditador Fulgêncio Batista considerava que seu golpe de Estado (10 de março de 1952) era uma revolução e que uma revolução é fonte de direito.

Batista recusou o diálogo para restabelecer a Constituição de 1940 e só ficou à Geração do Centenário (por se cumprir em 1953 esse aniversário do natalício do Herói Nacional José Martí) a alternativa da luta armada, indicou Villegas.

Veio então o ataque ao quartel Moncada na cidade de Santiago de Cuba, que, ainda que sem sucesso militar, foi o estopim que levou o povo a tomar consciência da necessidade de lutar contra a ditadura, contei- lhes.

Villegas recordou também que as guerrilhas dos anos 60 em países da região como a própria Venezuela, Guatemala, Nicarágua, El Salvador e outros podem ser explicadas por esse mesmo princípio de impossibilidade de chegar ao poder pela via pacífica.

Como se vê, existiram épocas em que não havia outra alternativa de luta na América que essa: a armada, portanto, não é um delito ter combatido como guerrilheiro, senão um mérito, destacou Villegas.

Mas também o movimento revolucionário mundial desses tempos se explica pela proposta do Che em sua mensagem enviada em 17 de abril de 1967 à Conferência Tricontinental de Havana.

Esse documento, que chamava a "criar um, dois, três, muitos Vietnãs" como apoio àquele povo agredido pelos Estados Unidos, com a estratégia de desviar sua atenção dali, foi defendido pela maioria dos revolucionários, recordou.

Pombo explica, que em seu percurso foi abordado o triunfo da revolução nicaraguense (19 de julho de 1979) como uma ratificação de que o processo cubano não era uma exceção, porque também esse povo tomou o poder pela via armada.

Na medida das nossas possibilidades, argumentamos aos venezuelanos que até a vitória daquela guerra libertadora nicaraguense, ainda se propunha que a Revolução Cubana era única e não se repetiria.

Encontramos-nos também com tendências com respeito a que os atuais processos revolucionários no subcontinente foram produto apenas desse processo nicaraguense e dos que depois triunfaram por eleições, indicou.

Mas foi a partir da revolução cubana que surgem todos esses triunfantes movimentos pacíficos e isso se corrobora com o triunfo no Chile de Salvador Allende através das urnas, afirmou Villegas.

Aquela vitória eleitoral (1970, primeiro presidente marxista do mundo em chegar ao poder através de eleições), foi nove anos antes da revolução nicaraguense, disse o ex-guerrilheiro.

Segundo Villegas, os temas em geral mais tratados foram a vigência do pensamento do Che, sua concepção humanista e altruísta, junto às ideias e à obra de Fidel Castro e como ambos têm inspirado aos povos de toda América.

Sobre as relações entre esses dois grandes homens, chegamos à conclusão junto aos venezuelanos de que o Che foi um dos melhores discípulos de Fidel, mas sempre buscando deste sua liderança, comentou Villegas.

O Che viu, como Martí e Fidel, o risco que significa os Estados Unidos, com sua essência destrutiva, exploradora e desumana para a América Latina e o Caribe e para todos os Estados do terceiro mundo, muitos deles ainda atacados hoje em dia.

E, em particular, mantém-se também muito atual a visão guevarista sobre a necessidade de nos unir, de todos os povos latino-americanos e caribenhos fechar filas para impedir o avanço do imperialismo.


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