Amigas, amigos e simpatizantes de NÓS-Unidade Popular escutavam o breve discurso, que reproduzimos a continuaçom, com o qual iniciávamos a parte mais solene da homenagem. Ao acabar a intervençom, entoava-se o hino nacional e procedia-se à colocaçom habitual dum ramalhete de flores ao pé das placas que comemoram a figura do homenageado.
Finalizou o evento como todos os anos, com petiscos e vinho, brindando pola memória e exemplo de Manuel Gonçalves Fresco.
Intervençom V homenagem Manuel Gonçalves Fresco
Companheiras e companheiros bem-vindas mais um ano a esta homenagem a Manuel Gonçalves Fresco que a nossa organizaçom celebra desde há cinco anos em honor ao seu exemplo legado.
Antes de mais, quero lembrar aqui, neste monte, todas e todos aqueles que sem ter-se visto privados da sua vida polo seu compromisso político como foi o caso do Fresco, sim o estám da sua liberdade, presas e presos nas cadeias do Estado espanhol. Estado cujas raízes estám bem amarradas no levantamento militar de 1936, que mudaria depois de formas para nom mudar o fundo, aprovando no 1978 umha Constituiçom por meio da qual quiseram convencer-nos que o fascismo tinha acabado e de que se abria um periodo democrático. Mas os protagonistas do 18 de julho de 1936 e dos quarenta anos seguintes nom pagaram polos seus crimes; mais bem ao contrário: gozaram de privilégios e prebendas até que a morte decidiu tirá-los do meio. As presas e presos políticos galegos, seja qual for a sua militáncia política som exemplo de coragem, resistência, entrega e compromisso, polo que tenhem todo o nosso reconhecimento. Especial atençom merece para nós Telmo Varela, que nos acompanhou aqui na homenagem de dezembro de 2011 e com quem alguns de nós partilhamos militáncia sindical. Será julgado os dias 5 e 6 de fevereiro, ao pouco de cumprir-se o tempo máximo permitido para mante-lo em prisom sem julgamento. Desde aqui reclamamos a sua liberdade e a de todas as presas e presos políticos galegos.
Hoje, nom vamos fazer mençom neste breve discurso a dados biográficos do Fresco. Tam só lembrar que ele, podendo escolher entre ficar à margem dos acontecimentos do 1936 e procurar-se um lugar no novo regime que nasceria após a vitória militar optou polo combate. A finais de dezembro do 36 era assassinado, mas o Fresco tomou o caminho da dignidade de fazer frente a umha burguesia que, impotente e desesperada perante o avanço das organizaçons obreiras, reivindicaçons nacionais e das mulheres, nom duvidou em promover e apoiar o levantamento. É por isso que NÓS-Unidade Popular homenageia o Fresco e outras e outros combatentes, patriotas, revolucionários e revolucionárias, feministas ou exemplos de integridade quando a militáncia ou a situaçom social o exige.
E qual é a situaçom social de hoje?
Hoje padecemos todo o tipo de vexames a maos da burguesia herdeira daquela que abraçou o fascismo e que pilotou a transiçom e o que eles denominárom democracia durante estes anos. O contexto internacional e o boom imobiliário permitírom a umha parte do povo trabalhador viver momentos de relativo desafogo económico. Mas esse período acabou.
O balanço do finalizado ano 2012 constata que perdemos poder aquisitivo e direitos.
Foi legalizado e embaratecido ainda mais o despedimento livre.
Vimos reduzida a prestaçom por desemprego.
Foi incrementada a idade da reforma e nom fôrom revalorizadas as pensons de acordo com o IPC, sendo as pessoas idosas um dos setores sociais mais golpeados.
O terrorismo machista continua assassinando e presente em todas as suas formas.
Aproximamo-nos aos 300 mil compatriotas sem trabalho.
Umha parte destacada da juventude é forçada a emigrar para garantir um mínimo futuro.
Baixárom os salários do proletariado industrial e da funçom pública, incrementando as jornadas de trabalho.
Subírom os impostos ao povo trabalhador, aumentando o IVA e o IBI. Suprimírom ajudas e subsídios sociais.
Paralisárom a insuficiente Lei da Dependência.
Acelerárom a privatizaçom da saúde mediante o copagamento farmacêutico, eliminando subsídio a 417 medicamentos, suprimindo os direitos à saúde da populaçom imigrante, e reduzindo o investimento em hospitais e centros de saúde.
Idêntica receita aplicárom na educaçom, piorando as condiçons de trabalho do professorado, subindo as taxas universitárias, reduzindo o orçamento para assim condenar o ensino público à deterioraçom, enquanto se subsidia o privado.
Mais de 6.000 famílias perdêrom as suas casas em 2012 por nom poderem pagar os créditos hipotecários. Cada dia há na Galiza 17 despejos pola voracidade da banca.
Superam as 40.000 o número de famílias que perdêrom boa parte dos aforros da sua vida, mediante a legalizaçom do roubo realizado polas entidades bancárias por mor das decisons adotadas pola casta política.
Aumentárom o preço de produtos básicos de primeira necessidade, o gás, a eletricidade, o transporte.
Aumentou a exclusom social e a pobreza, as dificulades para chegar a fim de mês, e as condiçons de vida das imensas maiorias.
E todo isto acompanhado por um incremento do centralismo espanholista reforçado polo incremento dos investimentos destinados a repressom.
Esse é o panorama que conhecemos bem, pois é o povo trabalhador quem padece sempre as suas consequências. Necessitamos mais razons para implicarnos mais a fundo no combate ao capitalismo, a Espanha e ao patriarcado? Nom necessitamos mais; mas ainda assim, eles ecarregam-se de continuar a dar-nos novas razons dia após dia. A medida que mais e mais compatriotas e congéneres somos empurrados e empurradas à exclussom social, devemos incrementar até o máximo possível o nosso esforço na organizaçom do combate, da contestaçom, da réplica e da nossa alternativa a crise. E esta, passa pola derrota da burguesia, pola independência nacional e pola construçom dumha nova sociedade superadora do patriarcado.
É por isso que estamos aqui, para no lugar onde o Fresco caiu manifestar que nom o fijo em vau, e que nós continuamos e continuaremos até a vitória.
Companheiras e companheiros:
VIVA GALIZA CEIVE!
VIVA GALIZA SOCIALISTA!
VIVA GALIZA NOM PATRIARCAL!