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200513 Obit-Argentina-Videla-G0L1593U1.1Argentina - PCO - A propaganda da burguesia tenta aparecer os sanguinários ditadores como peças de museu. Na realidade, o golpe está colocado pelo imperialismo como uma necessidade inevitável já para o próximo período.


A morte do sanguinário ditador argentino, Jorge Rafael Videla, encheu de regozijo os democratas do mundo inteiro.

Apesar dos militares terem sido anistiados pelo presidente neoliberal Carlos Ménem em 1990, os processos deveram ser retomados pelo presidente Kirchner após os enormes protestos conhecidos como El Argentinazo no início da década passada. Em 2008, Videla voltou a ser condenado, voltou para a prisão, e, sob a base de novas condenações, acabou sendo condenado, na prática, à cadeia perpétua.

Os assassinatos perpetrados pela ditadura militar argentina foram estimados em 30 mil em um seminário sobre os direitos humanos realizado na Suíça no final de 1978. Por esse motivo, é possível que esse número, que é uma estimativa, seja superior aos 40 mil, ainda podendo chegar aos 50 mil. Aos desaparecidos se somam, as centenas de milhares de pessoas presas e torturadas, os seus filhos que foram vendidos e os seus pertences confiscados sumariamente. Tamanha ferocidade não se justifica simplesmente com a luta contra as organizações guerrilheiras, principalmente os Montoneros e o ERP, que apesar de terem milhares de militantes, na época, encontravam-se em declínio.

O grande temor da burguesia era a possibilidade de um novo ascenso dos trabalhadores, retomando as gigantescas mobilizações abertas em 1969 com o Cordobazo, que levaram a ditadura do sanguinário ditador Onganía à lona. A crise capitalista de 1974, conhecida como a crise do petróleo, tinha provocado a disparada da inflação e do desemprego. A burguesia precisava, de maneira urgente, de uma nova política.

Além das cenas dantescas, a ditadura, impulsionada pelo imperialismo norte-americano, impôs as chamadas políticas neoliberais em larga escala, seguindo o exemplo inaugurado pelo ditador chileno, Pinochet. As novas políticas promoveram um enorme repasse da crise sobre as massas, destruindo as suas organizações, e impondo um arrocho salarial em escala nunca vista no País, sob a ameaça das baionetas, liquidando os gastos sociais e entregando as empresas públicas, de mãos beijadas, ao imperialismo.

O neoliberalismo: implementado pela direita democrática

O que o governo militar não conseguiu concluir, a implantação do neoliberalismo em larga escala, foi levado a cabo pelos governos democráticos que lhe seguiram. Desde 1989, o governo argentino, liderado por Carlos Menen e o ministro de Economia, Domingo Cavallo, aplicou, ao pé da letra, as políticas impostas pelo FMI e pelos demais organismos imperialistas. Praticamente, todas as empresas estatais foram privatizadas, o comércio exterior foi liberalizado e o controle de câmbios eliminado. A própria Constituição passou a impedir a mudança da paridade do peso em relação ao dólar. As demissões de funcionários públicos foram maciças. Os salários e aposentadorias foram arrochados.

Em apenas uma década, o País entrou em colapso. A dívida externa passou de US$ 16 bilhões para US$ 132 bilhões. Após ter mergulhado quatro anos em profunda recessão, em dezembro de 2001, a economia argentina implodiu e provocou o ascenso de uma enorme onda de protestos populares.

Perante o enorme descontentamento social, o próprio presidente Eduardo Duhalde, que assumiu o governo a seguir, declarou a necessidade urgente de mudar o modelo “…que atirou para a pobreza dois milhões de compatriotas, destruiu a classe média, arruinou as nossas indústrias e reduziu a nada o trabalho dos argentinos”.

O governo nacionalista Kirchner conseguiu conter o ascenso das massas mediante a implementação de um colchão social, estruturado em cima de programas sociais, e a cooptação da burocracia sindical. O aprofundamento da crise capitalista está colocando em xeque esses mecanismos de controle e ameaça levar o governo nacionalista a um confronto direto com as massas. Os atuais acontecimentos na Bolívia estão aí para confirma-lo.

A política golpista colocada à ordem do dia

A direita pró-imperialista, que tem sido escorraçada em termos eleitorais e que se encontra muito desagregada, tenta se fortalecer por meio de mecanismos extraparlamentares. A nova reforma do Judiciário, aprovada no Congresso, deverá, inevitavelmente impulsionar as tendências golpistas.

O grupo El Clarín detém mais de 260 concessões públicas. De acordo com uma lei aprovada em 2009, aLey de Médios, o novo limite máximo estabelecido é de 27. Apesar das brechas deixadas pelokircherismo à fraude, como a possibilidade de repassarem concessões para parentes, laranjas etc, o El Clarín conseguiu protelar qualquer aplicação da medida devido ao controle absoluto do Judiciário. Tal o tamanho da truculência.

A nova Lei da Reforma do Judiciário, apesar de tímida, devido à própria covardia do kirchnerismo, ao levantar a questão da eleição dos juízes, colocou em destaque a ditadura da direita pró-imperialista sobre os órgãos de poder não eleitos. O El Clarín, assim como os demais pilares da ditadura militar, simplesmente não podem tolerar qualquer questionamento dos privilégios.

Ao mesmo tempo, a inevitável ultrapassagem do governo nacionalista pelas massas coloca, para a direita pró-imperialista, a urgência de estruturação mecanismos de contenção baseados na força. Situações de grande desestabilização política, como a que hoje estão acontecendo na Bolívia, num país de primeira ordem na região podem levar à desestabilização de toda a América Latina. Para o imperialismo norte-americano, o firme controle representa uma questão de vida ou morte, principalmente quando a política colocada é o aumento do repasse da crise devido às derrotas sofridas nas demais regiões e à queda dos lucros dos monopólios de todos os setores.

A luta contra a direita truculenta e golpista requer o redobramento do esforço dos revolucionários para orientar à classe operária no sentido da formação de um partido próprio, independente do nacionalismo covarde e capitulador. Está colocada à ordem do dia a disputa das massas controladas pelo nacionalismo. Isso somente pode ser conseguido por meio de uma política de frente única, que facilite a união na prática dos trabalhadores, no sentido do III e IV Congresso da III Internacional Comunista e dos escritos de Trotsky, principalmente os compilados no livro “Revolução e Contrarrevolução na Alemanha”.


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