Na América Latina, a política dos EUA depende de governos de esquerda, o que representa um sinal de grande fragilidade. Por esse motivo, o imperialismo e as burguesias nacionais pró-imperialistas tentam reciclar uma ala direita que seja capaz de superar as debilidades da ala “neoliberal democrática” e polarizar com a esquerda, seguindo como modelo principal a truculenta direita venezuelana. Essa direita golpista e agressivamente anti-operária têm sido altamente repudiada no jogo parlamentar e, por esse motivo, tende à atuação extraparlamentar.
No Brasil, essa movimentação se dá em torno ao Instituto Millenium e deverá aumentar com a bancarrota eleitoral do PSDB que será abandonado pela ultradireitistas que tinha sido agrupados na década de 1990.
O objetivo do imperialismo norte-americano é apertar a região para tentar tirar a diferença das derrotas que tem sofrido nas demais regiões. Para esse objetivo, os regimes nacionalistas, apesar de necessários para conter as massas, não são suficientes.
No próximo período, além da evolução extraparlamentar da direita, a situação política continuará evoluindo à esquerda, provocando o deslocamento da direita tradicional para o centro e a mobilização extraparlamentar também dos setores da esquerda, que acompanhará a mobilização das massas, superando a rede de contenção de partidos centristas.
À medida em que os partidos tradicionais tendem a entrar em crise, pela direita e pela esquerda, os partidos da esquerda burguesa e pequeno-burguesa tendem a se esvaziar, procurando manter-se como instrumento de contenção. Por esse motivo, a luta contra a direita golpista passa completamente às mãos do movimento operário que começa a despertar em todos os países e coloca em pauta a organização de partidos operários revolucionários em todos os países.
Os regimes latino-americanos, da mesma maneira que acontece em escala mundial, encontram-se enfraquecidos, o que representa uma condição fundamental para o avanço na direção da situação revolucionária, simplesmente porque se o regime estiver forte, não haverá revolução.
A revolução é feita pelas amplas massas que, em situação de normalidade, são organizadas pelo regime burguês. Na fase final revolucionária, é necessário prestar particular atenção à mobilização das massas, mas nas fases anteriores, o centro da análise do processo revolucionário deve estar colocado na decomposição do regime político burguês. Por esse motivo, além da análise da luta entre as classes sociais, é necessário analisar a evolução das contradições entre os vários setores da classe dominante e não ficar, simplesmente, na visão irreal de que tudo está relacionado com manobras parlamentares, como é o costume da maioria dos setores da esquerda.
