A proposta, que foi apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE) e os Verdes, criou divisão entre membros do PS, do PSD e até do CDS (onde se produziu um voto favorável à adoção). Quem não teve nenhum problema em votar unanimemente foi o PCP... contra a proposta.
Justificaram a sua posição porque, segundo eles, há que “prosseguir o debate e esclarecer a questão”, que, em palavras do líder parlamentar do partido Bernardino Soares, “ainda não foi suficientemente debatida na sociedade”. Bernardino acrescentou que o voto emitido em bloco “não significa uma rejeição”, embora, de facto, tenha servido por enquanto para prolongar uma situação única no mundo: Portugal é o único país que, reconhecendo o casamento entre homossexuais, não permite a adoção.
Apesar do surpreendente do voto do PCP, é uma posição que já se podia espreitar desde a aprovação, em outubro passado, do matrimónio entre homossexuais: “O PCP não se pronuncia neste momento sobre a questão da adoção. Essa questão ainda merece um debate na sociedade antes de o PCP ter uma posição e antes de o legislador se debruçar sobre ela –disse na altura Soares.
Prévio àquela votação, o líder parlamentar acrescentou que “temos algumas dúvidas sobre a forma como o casamento é definido e sobre o âmbito dos efeitos da alteração que o projeto do BE traz”, reconhecendo a seguir que a previsão do direito de adopção era “também” um dos temas nos que surgiam essas dúvidas.
Já Telmo Correia, do outro partido coincidente em voto com o PCP (o CDS), exprimiu um argumento de grande contundência: que a adoção por casais do mesmo sexo é “contraria o criador”.
O Criador e “prosseguir o debate” venceram, desta vez, sobre os direitos de crianças que esperam pai ou mãe e, ainda, sobre os de pessoas homossexuais.
Foto: Journey Towards Angel Wings

