A angústia e a impotência do movimento operário e popular está expressa nesta frase mil vezes dita e repetida por operários e operárias por assalariados e assalariadas, por funcionários públicos, por efectivos e precários, por todo um povo que se vê tratado como simples mercadoria pelo governo, pelos ricos e beneficiários do sistema para quem o mundo é feito de prazer e luxo; como vamos saír disto? Desta crise que revela a podridão do capitalismo!
Uns, a direita, dizem que devem ser os mesmos de sempre a pagar; o proletariado, as massas pobres e o estado social: com mais ou menos nuances é a opinião do PS-PSD-CDS e obviamente dos patrões e dos seus lacaios tecnocratas. O orçamento e os PECs aí estão como testemunhos da política de direita.
Outros, a esquerda do regime, dizem que o povo concordará em pagar a meias a sua parte se a receita for a luta contra a recessão, pelo crescimento económico o reforço e a recomposição do aparelho produtivo. Essa orientação política de meias tintas tornou-se bem visível nos debates sobre o orçamento através das posições políticas do PCP e do BE, e mais ainda com a Greve Geral convocada pelas duas centrais: a CGTP e a "combativa" UGT.
Outros, ainda que mal se ouçam, perguntam: há um capitalismo bom? E respondem: não, não existe, nunca existiu, nem existirá um capitalismo bom em parte nenhuma do mundo! E nem poderia ser de outro modo. O capitalismo vive para sacar lucros que arranca dos trabalhadores a quem explora, e do circo financeiro em que a usura é o actor principal.
Os elogios desmesurados acerca da grande combatividade, da maturidade e da responsabilidade demonstrada pelos trabalhadores na recente greve geral, escondem a amarga e dura realidade: a greve geral foi convocada a partir de uma plataforma de luta recuada e defensista a que o governo chamou ordeira e civilizada, habituado que está às boas maneiras sindicais e por isso, os resultados práticos da greve geral são equivalentes a uma carta de boas intenções; «queremos produzir, queremos crescimento económico, queremos contribuír para o desenvolvimento económico, porque só assim pagaremos a dívida e o défice», tal é a plataforma do movimento sindical.
Por isso, ao contrário da conclusão reformista de que nada será como dantes depois da greve geral, direi que, esta mobilização do dia 24 só teria consequências positivas para o movimento operário e popular se lhe fosse apontado um plano de luta contra a exploração capitalista que pusesse em causa o plano de austeridade contido no orçamento geral do estado e nos PECs, fosse revogado, (no todo ou em parte) e em seu lugar fossem impostas medidas que obrigassem os governantes a declarar impostos sobre as grandes fortunas, o fim das fugas de capitais para offshores, a imposição de IRC aos bancos como pagam as outras empresas, o fim das mordomias dos ministros, gestores e equiparados, a imposição de pagamento de impostos e o fim da economia paralela, a revogação dos cortes salariais e dos subsídios aos desmpregados, a imposição de que todo o desempregado tem direito a um subsídio ou um emprego compatível no estado enquanto não tiver conseguido novo posto de trabalho, o fim do congelamento das pensões.
Então sim! Poderíamos gritar que a greve geral teve consequências positivas. A questão é de políticas, e principalmente de vontade revolucionária de combater o capital.
O "erro" dos reformistas é sempre o mesmo; pretendem chegar ao «socialismo» através do reforço da economia capitalista e do regime democrático. Quanto mais reforçam a economia mais reforçam o capitalismo. Nunca mais lá chegam!
O combate dos reformistas é tão estéril como o dos esquerdistas (com proclamações inversas) que vêem a revolução ao virar da esquina. Libertários, anarquistas e outros quistos, sonham com um outro mundo livres do estado, dos partidos, e do trabalho. (e depois quem lhes faz a papinha?) é vê-los a pedir aos patrões que tremam perante os seus devaneios.
A luta revolucionária pressupõe o atingir de um objectivo (o socialismo) através da revolução proletária das amplas massas organizadas em organismos da sua luta, sindicatos, comissões de luta, comissões de trabalhadores e por Partidos de vanguarda, revolucionários e comunistas.
Precisamos de trabalhar com a táctica, reconhecendo que a educação revolucionária dos e das comunistas se faz pela luta do dia-a-dia, combatendo as ilusões parlamentaristas da democracia burguesa, e estudando a forma de nos aproximar-mos do dia da vitória dos trabalhadores, sabendo que este longo processo não tem hora marcada para terminar.
Do que estamos convictos é de que, o capitalismo precisa que lhe aprofundemos as contradições e não que o ajudemos a superar a profunda crise em que está mergulhado e que faz sangrar ainda mais as vidas dos explorados. São precisas mais greves gerais, mobilizadoras e com objectivos concretos e combativos. Manifestações descentralizadas e não apenas passeatas na Avenida da Liberdade.
É pela via da luta organizada e combativa que vamos saír disto, que os/as jovens, os homens e mulheres explorados, sentirão que vale a pena lutar por uma alternativa ao sistema que lhes nega o futuro. Essa alternativa, dizemo-lo bem alto: é o socialismo, são os meios de produção nas mãos de quem trabalha, o poder dos trabalhadores.