A Confederação Europeia de Sindicatos, (organização pró-capitalista) que agrega à sua volta um conjunto de centrais sindicais europeias entre as quais se contam a UGT e a CGTP portuguesas, decidiu convocar uma acção de protesto para 29 de Setembro próximo em Bruxelas, à qual se juntam as centrais de outros países em acções descentralizadas.
Teremos assim no dia 29 os trabalhadores espanhóis e das regiões autónomas em greve geral, manifestações e outras acções em Portugal, Itália, Letónia, Lituânia, República Checa, Chipre, Sérvia, Romenia e Polónia, sob os objectivos traçados pela CES e que são: Não à austeridade! Prioridade para o crescimento e o emprego!
Defensora da União Europeia e colaborante com a estratégia de Lisboa, a CES, que tem alimentado a colaboração de classes e pactuado com as políticas anti-operárias, vem agora num rebate de consciência cívica protestar contra o que chama de neo-liberalismo. Não temos qualquer dúvida de que o sindicalismo da CES representa as classes pequeno-burguesas que anseiam por um capitalismo civilizado e sem crises: coisa difícil de conseguir neste sistema sem alma que se alimenta do mercado e dos lucros da exploração.
Quando o mundo capitalista explorador faz desabar sobre os trabalhadores e os povos as consequências da sua crise sob a forma do desemprego, da retirada de direitos e de apoios aos trabalhadores desempregados e os atira na miséria, e sem nenhum escrúpulo continua a enriquecer: quando com o maior despudor as elites do sistema vivem faustosamente por sobre as vidas miseráveis dos que recebem salários e reformas que não dão para viver com um mínimo de dignidade e os governantes dos nossos países continuam a endividar-se nos grandes negócios financeiros em nome do desenvolvimento e o que vemos é a recessão e a dependência: quando as fugas de capitais para os paraísos fiscais são astronómicas somas, tal como a recusa dos capitalistas em pagar impostos que atinge mais de dois terços das empresas; cínicamente o governo português obriga os trabalhadores mais pobres a apresentarem todos os dados das suas contas bancárias para comprovarem que não possuem cem mil euros, limite para poderem ter direito a qualquer subsídio social, cortando-os a torto e a direito para acumular milhões em nome do pagamento da dívida externa. A gente fica com a ideia de que as coisas começam a ficar maduras para dar fim ao putrefacto capitalismo.
Sob a bota do capital estão a ser esmagadas uma a uma as conquistas sociais e laborais de um século de luta proletária.
Que fazer camarada, se o pão que comemos tem o travo da amargura das dezenas de milhares de trabalhadores com salários em atraso, dos 700 mil desempregados e dos milhões que recebem menos que o salário mínimo?
Dizemos à CGTP que eles estão conscientemente a atirar para as calendas gregas a imposição de uma greve geral, que as lutas da CES não passam de manobras do capital, e que as façam eles sózinhos continuando no lume brando da colaboração para a ultrapassagem da crise do capital?
Cumprimos calendário e lá vamos arrastados pela maré reformista dos que pregam a ilusão do crescimento económico e da defesa do nosso querido aparelho produtivo que um dia haverá de triunfar por sobre o neo-liberalismo?
Se fores à manif...camarada, muito mais forte que o coração devem bater os martelos da razão. O reformismo e o revisionismo não prestam e castram a combatividade das massas; já sabemos isso de cor e salteado, mas o que conta é que as massas estão com eles e nós temos de ganhá-las para o campo da revolução é essa a nossa missão histórica se nos queremos manter revolucionários.
Não nos devem impressionar as cantilenas folclóricas nem as palavras de ordem urradas de megafonistas que gritam até à exaustão para se convencerem a eles próprios: CGTP/Unidade Sindical-É Preciso é Urgente uma Política Diferente! Não nos deve impressionar a cor azul bébé do BE para contrabalançar o vermelho desmaiado, nem as cores negras dos anarquistas e de outros grupinhos saídos não se sabe de onde nem para onde vão.
O nosso programa deve estar muito clarificado para lá dos objectivos reformistas da circunstância. Nós temos claro que na actual crise do sistema, a defesa do crescimento económico e do consequente reforço do aparelho produtivo, a defesa das pequenas e médias empresas e das empresas com participação do estado, são a espinha dorsal do programa reformista para salvar o estado capitalista de uma revolução das massas. Significa isto que abominamos o crescimento económico e que queremos afundar as pequenas e as médias empresas e impedir o reforço do aparelho produtivo? Não se trata da nossa vontade mas tão só de interpretar as leis da economia e os interesses das diversas classes sociais e daí extraír as perspectivas da evolução da crise capitalista e as possibilidades do proletariado nela intervir segundo os seus interesses de classe.
Por isso um programa proletário de combate aos efeitos da crise capitalista terá de aproximar-nos da sociedade socialista porque lutamos e ter os seguintes eixos principais na luta imediata:
a) Exigir uma moratória da dívida externa para que os recursos do Estado sejam aplicados na efectiva criação de postos de trabalho.
b) Passagem de todos os contratados e a recibo verde, a efectivos.
c) Pagamento imediato de todos os salários em atraso.
d) Trabalhador despedido subsídio garantido, e enquanto não obtiver novo emprego a integração do trabalhador em serviços do Estado compatíveis.
e) Aumento do salário mínimo e das reformas.
f) Redução do horário de trabalho sem perda de salário no combate ao desemprego.
g) Reposição imediata dos valores dos subsídios sociais.
h) Cobrança coerciva das dívidas dos capitalistas às finanças.
i) Fim do offshore da Madeira.
Se fores à manif...camarada, não fiques especado no passeio com ar sobranceiro a vêr passar as "massas atrasadas", integra-te onde quer que vejas um grupo com bandeiras vermelhas e junta-lhe a tua bandeira vermelha de comunista. Se fores organizado faz para que o teu ódio de classe contagie todos os outros.