1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 (1 Votos)
José Borralho

Clica na imagem para ver o perfil e outros textos do autor ou autora

Desassossegar

Por um sindicalismo militante

José Borralho - Publicado: Sexta, 06 Agosto 2010 00:59

José Borralho

Na luta para abolir o sistema de exploração, os sindicatos continuam a revelar-se como formas indispensáveis da organização dos trabalhadores para a luta pelos seus direitos, frente ao sistema que os explora, e os trata não como seres humanos, mas como simples mercadorias, e mantêm toda a importância na luta do proletariado pela emancipação do trabalho e o consequente fim do sistema assalariado.


Ao contrário do que pensam os doutrinários de todos os matizes, o trabalho sindical faz-se diáriamente nas empresas e noutros locais de trabalho, através da defesa das reivindicações económicas, desde as mais rasteiras, dos operários e operárias e restantes trabalhadores, e o activista que perca de vista este trabalho e o troque por proclamações grandiloquentes acerca do fim do capitalismo, está ele mesmo a cavar o seu fim como revolucionário e a transitar para o desencanto com as "massas atrasadas."

Outros, (e são a maioria) assumem as reivindicações sindicais como um fim em si mesmo, plenamente integrados no sistema, sempre com propostas para o crescimento das empresas e da economia nacional, salvaguardando sempre os interesses das pequenas e médias empresas (que representam em Portugal, 98% do tecido empresarial), jogando o jogo que o capital gosta de jogar à mesa das negociações, apanhando as migalhas que o rico deixa caír da sua mesa e levando-as aos trabalhadores como grandiosas vitórias. Este é o sindicalismo dominante: reformista, burocrático, e em última análise traidor dos interesses da classe que tudo produz e tudo sofre; o proletariado.

Por isso mesmo, o apelo lançado pelos trabalhadores gregos: "Povos da Europa Levantem-se," caíu em saco roto. Todos os reformistas da Europa incluíndo os dirigentes da CGTP, taparam os ouvidos, e cá foram dando continuídade ao seu velho estilo de deixar que a onda passe, impressionando a opinião pública com ações sempre integradas no respeito da legalidade.

Quem respondeu ao apelo e ao Manifesto dos trabalhadores gregos por esta Europa do trabalho? Ninguém! Apenas se ouvem os sussurros colaborantes com o capital, provenientes da Confederação Europeia de Sindicatos, que se prepara para levar à cena um simulacro de luta geral, para não serem totalmente desmascarados. E, no entanto o apelo e Manifesto dos trabalhadores gregos eram e são justos e actuais, e mais serão quando se fizerem sentir as consequências das medidas anti-crise que os burgueses lançaram sobre os trabalhadores: o desemprego, a precariedade, os baixos salários.

Face à crise geral do capitalismo, o patronato e os seus governos lançaram-se numa feróz ofensiva contra os direitos arrancados pela luta de gerações de proletários. A afirmação das associações sindicais na vida laboral, a redução do horário de trabalho escravizante, a imposição de salários mínimamente dignos através da contratação colectiva, o pagamento do trabalho extraordinário, o direito à segurança e higiene no trabalho, o direito a férias e respectivos subsídios, os direitos da mulher na maternidade etc.

Perante o avanço continúo do desemprego sem retorno, que está criando um exército enorme de mão-de-obra excedentária que, apesar de ser e maioritáriamente desqualificada, abrange igualmente milhares de jovens com licenciaturas e mestrados, enquanto muitos milhares de jovens técnicos são aproveitados pelas empresas como polivalentes ganhando ordenados de miséria e atirados pelos patrões contra os quadros mais velhos, originando conflitos geracionais. A desregulação da contratação colectiva, a flexibilidade nos despedimentos, a contenção e a diminuíção dos salários, que estão a criar outro quadro de maior desequilíbrio nas relações entre operários e patrões, exigia um sindicalismo de combate, militante, e que, no turbilhão da luta apresentasse claramente o socialismo como alternativa à podridão capitalista.

Porém, o sindicalismo vigente, de forma geral, é inóquo frente à agressividade do capitalismo; temo-lo visto nesta crise do capitalismo sem chama, sem projecto, sem capacidade de resposta revolucionária, em manifestações tipo passeata de fim de semana para descomprimir os ódios acumulados pelos operários e por todos os trabalhadores, que são as verdadeiras vítimas da crise do capital, e sentem nas suas vidas a amargura e a revolta, por enquanto interiorizada.

Temos visto um sindicalismo que mete dó a lamentar-se dos malefícios da crise, a propor o caminho do crescimento económico e do reforço do controlo do Estado sobre as empresas na velha ilusão de todos os reformistas, que se convencem de que, os capitalistas são asnos porque não ouvem os seus sábios conselhos. Reafirmamos que: o projecto da pequena burguesia de ambicionar um regime e uma economia democráticas sem pôr em causa a propriedade privada dos meios de produção, é uma treta que não tem viabilidade.

Faz falta um sindicalismo militante que seja combativo e assuma o compromisso com os trabalhadores da defesa dos seus direitos e reivindicações imediatas, e que levante a bandeira da emancipação dos trabalhadores através da luta pelo socialismo e pelo fim do capitalismo que está a mais porque vive do parasitário lucro, e da mais-valia produzida por milhões de trabalhadores.

É urgente a intervenção na luta de uma corrente sindical que assuma sem medo a consigna de um anti-capitalismo militante.

Actuando na CGTP como minoria organizada, (não esquecer que os sindicalistas do PS actuam na CGTP como facção organizada), os sindicalistas e membros de CTs anti-capitalistas podem popularizar um programa de luta demarcado do reformismo burocrático, e do sindicalismo governamental da UGT. Esse programa de luta contra a crise do capitalismo e em defesa dos direitos dos trabalhadores seria a plataforma de união de todas as forças sãs, e dos trabalhadores e sindicalistas combativos.

A dinãmica da luta de classes comprova em cada dia que, este sistema económico só tem para dar, crises, e as suas consequências sobre a vida dos povos, que vão desde a fome ao desemprego e à destruíção do próprio planeta em que habitamos.

Está na hora de voltar a pôr as coisas como Marx e Lenine as colocavam: duas classes antagónicas.


Diário Liberdade é um projeto sem fins lucrativos, mas cuja atividade gera uns gastos fixos importantes em hosting, domínios, manutençom e programaçom. Com a tua ajuda, poderemos manter o projeto livre e fazê-lo crescer em conteúdos e funcionalidades.

Microdoaçom de 3 euro:

Doaçom de valor livre:

Última hora

Quem somos | Info legal | Publicidade | Copyleft © 2010 Diário Liberdade.

Contacto: info [arroba] diarioliberdade.org | Telf: (+34) 717714759

Desenhado por Eledian Technology

Aviso

Bem-vind@ ao Diário Liberdade!

Para poder votar os comentários, é necessário ter registro próprio no Diário Liberdade ou logar-se.

Clique em uma das opções abaixo.