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José Borralho

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Desassossegar

Pedimos desculpa pela interrupção... A luta segue dentro de momentos

José Borralho - Publicado: Quinta, 10 Junho 2010 02:00

José Borralho

Apesar da grande dessindicalização, apesar da burocratização e do reformismo, versus-conciliação de classes, apesar da incipiência das alternativas de um sindicalismo de combate, todos viram o poder mobilizador dos sindicatos quando se resolvem a tomar partido pela luta e deixam por momentos o incurável burocratismo.


A imensa manifestação do dia 29 de Maio com muitos milhares de trabalhadores, (é inútil avançar com um número) porque, o que contou decididamente, foi aquela grande maré humana protestando contra as medidas anti-operárias, anti-populares e reaccionárias do Governo. Largas centenas de autocarros enquadrados pelos sindicatos de trabalhadores da administração central e local e de outros sectores de actividade, transportaram os manifestantes a que se juntaram os trabalhadores das cinturas industriais de Lisboa e margem sul do Tejo.

O rol das malfeitorias do capital que, em nome do combate à crise, o partido do Sócrates assume, tem provocado o ódio dos trabalhadores porque, todas as chamadas medidas anti-crise estão a ser descarregadas sobre os trabalhadores e sobre os reformados e pensionistas de mais baixos rendimentos, enquanto, uma vez mais os burgueses são poupados. Impostos, cortes nos direitos sociais, despedimentos e congelamento salarial para os de baixo. Não tributar as empresas com lucros até dois milhões de euros, poupar os bancos apesar de continuarem a apresentar lucros imensos, moralizar as mordomias milionárias dos gestores públicos e privados que continuam impunes, nadando em milhões de euros. Por isto mesmo, não surpreendeu a grandeza da manifestação, como não surpreendeu o ódio dos manifestantes ao Governo. Começa a ficar claro para parte significativa da população trabalhadora, que vivemos dirigidos por um sistema de ladrões, que para lá dos lucros do capital, (o chamado roubo legal) delapidaram e enriqueceram com os milhões vindos de Bruxelas que se destinavam ao desenvolvimento do país. Repetimos: ladrões os do PSD, com milhões nas contas dos Loureiros, Oliveira e Costa e outros milhares de ladrões do seu partido que quer ser hoje a alternativa ao PS. Ladrões os do CDS com as corrupções dos casos dos submarinos, da Portucale e por aí adiante. Ladrões, os do PS, com os Melancia, os Freports, os Vara e os Penedos, multiplicados por milhares. A ladrar ficaram os da UGT enquanto a caravana passava. O ódio dos pobres aos ricos tem mais que razão de ser. O ódio de classe aos culpados da crise e ao seu sistema de exploração, faz com que tudo se possa alterar na luta social.

Muitos comentadores burgueses perceberam este ânimo das massas, e apressaram-se a tranquilizar o poder segredando em voz alta que, enquanto Carvalho da Silva, Secretário- geral da CGTP, se mantiver nas negociações não há o perigo de que, outras formas de luta surjam descontroladas. Não abona muito em favor de Carvalho da Silva, mas, eles lá sabem do que falam!

Destapou-se a panela, saíu a pressão, e agora?

Passado pouco mais de uma semana após a grande manifestação, reuniu a Central Sindical, e decidiu avançar com novas formas de luta, concretamente uma jornada de luta nacional composta por greves sectoriais e manifestações em diferentes cidades. P'rá frente é que é o caminho, ontem já era tarde! Quer isto dizer que estamos de acordo com o avanço da luta, e que tudo faremos para que o proletariado, os trabalhadores, se sintam confiantes em que é possível derrotar a ofensiva reaccionária das forças do capital e que não é uma fatalidade que sejam os trabalhadores a pagar a crise.

É possível remeter o governo, os partidos da direita e os patrões para a defensiva! Mas, não será no parlamento burguês que a ofensiva da direita será travada como se comprova pela aprovação de todas as medidas reaccinárias dos sucessivos PECs, como não será com ilusões na concertação social com as confederações do patronato que os direitos dos trabalhadores serão garantidos.

As forças capitalistas só recuarão, mediante a força da luta de massas, lutas pequenas e grandes que formem uma corrente imparável a partir das empresas na defesa dos mais elementares direitos dos trabalhadores: direito ao emprego e ao salário, direito a horários de trabalho que respeitem o trabalhador, direito aos correspondentes subsídios complementares e que fazem parte do salário.

A mobilização dos trabalhadores para as lutas que o capital está a impôr, só terá êxito se os objectivos da luta estiverem perfeitamente claros aos olhos de todos, porque ninguém luta desmobilizado, e todos pressentem que o futuro imediato não é risonho.

Do nosso ponto de vista a coisa apresenta-se assim: o capitalismo está mergulhado numa crise mundial, provocada pelo enriquecimento brutal dos burgueses e pela irracionalidade do sistema, que para lá do lucro, acrescentou o roubo financeiro em larga escala. O que está perante os nossos olhos e se apresenta com uma crueza indisfarçável, é que, a crise financeira que estoirou lá para as bandas do Tio Sam, veio pôr a nu a verdadeira crise da economia capitalista que chegou ao impasse: a crise de sobre-produção, a incapacidade da economia crescer através da exportação de mercadorias, a baixa aterradora da taxa de lucro, a dependência da economia em relação aos Bancos, o enorme endividamento das empresas e dos próprios estados burgueses. E daí surge a necessidade de lançar milhões de trabalhadores no desemprego, de destruíção do chamado estado social, da liquidação dos direitos conquistados por mais de um século de lutas do movimento operário.

A pequena burguesia de esquerda, toda ela é propostas para a superação da crise através do desenvolvimento económico, numa ampla frente dos trabalhadores com as pequenas e médias empresas.

É caso para perguntar; se mais de 90% das empresas em Portugal são pequenas e médias e a esmagadora maioria do emprego está dependente dessas empresas, que atitude tomar: vamos com os patrões p'rá greve e levamo-los à manifestação? Temos dó deles e não fazemos greve? Respondam aos trabalhadores os defensores dos pequenos e médios empresários. Quanto a nós não temos dúvidas: de um lado o trabalho do outro o capital.

Este veneno conciliador sempre a servir de tampão à procura de uma saída revolucionária para a crise. Não tenhamos dúvidas: ou caminhamos decididamente, passo a passo para construír uma solução anti-capitalista, ou soluções mais à direita serão impostas ao povo.
Quais devem ser os objectivos da luta operária e popular? Na perspectiva de uma corrente verdadeiramente comunista e não revisionista, já o dissémos, a solução duradoura para os problemas dos trabalhadores passa em primeiro lugar por regeitar as ilusões no parlamento burguês e na conciliação com as confederações patronais. Esta é a questão central! Alí só nascem governos contra o povo e cedências ao capital.

O objectivo comum a todos os trabalhadores no momento actual é a recusa a aceitar as medidas de austeridade impostas pelo Governo e pelos partidos da direita. Revogação dos PECs! Não foram os trabalhadores que provocaram a crise mas sim os patrões, os ricos que a paguem!

Devemos exigir pleno emprego, e a redução da idade da reforma sem perda de direitos!

Trabalhador despedido subsídio garantido enquanto não tiver novo posto de trabalho!

Não toquem nos nossos salários e subsídios!

Direitos iguais para os trabalhadores imigrantes!

Tirem as patas do Serviço Nacional de Saúde e dos outros Serviços Sociais!
A crise deve ser paga do lado da receita. Impostos sobre o capital, as grandes fortunas e as mordomias dos gestores e administradores.

Façamos da jornada de luta no dia 8 de Julho uma demonstração de recusa às políticas de direita com a convicção de que se não endurecermos a luta tudo será pior.

Preparemos desde já a realização de uma greve geral nacional, unindo a luta dos trabalhadores portugueses à luta de todos os trabalhadores Europeus, pela urgente necessidade de erguer o internacionalismo proletário militante para derrotarmos a ofensiva do capital.


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