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Emílio Cambeiro

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De todo um pouco

Morgana em Esmelhe

Emílio Cambeiro - Publicado: Segunda, 14 Mai 2012 18:48

Haverá mais ou menos um ano que tive a sorte de poder participar na apresentação lisboeta do livro Circe ou pracer do azul junto com o escritor Urbano Tavares Rodrigues, a professora Isabel Lousada e a própria autora Begoña Caamaño. Ali escutei a Begoña dizer a seguinte afirmação: Acho que cada geração tem a obriga e o direito de volver sobre estes mitos fundacionais para analisa-los e reinterpreta-los à luz de toda a bagagem cultural que as novas correntes deitam sobre nós.


Ela mesma recolhe esta obriga e a câmbio entregou-nos já duas joias que quedarão nos anos da literatura, pois o legado destas não é nem será efêmero. Primeiro foi a revisão de Penélope; uma Penélope clássica que aguardou até vinte anos polo seu home. Begoña recolheu o mito desta mulher que nada lhe dizia, e não apenas a ela, e entregou-nos o seu Circe.

No novo livro reconstrói de novo o mito, mas agora o da fada Morgana sob a publicação do Morgana en Esmelle. Posso-vos assegurar que a primeira coisa que fiz, umas semanas atrás,  nada mais volver à Galiza foi dirigir-me a uma livraria para compra-lo. E pagou muitíssimo a pena.

Neste livro oferecesse-nos uma particular visão da já conhecida história do Rei Artur, Merlin e companhia, mas centrada neste caso, ao igual que no Circe, em uma figura secundária e às vezes maltratada na história: A fada Morgana.

Nesta nova publicação, ao igual que na anterior, Caamaño reconstrói a história e humaniza  umas personagens que estamos acostumados a ver sob uma aureola mitológica. O Morgana en Esmelle acompanha a vida da fada Morgana desde a infância até a velhice. Reconstrói e explica a sua história sob a óptica de dois diferentes narradores (a própria consciência de Merlin e o Felipe de Amância do mestre Cunqueiro) e das crónicas de Avalon (a ilha mágica); assim é que se nos amossam os porquês dos seus atos e as circunstancias que foram forjando a sua personalidade. Uma personalidade vítima de diferentes interesses, normalmente escuros.

Na criação do livro podemos ver uma magistral construção intertextual a beber não só das lendas clássicas. Como já disse um dos narradores é o nosso velho amigo cunqueirão, Felipe de Amância, ajudante do senhor Merlin nas terras galegas de Esmelle e principal narrador do Merlin e família recuperado pois, por Begoña, para a narração do Morgana en Esmelle.

Mas o livro da história de Morgana oferece-nos também a reunião final nestas terras galegas de três das principais personagens da história: Merlin, Morgana e Genebra, sendo a narração completada junto com outras histórias como a do próprio Artur ou Viviana, e a importância destes no transcorrer da linha temática de criação da história.

Para finalizar gostaria de recordar uma cita do escritor de Mondonhedo que Begoña comentou quase nada mais começar a sua apresentação no ano passado: Eu acredito nos mitos -Merlin, Hamlet, Ulisses...- e sei que possuem ainda energia reveladora (...). Não há nada que tenha maior atualidade que os mitos. São sempre notícias de última hora.

E assim ficamos com esta ideia, aguardando que Begoña nos maravilhe de novo. Quem sabe se com uma nova revisão de Ofélia…


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