Ela mesma recolhe esta obriga e a câmbio entregou-nos já duas joias que quedarão nos anos da literatura, pois o legado destas não é nem será efêmero. Primeiro foi a revisão de Penélope; uma Penélope clássica que aguardou até vinte anos polo seu home. Begoña recolheu o mito desta mulher que nada lhe dizia, e não apenas a ela, e entregou-nos o seu Circe.
No novo livro reconstrói de novo o mito, mas agora o da fada Morgana sob a publicação do Morgana en Esmelle. Posso-vos assegurar que a primeira coisa que fiz, umas semanas atrás, nada mais volver à Galiza foi dirigir-me a uma livraria para compra-lo. E pagou muitíssimo a pena.
Neste livro oferecesse-nos uma particular visão da já conhecida história do Rei Artur, Merlin e companhia, mas centrada neste caso, ao igual que no Circe, em uma figura secundária e às vezes maltratada na história: A fada Morgana.
Nesta nova publicação, ao igual que na anterior, Caamaño reconstrói a história e humaniza umas personagens que estamos acostumados a ver sob uma aureola mitológica. O Morgana en Esmelle acompanha a vida da fada Morgana desde a infância até a velhice. Reconstrói e explica a sua história sob a óptica de dois diferentes narradores (a própria consciência de Merlin e o Felipe de Amância do mestre Cunqueiro) e das crónicas de Avalon (a ilha mágica); assim é que se nos amossam os porquês dos seus atos e as circunstancias que foram forjando a sua personalidade. Uma personalidade vítima de diferentes interesses, normalmente escuros.
Na criação do livro podemos ver uma magistral construção intertextual a beber não só das lendas clássicas. Como já disse um dos narradores é o nosso velho amigo cunqueirão, Felipe de Amância, ajudante do senhor Merlin nas terras galegas de Esmelle e principal narrador do Merlin e família recuperado pois, por Begoña, para a narração do Morgana en Esmelle.
Mas o livro da história de Morgana oferece-nos também a reunião final nestas terras galegas de três das principais personagens da história: Merlin, Morgana e Genebra, sendo a narração completada junto com outras histórias como a do próprio Artur ou Viviana, e a importância destes no transcorrer da linha temática de criação da história.
Para finalizar gostaria de recordar uma cita do escritor de Mondonhedo que Begoña comentou quase nada mais começar a sua apresentação no ano passado: Eu acredito nos mitos -Merlin, Hamlet, Ulisses...- e sei que possuem ainda energia reveladora (...). Não há nada que tenha maior atualidade que os mitos. São sempre notícias de última hora.
E assim ficamos com esta ideia, aguardando que Begoña nos maravilhe de novo. Quem sabe se com uma nova revisão de Ofélia…