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José Borralho

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Desassossegar

Impossibilidades

José Borralho - Publicado: Terça, 04 Mai 2010 00:12

José Borralho

A primeira condição para que os comunistas se proclamem revolucionários, sejam ouvidos e acreditados pelos operários e pelas massas trabalhadoras, é serem possuídores de um conjunto de ideias que reflictam as suas reivindicações e os seus anseios, e que projectem no futuro, uma alternativa credível de sociedade em oposição antagónica à sociedade burguesa.


A segunda condição que completa a anterior é a de que, só por uma profunda ligação às massas, e através de um trabalho prático, os operários e as massas adquirem confiança na palavra dos comunistas, o que só pela luta constante poderá ser conseguido. Fora disto, por muito esforço dispendido por comunistas bem- intencionados e convictos da justeza da causa comunista em defesa dos explorados, estes nada mais verão nos pequenos grupos comunistas, do que atitudes proclamatórias, e optarão sempre por seguir a "razoabilidade" das propostas reformistas, seja em períodos de refluxo como o actual, seja em períodos de ascenso da luta popular. Só franjas muito polítizadas entenderão o discurso revolucionário, o que não significa aceitá-lo. 

Esta primeira impossibilidade de se fazer ouvir e de agir na luta de classes, é castradora de vontades e remete os comunistas, por ausência de movimento, para uma espécie de inércia em termos de eficácia na luta contra o sistema capitalista.

Significa isto que os pequenos grupos de comunistas nada podem fazer e se devem remeter a uma atitude contemplativa da luta de classes? De forma nenhuma, e pelo contrário, as suas tarefas são gigantescas e desgastantes em relação às suas escassas forças, e por isso mesmo, as tarefas prioritárias têm de ser muito bem medidas e ponderadas, de molde a evitar que o tarefismo de um funcionamento anárquico não produza o desânimo ou a conclusão de que tudo tende a piorar. Como se diz na gíria, não se pode dar o passo maior que a perna.

Os pequenos grupos de comunistas não só podem, como devem intervir na luta contra os burgueses e o seu sistema, e essa é a condição para o seu crescimento e amadurecimento: acima de todas as tarefas práticas surge como uma necessidade premente, a elaboração de um programa mínimo, que coloque clareza política, substância teórica e firmeza ideológica, produtoras da vontade prática. Evitando o frenesim dos passos precipitados, tendo a constante preocupação de definir em cada momento qual é a tarefa central que se sobrepõe a todas as outras e que é factor de dinamismo, sabendo que lhe é impossível estar em todas as frentes da luta, discutindo e elaborando ideias políticas sobre todos os assuntos que se relacionam com a luta de classes concreta, e em particular sobre a situação política actual, nacional e internacional e conhecendo com realismo e estado de consciência das massas e dos seus elementos de vanguarda.

Cabe-lhes ter a noção clara de que a sua insignificância em termos de influência política na classe e nas massas, os inibe de lançar palavras de ordem ao movimento que não produzam nenhum efeito positivo por não estarem sustentadas por orgãos representativos dos trabalhadores, ou por não estarem escoradas numa análise rigorosa do ponto de vista político, aparecendo como abstracções por cima da cabeça das massas.

Tornar perceptível à classe e às massas que, as propostas reformistas e revisionistas são representativas de classes pequeno-burguesas e condenam os trabalhadores ao quadro do sistema capitalista, é uma tarefa de longo prazo que só terá frutos duradouros em situação de ascenso da luta revolucionária. Até lá um longo caminho falta percorrer de afirmação de alternativas próprias, de afirmação de uma política de classe e de frente única comum em casos pontuais, com outras forças políticas de esquerda, em particular com as suas bases.

A situação actual do movimento sindical dominado pela política reformista e burocrática é, regra geral, de apatia generalizada, em que sobressai a diminuíção dos sindicalizados, a fuga a assumir cargos de delegados e dirigentes sindicais, e o afastamento dos velhos quadros reformistas por limite de idade e passagem à reforma. A precariedade no trabalho é um factor de grande constrangimento para os jovens trabalhadores em assumirem postos de activistas sindicais por receio aos despedimentos e outras represálias, e os que se destacam são jovens despolitizados que caiem fácilmente na órbita do reformismo. Com a classe operária cada vez mais reduzida devido à liquidação de grande parte dos sectores produtivos tradicionais, o movimento operário perdeu liderança para os sectores profissionais de trabalhadores do estado que com alguma força reivindicativa sectorial, animam manifestações e lideram a actividade reivindicativa. Naturalmente, impondo-lhe a sua marca pequeno-burguesa.

Falar de sindicalismo de classe contra classe a um movimento dirigido pelos trabalhadores de classes pequeno-burguesas, é não ter em conta o que mudou nas reformulações sociais das últimas décadas e ficar definitivamente amarrado a miragens e a situações que só por hipótese se repetem.

São impossibilidades que as transformações por que passa a sociedade se impôem aos comunistas.

Contudo, a maioria da população trabalhadora é proletária, e embora reconhecendo a sua dispersão e desorganização, essa é a força motriz em quem se deve apoiar quem lute pelo socialismo, porque é essa a força objectivamente interessada na mudança.

Defendemos um sindicalismo combativo por oposição ao reformismo conciliatório; organizado em sindicatos com base nas empresas e não meramente em cúpulas de dirigentes afastados dos locais de trabalho. Defendemos comissões sindicais e de trabalhadores que levantem as reivindicações concretas e se organizem numa corrente de sindicalismo combativo, e em primeiro lugar nas fábricas e empresas com maioria de proletariado, que são os sectores mais explorados.

Defendemos que ao mesmo tempo, os comunistas não se devem alhear da realidade, e devem participar com sentido crítico na CGTP, formando aí uma corrente de sindicalismo combativo em torno de um programa reivindicativo de contornos demarcados do reformismo conciliador.

Consideramos que é a corrente comunista que defende uma política de classe, um partido de classe e um estado de classe. O resto, são adornos com que algumas pessoas se gostam de enfeitar.

Analisando em traços gerais a situação política actual, constatamos que a crise do sistema capitalista em particular na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, não dá mostras de abrandar. As economias não crescem, estagnam, e o sector financeiro que assumiu a liderança da crise, novamente após a rapina dos fundos pùblicos que o salvou, torna a assumir o comando. As economias vivem absorvidas pelos défices e pelas dívidas externas, sugadas por movimentos especulativos do capital financeiro. Os estados e os seus governos descarregam com ferocidade a crise para cima dos trabalhadores, arrasando direitos sociais, estagnando salários e carregando de impostos as classes trabalhadoras. Como se não se passasse nada, as classes burguesas são absolvidas de sacrifícios, e até aumentaram escandalosamente os seus privilégios.

Paira no ar o expectro de uma prfunda crise que pode levar o euro à desagregação.

Neste deserto que é a ressistência operária e popular à crise, tem cabido aos trabalhadores Gregos o papel de liderança, pela combatividade e convicção no enfrentamento às medidas reacçionárias do governo socialista de Papandreus, através de formas de luta que deveriam servir de exemplo aos nossos negociadores sindicalistas sempre prontos a afastar os trabalhadores da luta.

Em Portugal tem faltado em luta o que tem sobrado em programas de superação da crise.

As 15 medidas propostas pelo BE, e as políticas de ruptura do PCP são representativas de um conjunto de boas intenções de quem está no Parlamento e tem de apresentar serviço, que demonstre que afinal existe outro caminho para superar a crise. Atenção, não é um caminho para combater o capitalismo! É o caminho para não deixar o capitalismo afundar-se com que sonham as classes pequeno-burguesas, que estes partidos pretendem representar. De alternativa em alternativa, numa alegre caminhada democrática que supostamente iria extingindo o capitalismo, é em síntese a proposta reformista. Que alívio para o capital! Representam contudo equívocos e impossibilidades!

Nas suas alternativas, algumas medidas imediatas dos programas dos reformistas, são sem dúvida favoráveis aos trabalhadores, e a essas os comunistas devem apoiá-las, é o caso das medidas contra o desemprego e em favor dos desempregados, das medidas em favor do serviço nacional de saúde e da segurança social, bem como as medidas que obriguem os ricos a pagar mais impostos. Se as defendem no parlamento ponham as massas a lutar por elas. Nada a opôr!

Só que nós, não temos ilusões de que os reformistas queiram pela luta fazer os ricos pagar a crise, nem esperamos que derrubem o governo atraves da luta de massas. Estaria tudo de pernas para o ar se assim agissem.

Além de que, apelar à queda do governo no momento político actual, em que o movimento de luta das classes trabalhadoras está a um nível recuado, e por consequência é para o parlamento que convergem as expectativas, representará a substituição do actual governo por outro de maioria PS, ou em alternativa um governo com reforço do PSD e do CDS.

A alternativa da esquerda comunista passa pela acumulação de forças nas empresas, na rua, no movimento sindical e na opinião pública, nas lutas pelos direitos dos moradores, na luta das mulheres contra a discriminação e a violência, pelos direitos dos jovens trabalhadores e estudantes, na luta dos trabalhadores do campo pelo seu direito ao trabalho e à terra, da luta dos pescadores expoliados do direito de ganharem as suas vidas na azáfama do mar; lá onde se trabalha e luta, os comunistas devem ser o fermento da revolta, através da denúncia da corrupção dos burgueses e do apelo à luta contra o sistema capitalista e pela defesa de um programa mínimo que reflicta as reivindicações mais prementes dos explorados de Portugal.

1- Aumentos salariais iguais para todos os trabalhadores que ganham até 1000 euros de 80 Euros mensais e o fim do congelamento salarial na função pública. Reposição do poder de compra para todos os trabalhadores.

2-Trabalhador despedido, subsídio garantido enquanto não obtiver novo posto de trabalho.

3- Aplicação de aumento de impostos à Banca, igual ao que pagam as pequenas empresas.

4- Fim das privatizações, do offshore da Madeira e das mordomias para os gestores.

5- Tecto salarial máximo igual ao salário do Presidente da República.

6- Fim dos gastos militares com a Nato. Portugal fora da Nato.

Dirigimo-nos pois aos operários de vanguarda, aos activistas do movimento sindical e das CTs e aos trabalhadores em geral, para que apoiem as acções de luta convocadas pelo movimento sindical para dia 29 de Maio, como preparativo para a convocação de uma greve geral. Só pela luta será derrotada a ofensiva generalizada do capital em crise.


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