A crise, junto ao aparecimento da Internet, provocou o surgir de multidão de organizações dedicadas a contrainformar, ou a contar o que os meios corporativos ocultam ou deturpam. São os meios alternativos. Na Galiza nossa o seu desenvolvimento está ainda em fraldas. As razões são várias, mas algo terão que ver com a escassez de colectivos dedicados expressamente a difundir e gerar informação antagónica. Os que há são pequenos, funcionam em precário, com pouca gente, muitas vezes instável e inexperiente e têm problemas para obter um mínimo financiamento que garanta dedicação e continuidade, além de que qualquer actividade anti-hegemónica deva levar acrescentado o altruísmo.
A isto haveria que somar a falta de formação em comunicação tanto destes poucos e voluntariosos colectivos, como dos contados departamentos de imprensa das organizações e redes de movimentos sociais, que não são quem de gerar mensagens atractivas e interessantes desde o ponto de vista comunicacional. Mas também a incomprensíbel falta de compromisso real dos movimentos no seu desenvolvimento, quando a comunicação é básica para engrossar as massas críticas e assim caminhar para a mudança radical do modelo de sociedade.
No entanto, é preciso apoiar e ter em conta alguns projectos que na actualidade existem no país, porquanto estão a construir uma actividade pioneira que por força será cada dia mais relevante e influente. Os mais deles têm certo carácter libertário, anticapitalista, relacionado com a emancipação do povo galego a partir da base, ou tudo junto. Tal é o caso da Galiza Livre, um dos mais veteranos e que acabou de melhorar muito o seu design; Indymedia Galiza, um espaço colaborativo inserido numa das maiores redes mundiais de informação alternativa; as secções galegas de Kaos en la Red ou La Haine; o Novas da Galiza, heróico por ser em papel; Diário Liberdade, que trabalha no estratégico mundo da lusofonia; Olholivre; Altermundo; ou os dedicados ao audiovisual, como GZ Videos, que faz alguns trabalhos gloriosos; Audiolivre, que difunde arquivos sonoros; ou rádios já de comprido percurso como A Kalimera, Rádio Piratona, Rádio Filispim, entre outras.
Na imprensa alternativa também poderíamos incluir algumas iniciativas que, estando inseridas de um ou de outro modo no comprado, têm linhas editoriais que fogem da ideologia dominante, como o veterano Vieiros e, porque não dizê-lo, um Galicia Hoxe que a partir dos movimentos sociais é julgado por questões que pouco têm que ver com a referida linha editorial, que ao cabo é o importante.