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Afonso Mendes Souto

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Umha vista de olhos

Dobragem ou legendagem? Umha questom do idioma?

Afonso Mendes Souto - Publicado: Quarta, 12 Outubro 2011 02:00

Afonso Mendes Souto

Na sexta-feira 7 de outubro o Portal Galego da Língua difundia a polémica criada por umhas declaraçons do deputado no Parlamento Galego Mendes Romeu, que foi contestada pola APRADOGA (Associaçom de Profissionais do Ramo Artístico da Dobragem da Galiza).


Mendes Romeu apela ao valor da legendagem como ferramenta para aprender inglês, "a emissom de filmes em inglês na sua versom original melhoraria as competências da juventude nesta língua", di. Pola contra a APRADOGA apela ao valor normalizador das dobragens na TVG e lembra que "a TVG já emite na versom original, pois o sistema dual da TDT dá ao espetador a possibilidade de poder ver cinema e séries na língua mae e própria da Galiza [...] e na versom original".

Há umha crença popular que di que foi com Franco que se iniciou a sistematizaçom das dobragens no Estado espanhol, porém, parece que com a II República a dobragem já existia, mas o que aconteceu é que Franco reforçou a prática baseando-se numha lei de Mussolini para a defesa do italiano.

Há algo que o marxismo como teoria e a vida como prática ensina, que é a convicçom de desconfiar de todo aquilo que a burguesia diga. Mendes Romeu di o contrário a Franco, logo, de qual dos dous burgueses desconfiar neste caso? Com efeito, dos dous! O assunto é bem mais complexo por conseqüência das peculiaridades da Galiza.

É a APRADOGA que coloca no debate argumentos em chave de normalizaçom lingüística. Mas antes de entrarmos ao detalhe sobre eles vamos abordar umhas consideraçons genéricas.

Pronto, sem entrarmos em assuntos técnicos sobre som, ao que dito seja de passagem era bom consultar a profissionais do setor para que digam se a dobragem influi ou nom negativamente no som original, haverá que ver alguns argumentos a favor da dobragem e da legendagem e também contra.

Por falar em dobragem, é claro que a sincronizaçom ao 100% é impossível, já que nom há tantas palavras num idioma que podam imitar os movimentos que fazemos com a boca ao provocar determinadas realizaçons fonéticas noutro idioma. Por exemplo, é possível que corresponda o movimento dos lábios que fai umha pessoa em inglês ao pronunciar a palavra "show" com as que nos esperamos que se faga quando um dobrador introduze a palavra "mostra"? Reparemos nos seus sinónimos que podam ser alternativa aà escolha de "mostra" e tiremos conclusons.

Outro argumento contra que já comentamos é o de aprender idiomas estrangeiros (nom apenas inglês!). O debate é se as legendas ajudam, mas é claro que a dobragem nom.

Também, é freqüente que as vozes de dobragem se repitam de filme em filme, cousa que resta credibilidade ao dobrarem atrizes e atores diversos.

Por falar em legendagem podemos argüir contra que as legendas contaminam a imagem e que o texto distancia a/o espetador/a das e dos personagens, quem usa este argumento razoa que o idioma é nexo de uniom para este caso.

Ora bem, as razons anteriores nom devem ser aplicáveis ao caso galego sem termos outras consideraçons presentes. Ao vivermos num país com línguas em contato no que se fai necessário um plano normalizador, cumpre estudar como a dobragem e a legendagem contribuem ou nom a isto.

A APRADOGA di que a dobragem favorece a normalizar fundamentalmente por dous motivos, o facto de que o galego na televisom e no cinema se poda escuitar e com isso se ganhem competências fonéticas e também que de passagem militares, agentes da CIA ou astronautas sejam vistos falando em galego já que caso contrário seria mais difícil.

Sobre a defesa que APRADOGA fai sobre a dobragem como ferramenta normalizadora, podemos dizer que o galego na televisom se introduz mais ou menos quando no ensino, polo que novas geraçons, sobretodo urbanas que nom teriam idioma de outra forma (nem ativa nem pasivamente) tenhem esse reforço fonético. Porém, também é certo que as geraçons que nom tivérom galego no ensino (muitas delas com idioma, tanto do ponto de vista ativo como passivo), vírom nas últimas décadas como com a dobragem se perdeu um tempo precioso para a sua alfabetizaçom em galego. Sobretodo se aquilo que se passa em espanhol se dobra ao galego (acho que tenho verificado há anos já como na TVG se passavam filmes de Mario Moreno "Cantinflas" sem dobrar e sem legendar).

Quanto à questom de ver diversos estamentos sociais a falarem em galego graças à dobragem eu nom estou certo de se isso nom fai mais que ocultar umha realidade que na literatura já visibilizou Branco Amor com A Esmorga quando elidia os comentários do juiz para denunciar que eram em espanhol e para nom os incluir numha obra literária em galego.

Um outro argumento que APRADOGA fai contra a legendagem é que o texto fai com que se perda interesse na iluminaçom, no decorado, na fotografia, etc. Mas haverá que legendar ou dobrar em funçom do cinema? Quem tomaria esta decisom? Se atendermos por exemplo ao cinema cubano, enquadrado no Novo Cinema Latino-americano, veremos que iluminaçom, decorado, fotografia, etc, som elementos infravalorados de propósito em favor de um guiom e atuaçons convincentes que melhor trasmitam a ideia que se pretende mostrar. Se a TVG dobrar Jorge Perrugoria em Fresa y Chocolate (1993) que nom contem comigo para rever esse filme. Como galegas e galegos que para bem, ainda que por razons negativas, conhecemos o espanhol, é positivo ver o cinema cubano em versom original.

Sobre o anterior há muito a falar e debater, já que a questom é tam de fundo como que se o cinema que se centra noutras questons que nom seja as que o cubano prioriza pode cair no reacionário. É claro que se trata de umha questom de mentalidades, para conhecer a das pessoas do mundo do cinema cubano recomendo ver Soy Cuba, o Mamute Siberiano (2005), onde se pode ver a oposiçom cubana ao filme Soy Cuba (1964) de Kalatozov, filme de alta qualidade técnica e estética e que ainda por cima é um reconhecimento à revoluçom cubana, bom, dá-se o caso de que as pessoas do mundo do cinema cubano em geral nom apreciam o filme e mesmo passou desapercibido no seu dia na ilha.

Em qualquer caso há um facto principal que deve estar por cima de todo: um Picasso é um Picasso, um Cortázar é um Cortázar e Clandestinos (1987) do cubano Fernando Pérez é de Clandestinos Fernándo Pérez, no cinema os filmes som da/o realizador/a e nom da/do protagonista, menos ainda da/o dobrador/a. Deve-se desfrutar da arte com o maior conhecimento de causa possível e na sua versom mais autêntica e original.

No entanto, embora seja umha visom errónea tal e como a desenham desde a APRADOGA algo de razom tenhem, assim que umha soluçom intermédia que defenda o trabalho de realizaçom e das atuaçons e que à vez favoreça a normalizaçom do idioma acho pode ser a soluçom, isto seria de legendar os filmes e as séries e dobrar todo o que tenha a ver com o mundo dos desenhos animados. Por conseqüência podemos concluir que esta nom é umha questom apenas do idioma, mas artística em geral.

Já falou o coletivo de profissionais da dobragem, agora é o turno dos da legendagem e dos da realizaçom.

Corunha, outubro de 2011

Fonte: PGL.


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