Ou reduzem o défice até aos 3% e baixam a dívida pública, ou acabam-se as remessas da União Europeia que fazem engordar os burgueses e criam no Povo a ilusão de progresso. Por isso a escravatura do défice vai continuar! Mesmo sabendo que o crescimento económico é uma miragem.
Foi a União Europeia que impôs cotas de mercado para as pescas e a agricultura, e tornou estes sectores meros apêndices dos países grandes produtores. E a mesma política utilizaram para as indústrias; naval, siderúrgica, química, têxtil e vidreira. Os documentos citados dão continuidade às políticas económicas que conduziram à crise.
Surgem assim três perspectivas (e três tácticas) para a resolução da crise em que o capital está mergulhado.
A táctica utilizada pelo Governo, (com mais ou menos apoio dos partidos da direita PSD e CDS), que se compromete perante Bruxelas a levar a cabo medidas de ataque aos trabalhadores através da contenção salarial, do desemprego e precariedade laboral, de aumento de impostos por via da diminuíção das deduções no IRS, do congelamento das reformas de três milhões de pessoas de baixíssimos rendimentos, da diminuíção de subsídios aos 700.000 desempregados actuais e aos que inevitávelmente vão surgir, a começar pelos funcionários públicos: saem três entra um.
Diminuír tudo o que são direitos sociais, e privatizar empresas públicas, para ir buscar milhões.
Unir tudo o que pode ser unido no campo burguês para afrontar o Povo e fazê-lo pagar a crise capitalista; este é o plano e a táctica dos bandos capitaneados por Sócrates, Vara &Cª, Manuela, Loureiro&Cª, Portas, Guedes &Cª. Tudo o que há de reaccionário e mafioso se junta para se salvar e à sua sacrosanta propriedade privada.
Uma segunda perspectiva com uma táctica acoplada, surge de um dos partidos que se reivindicam do comunismo, concretamente o PCP. O maior e mais combativo partido à esquerda do regime, com uma influência sindical e nos sectores mais explorados das massas, e uma inegável tradição de luta, este partido debate-se com contradições insanáveis dada a sua mudança de natureza de classe bem visível nas suas propostas políticas. O abandono da perspectiva revolucionária combinada com uma descarada e insípida fraseologia marxista, fazem dele o típico partido pequeno-burguês para operários.
Da sua estratégia inter-classista, (defende a existência de várias formas de propriedade dos meios de produção e a convivência pacíficas das várias classes), decorrem as suas propostas tácticas actuais.
A sua táctica assenta no pressuposto segundo o qual, a mobilização dos trabalhadores em conjunto com os pequenos e médios empresários acabará por impôr uma “ruptura democrática” que abrirá caminho a uma alternativa desenvolvimentista e de progresso económico e social. As suas reivindicações imediatas, que, com algumas das quais concordamos, estão assim ao serviço de uma política reformista e gradual que vai ao encontro das classes de que quer ser o representante.
As mudanças substânciais, quer no retrocesso do regime democrático burguês em Portugal, quer na queda do modelo de capitalismo de estado dos regimes de leste tão do agrado do PCP, em ligação com o abandono da perspectiva revolucionária marxista, conduziram este partido ao papel do moralista que não vê meio de o mundo entrar no seu esquema.
É possível e acertado, que os revolucionários trabalhem nas organizações de massas sob influência do PCP, mas sempre na condição de não calarem a critica ao seu reformismo na acção, e ao seu revisionismo na ideologia.
À direita do PCP mas à esquerda do expectro do regime apresenta-se o Bloco de Esquerda. A sua táctica consiste na permanente apresentação de alternativas políticas, económicas e reivindicativas, e os seus interlocutores priviligiados são a base de apoio do PS. Querem constituír-se como a grande esquerda alternativa ao liberalismo do PS, representando uma corrente de pensamento que poderíamos classificar como correctora dos pecados de direita da social-democracia, derivando daqui toda a sua política.
Partindo da ideia (correcta) de que é preciso estar sempre com as reivindicações dos trabalhadores, fazem-no extrapolando a sua política para a lógica implacável da apresentação de programas de governo inserindo-se cada dia mais na dinãmica parlamentar como se um ímam atraísse irresistívelmente o Bloco para uma completa e total inserção no sistema giratório da democracia burguesa parlamentar. Diríamos que os dirigentes do BE já foram absorvidos pelo parlamento e pelo chamado jogo democrático, restando de positivo as suas denúncias dos aspectos mais malévolos da política do grande capital.
A sua táctica serve que estratégia? A sua táctica é a sua estratégia. Como vão longe os ideais de uma sociedade sem exploradores! Diga-se em abono da verdade histórica que um punhado de revolucionários encabeçados por Francisco Martins Rodrigues regeitaram esta via denúnciando-a como uma deriva pequeno- burguesa: a vida deu-lhes razão.
Existe afinal uma alternativa revolucionária ao capitalismo?
A luta de classes não ensina a todos o mesmo, e isso acontece porque quem se coloca desde o ponto de vista de classe do proletariado retirará para a sua luta ensinamentos que a esta e só a esta classe interessam. Marx e Lenine uniram tudo o que era possível unir contra a sociedade burguesa e o seu sistema de exploração capitalista, nunca pugnaram por políticas unitárias sem princípios. Estamos com eles.
Contribuír para fortalecer uma corrente de pensamento e de acção anti-capitalista e anti-imperialista, que não se recuse a ir à luta nos domínios político, ideológico e prático, sem receio de arrasar o que é revisionismo e reformismo, sem complexos de atacar em conjunto com outras correntes as diversas lutas operárias e populares, desde que sirvam para acrescentar combatividade à luta anti-capitalista.
Na situação actual de aprofundamento da crise do sistema em que o proletariado está debaixo do fogo do capital nacional e internacional, é uma altura ideal para levantar políticas unitárias e de classe num programa mínimo que nos ajude a golpear o inimigo.
Partindo do princípio de que o sistema é incapáz de resolver os problemas das grandes massas ergamos então as reivindicações que nos aproximem do nosso alvo.
Todos estaremos de acordo que a reivindicação principal para uma corrente de pensamento que se quer revolucionária, é a luta contra o desemprego, embora tenhamos a certeza de que o capital vai aumentar os despedimentos. A luta contra o desemprego mais que uma reivindicação de carácter económico transformou-se numa reivindicaçõ política que revela a impotência do sistema para evitar este flagelo. Só um movimento político e sindical combativo apoiado pelos trabalhadores se poderá opôr com êxito aos despedimentos, sabendo utilizar de forma hábil a negociação com a luta. Não bastará a exigência de subsídios, é preciso ir mais longe, desde a expropriação dos capitais pessoais dos patrões até à ocupação da empresa pelos trabalhadores. Naturamente que estas formas de luta vão requerer uma muito maior radicalização do movimento operário e dos activistas políticos e sindicais mas, pensamos que é por aqui o caminho.
Serve de exemplo a ideia exposta, não pretendemos apresentar aqui o conjunto das reivindicações operárias e populares que deveriam ser elaboradas pelos revolucionários e pelos activistas anti-capitalistas do movimento sindical e social. Quanto a nós, o cerne de uma alternativa na luta imediata passa por pôr em evidência as fortunas dos burgueses em contraste com a miséria para onde são lançados os produtores de riqueza.
É nesta lógica política de confrontar o capital com os seus crimes que poderá reforçar-se uma corrente anti-capitalista que conduza as massas a regeitarem o podre sistema que já só reproduz a miséria para os de sempre, e o capital senil que a todo o custo quer sobreviver. - A táctica serve apenas para nos aproximar do nosso alvo: a revolução proletária e o socialismo.