A pergunta – de Jean-Paul Besset – refere- se ao “progresso” esperável tendo em conta umha das máximas do capitalismo actual: fai falta um crescimento anual de 2-3% para continuar a produzir e consumir num panorama de diminuiçom do desemprego.
A resposta é doada: nom se pode. Quando menos sem se estragar de vez o pouco planeta que nos resta. E mais se constatamos que o grande mito do crescimento, o louvado PIB, só mede a produçom de bens e serviços, mas nom repara nos custos ambientais e sociais do crescimento. “Umha floresta convertida em papel acrescenta o PIB, enquanto que essa floresta indemne, decisiva para garantir a vida, nom computa como riqueza” (Carlos Taibo).
A lógica ilógica do capitalismo construiu umha “civilizaçom” dependente do crescimento, na qual o hiperconsumo gerado com a publicidade, a sobreproduçom, o crédito –capitalismo virtual– e a obsolescência planificada dos produtos se esnafram de cheio com umha realidade inegável: a biocapacidade, já ultrapassada, do planeta. Deste jeito o medre económico eterno nom podia senom levar-nos ao cenário actual: alteraçom climática, esgotamento e encarecimento inevitável dos recursos naturais nos próximos anos, destruiçom ambiental e social, desigualdade selvagem, e agravamento dumha pegada ecológica que já é insuportável. Se todos os habitantes da Terra vivessem como os europeus, precisaríamos de três Terras. Para viverem como os ianquis, de sete.
O feito de que hoje 79,5% da energia que consumimos proceda de combustíveis fósseis indica-nos ademais que os esperados avanços tecnológicos –única e ilusória proposta dos economistas para continuarmos com a obsessom do crescimento– nom parece que vam reparar esta deriva suicida. Simplesmente nom há tempo.
Fronte a isto, o projecto dum decrescimento ordenado, com a drástica reduçom da produçom e o consumo, com mudanças radicais no modo de organizaçom social e económica, com mais autogestom, com a relocalizaçom da economia, da produçom e da política, com a partilha do traballo e a produçom de bens relacionais, e portanto com o desenvolvimento dumha vida mais frugal – sim, se cadra, dando certos passos cara atrás –, parece ser a única opçom para nom cairmos no decrescimento traumático. Este poderia acabar numha irreversível recessom primeiro, numha dramática depressom depois, e finalmente numha economia de guerra em que as elites se verám tentadas a instaurar umha sociedade da dominaçom, poida que “ecofascista”, que, lembrando Paul Ariès, só ten umha definiçom: barbárie.
Fonte: Altermundo