Nem o capital consegue vislumbrar saída para a crise, mem o proletariado conseguiu sequer até agora, formular tácticas e um plano estratégico, capazes de fazer estremecer os alicerces do sistema. É hora de juntar as forças dos trabalhadores, dos explorados deste País.
Às dívidas e défices colossais, somam-se a retracção ou a estagnação económica, como consequências da sobreprodução de mercadorias, e da especulação do capital financeiro na procura das taxas de lucro perdidas. O deus mercado, tal como previra Marx, entrou em agonia, e não encontra mais o caminho da expansão económica, mesmo com a emergência das economias da China, do Brasil e da Índia, que mais não são do que novos concorrentes dum mercado em crise, a que acrescentarão mais crise. Só o Socialismo nos pode trazer um futuro realizador de trabalho, progresso e felicidade humana!
O capitalismo, esgotado, e escorrendo o sangue com que se alimentou e alimenta das mais-valias produzidas pelo proletariado, está perante os trabalhadores pronto a levar os seus desígnios exploradores até ao seu final, e só se dará por vencido quando for varrido da face da terra, e substituído por um sistema sem assalariados e sem exploração, um sistema de interesses colectivos.
O capitalismo já só pode trazer a infelicidade para os trabalhadores e os Povos, embora se agarre com unhas e dentes aos privilégios que a exploração lhe possibilita. Terá a a companhia de todos aqueles cujos padrões de vida estão acima da média, e que vivem desafogados, povoando os hotéis de luxo, e as estâncias de veraneio internacionais. Mas, a corrente dos que se lhe opõem não parará de engrossar. Em resumo: não acreditamos que o capitalismo encontre mais a paz e a estabilidade.
Estas ideias atrás expostas deveriam constar de um programa mínimo de candidatura presidencial, defendidas por um candidato da esquerda mas que esta se recusou a apresentar. Por falta de coragem política.
E mais deveria dizer aos trabalhadores/as, perante a arrogância da Europa Alemã-Francesa, a Europa do capital que está a fazer da vida dos cidadãos um chorudo negócio, à custa das dívidas e dos défices orçamentais, invocados para descarregar sobre quem trabalha planos de austeridade que fomentam a miséria e o desemprego sem retorno:
1-Se a dívida é o cancro, acabemos com ele; não paguemos a dívida, ou vendam o ouro do Banco de Portugal, vão buscar o dinheiro às grandes fortunas que o capitalismo usurpou.
2-Se o desemprego é a maior chaga social, que atingirá no final do ano perto de um milhão de trabalhadores, então: que o estado lance um plano nacional de recuperação de edifícios públicos, um plano de desenvolvimento da agricultura cooperativa, colectiva e individual, e o mesmo para as pescas.
3-Se os combustíveis aumentam incontrolávelmente: que se nacionalize a GALP.
4-Se são precisas medidas de austeridade que elas sejam descarregadas sobre as fortunas colossais dos grandes ricalhaços deste país, e não sobre os trabalhadores que mal ganham para viver. Recusamos terminantemente os PECs e o Orçamento.
Esta poderia ser a intervenção da esquerda livre e revolucionária a criar corrente para enfrentar os combates que aí vêm. Mas não foi, (não é) e a realidade é que temos outra situação bem diversa.
A esquerda deve ser inflexível na defesa dos princípios, mas deve ter a lucidêz de perceber que, se não der respostas políticas, se não mergulhar nos problemas políticos que dizem respeito à sociedade e em primeiro lugar aos trabalhadores ficará ostracizada, relegada para o poleiro das aves raras e em vias de extinção.
Qual é afinal o inimigo principal nestas eleições presidenciais? Não há inimigo principal? São todos burgueses e ponto final?
Olhai os lírios do campo, (dizia Eurico Veríssimo) e vereis que não há uma repetição simétrica mesmo nas plantas, quanto mais nos seres humanos.
Não tenho a mínima dúvida! Para o proletariado, para as amplas massas trabalhadoras, para os democratas, há um inimigo principal e tem nomes: chama-se Cavaco Silva da Direita da Austeridade da Repressão e do FMI. Esta figura cavernosa é íntimo do que há de mais reaccionário e corrupto deste país. E por isso deve ser derrotado.
Os seus adversários, uns são folclóricos -Coelho, ou, múmias, -Nobre. (Amigo de Soares)
Francisco Lopes, em nome dos trabalhadores, lá vai propondo ao capitalismo que se acalme, reforce o aparelho produtivo, promova o crescimento económico e não chame o FMI. É a política possível do PCP.
Defensor de Moura, defendendo o PS faz o trabalhinho para arregimentar votos para Manuel Alegre.
Manuel Alegre escorraçado pelo PS nas anteriores Presidenciais, double face de anti-fascista e anti-comunista, apresenta-se como o grande adversário de Cavaco a defender o que resta do Estado Social e em oposição à direita. Tem a apoiá-lo o BE de alma e coração, e o PS com grandes divisões internas.
A direita quer o poder todo: um Presidente, um Governo, uma maioria na Assemblia da República.
Considero que aos comunistas, aos homens e mulheres de esquerda, não devem restar dúvidas de que é preciso derrotar a direita e cavar contradições no seio dos inimigos dos trabalhadores.