O povo catalão está a dar uma lição frente ao fatalismo. Disseram-lhes que nada do que fizessem serviria para nada, que só ia gerar frustração, que deviam desistir. Diziam-lho os privilegiados, os que têm garantidos os seus direitos políticos neste modelo de Estado, os cidadãos de pleno direito que não aceitam que o resto não se sinta espanhol ou, simplesmente, se sinta catalão, basco ou galego. Diziam-lho os cínicos, os que dizem que este Estado não é como eles gostariam, que dos mandatários espanhóis não têm nem vontade de acordo nem de respeitar a vontade dos povos, mas continuam a pôr a carga da prova sobre os catalães, acusando por exemplo a consulta de ontem de não ter garantias jurídicas, as mesmas que eles se recusaram a acordar. E diziam-lho os desenganados, os indolentes, os resignados: não serve para nada.
Entre tanto, os líderes catalães -impressionante a imagem do abraço de David Fernández e Artur Mas, ou a de Oriol Junqueras de voluntário- cumpriram com os seus representados. A sociedade civil levou-os até aqui. Juntos desobedeceram o veto espanhol, juntos acataram e garantiram o mandado popular. A cidadania catalã, empolgada e calma, foi votar em massa. Hoje mais do que ontem e menos do que amanhã, a Catalunha é uma nação e o povo catalão tem direito a decidir o seu futuro. E negá-lo, isso sim, não serve para nada.
Tradução de espanhol para galego-português da equipa galega do Diário Liberdade.