Foto: primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe/2004. Por Europeancouncil/Flickr.
O funcionamento dos monopólios japoneses continuará turbinado por enormes volumes de recursos públicos. Em 2015, a versão nipônica do Quantitative Easing (ou alívio quantitativo) destinou mais de US$ 700 bilhões, no equivalente em ienes, para a compra de títulos podres das empresas pelo valor cheio. Essa política ainda conseguirá ser mantida em 2016, mas, em 2017, deverá entrar em colapso da mesma maneira que aconteceu nos Estados Unidos.
O aprofundamento da crise capitalista aumentará o desgaste do governo direitista liderado pelo primeiro ministro Shinzo Abe. Os ataques contra as condições de vida da população continuarão inevitavelmente, principalmente com o aumento dos impostos sobre o consumo. O governo anunciou que o aumento dos impostos seriam adiados para 2017, mas a crise das contas públicas e, principalmente, a disparada da dívida pública por causa da paralisia industrial obrigará o governo a repassar o peso da crise para as massas. A migração de um número importante de plantas industrias para países da região, onde o custo da mão de obra é muito mais barato (Filipinas, Indonésia, Malásia), tem favorecido os lucros, mas a queda do consumo interno tem acentuado a crise de superprodução no Japão.
Como política de contenção, o governo de Abe tentará aumentar o investimento público, mas a disparada do endividamento deverá colocar essa política contra a parede em 2016. Se a política for mantida, empurrando a crise para a frente, ela ira estourar em 2017 ou 2018 como uma crise muito mais forte, que ainda será potencializada por um novo colapso capitalista mundial.
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A TTP (Aliança Trans Pacífico) e os acordos com a China e a Coreia poderão ampliar o mercado regional para os monopólios japoneses, mas as contradições, principalmente com a China e os Estados Unidos, acelerarão no próximo período.
As alianças militares do Japão com alguns países da região, como as Filipinas, Taiwan, o Vietnam e a Índia, deverão continuar crescendo. Mas o governo Abe evitará o aumento das contradições com a China e a Coreia do Sul. O papel de “ajudante” do Pentágono no Mar do Sul da China será mantida, mas com cautela e, conforme a crise continuar aumentando, as contradições com os Estados Unidos, inevitavelmente, também aumentarão.
A política militarista deverá acelerar, principalmente, a partir da migração das forças de autodefesa para um exército e a produção de armas, recolocando o Japão como um competidor de primeira ordem no mercado mundial de armas. Em paralelo, o regime político deverá endurecer. A extrema direita deverá continuar se fortalecendo e empurrando o direitista PDL, que encabeça o governo, à direita.
Alejandro Acosta é cientista social, colaborador do Diário Liberdade e escreve para seu blog pessoal.