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A movimentação dos capitais especulativos, a partir do “porto seguro” da dívida pública, considerada o aumento do endividamento das grandes empresas e o aumento do mercado de títulos podres.
Os chamados high yields são os títulos podres que somente nos Estados Unidos movimentam somas superiores aos US$ 5 trilhões. No volume total, houve uma queda de 9% em relação ao ano passado. Mas os títulos mais podres, aqueles qualificados como CCC, ou ainda piores, pelas agências de risco cresceram em 14% de acordo com o Bank of America Merryll Lynch.
A podridão está concentrada nas indústrias do setor de commodities (matérias-primas), principalmente as indústrias metálicas e de mineração, energia e petróleo, que viram cair o valor acionário e mais de 10% somente neste ano. Mas setores industriais de ponta como a indústria aeroespacial e de defesa, além do setor químico e farmacêutico, estão entrando no olho do furacão.
Por que os monopólios pressionam pelo aumento dos juros?
Os monopólios recebem dinheiro público à vontade a taxas de 0%. Por que essas grandes empresas estariam pressionando o governo pelo aumento das taxas de juros?
Porque a quantidade de dinheiro fictício disponível no mercado mundial, que não encontra localização produtiva, chegou a volumes obscenos.
Porque a especulação financeira está perdendo fôlego devido ao aprofundamento da crise capitalista.
Porque os grandes capitalistas buscam retomar as taxas de lucros dos títulos podres, que chegaram aos 15%, há três anos, e hoje se encontram em torno de 3,5%, e caindo.
Por que os monopólios pressionaram pelo fim do QE (quantitative easing)?
Devido que a inundação do mercado com dinheiro podre, sem lastro produtivo, levou à queda da taxa de lucro no mercado dos títulos podres.
Por meio dos QEs o estado compra títulos (muito) podres pelo valor cheio. Por meio deste mecanismo, no ano passado chegaram a repassar US$ 90 bilhões por mês.
Quando os juros forem aumentados nos Estados Unidos, acontecerá uma gigantesca fuga de capitais no Brasil e nos demais países atrasados que acelerará, e muito, a crise capitalista.
A especulação financeira, que representa o coração do capitalismo mundial, apresenta claros sinais de esgotamento. Para o próximo período, está colocado um novo colapso de gigantescas proporções. O sistema financeiro mundial deverá quebrar de conjunto, da mesma maneira que aconteceu em 2008. Mas os estados burgueses, agora hiper endividados por causa dos resgates, terão condições de proceder a novos resgates? Quem pagará a conta? E quais serão as consequências sociais?
Alejandro Acosta é cientista social, colaborador do Diário Liberdade e escreve para seu blog pessoal.
