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16740304743 622a5c89dc zDiário Liberdade - [Alejandro Acosta] Conforme a crise capitalista mundial tem se aprofundado e a especulação financeira tem ido se esgotando em setores como o imobiliário, grandes volumes de capitais fictícios têm sido direcionados para a especulação nos mercados de alimentos por não conseguirem alocação nos setores produtivos ou não conseguirem extrair lucros da produção.


Os transgênicos: na linha de frente da especulação financeira com os alimentos. Foto: Fernanda Guerra Gil/Núcleo Editorial (CC BY 2.0)

Os especuladores financeiros têm direcionado a comercialização de cada vez maiores volumes de alimentos para os mercados futuros de commodities onde os produtos são comercializados dezenas de vezes antes de chegar aos consumidores finais, fundamentalmente, através dos nefastos derivativos financeiros.

Os derivativos têm se transformado no principal instrumento da especulação financeira, onde por meio de cestas de títulos financeiros, em que são misturados títulos podres em larga escala, os especuladores transacionam papéis em operações de apostas e contra-apostas, que lhes garantem altas taxas de lucros em cima de recursos públicos. Os grandes parasitas financeiros acabam sendo resgatados mediante recursos públicos em cima da política do TBTF (Muito Grande Para Falir). Através destes mecanismos, o punhado de especuladores que domina o mundo tem transformado a economia capitalista mundial num verdadeiro casino. Todo tipo de mazelas da humanidade, até aquelas que tinham sido erradicadas (doenças e escravidão em larga escala, entre outras), estão voltando com intensidade devido à busca por garantir as taxas de lucro dos especuladores a qualquer custo.

O controle das matérias-primas alimentícias pelos especuladores financeiros

As principais bolsas mercantis de futuro do mundo, tais como a de Nova Iorque, Chicago, Londres, Frankfurt e Paris, têm visto os índices dispararem nos últimos anos. O índice do FMI (Fundo Monetário Internacional) específico para medir o preço dos alimentos subiu, a partir dos 75 pontos básicos em 2002, três vezes. O índice das Nações Unidas, o FAOFOODI, aumentou mais de 160% a partir do ano 2000.

No último período, os preços das principais matérias-primas alimentícias têm apresentado tendência à queda e alta volatilidade devido ao aprofundamento da crise capitalista mundial, ao relaxamento da regulamentação do setor e ao aumento das atividades especulativas que têm na sua base o direcionamento de ainda maiores recursos para esses mercados devido à queda acentuada da atividade industrial. No caso dos cereais, as quedas chegam a 10% e no caso de outros produtos a até 20%.

Durante o colapso capitalista de 2008, a migração de enormes volumes de capitais do mercado imobiliário especulativo para o mercado de commodities provocou a disparada dos preços dos alimentos, uma crise alimentar em vários países e a disparada da inflação a nível mundial, mas, ao mesmo tempo, esteve na origem das revoluções nos países árabes.

A partir de meados da década passada, o banco imperialista norte-americano Goldman Sachs promoveu a abertura da especulação com alimentos quando criou uma série de ETFs (Exchange Traded Fund), ETPs (Exchange Traded Product), ETCs (Exchange Traded Commodities), CDFs, ETNs, e toda uma sopa de letrinhas que representam diversos papéis especulativos e formam a base dos derivativos financeiros, que têm sido vendidos em larga escala para asseguradoras, outros bancos e fundos de pensão e de investimentos.

O controle direto do mercado de alimentos na UE (União Europeia) pelas chamadas empresas financeiras, isto é, pelos especuladores financeiros, atinge 40%, sendo que no início da década de 90 era de 10%, o que tem provocado a disparada da volatilidade. Enormes volumes de recursos são aplicados, em curtíssimos espaços de tempo, com o objetivo exclusivo de obter altas taxas de lucro, e têm como efeito colateral o crescente aumento das bolhas financeiras. O índice FAOFOODI aumentou 52% desde o mês de maio de 2007 enquanto o índice do Dow Jones, por exemplo, se mantém nos mesmos níveis.

Os transgênicos: na linha de frente da especulação financeira com os alimentos

Os altos preços dos alimentos são potencializados ainda mais pela especulação com as commodities (matérias-primas) energéticas, principalmente o preço do petróleo, nos mercados futuros, e dos insumos agrícolas. Alguns alimentos são usados para a produção de outros – como, por exemplo, acontece com os cereais que são usados para alimentar o gado, os fertilizantes e agrotóxicos, e os combustíveis usados para o transporte.

De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), a produção de alimentos precisará aumentar em 70% até o ano de 2050 devido ao crescimento demográfico. Um dos principais componentes da resposta dos governos burgueses para “enfrentar a crise alimentar” tem sido o aumento da produção de transgênicos, que têm se transformado num dos pilares do aumento da especulação financeira.

Os transgênicos agravam a crise alimentar, da saúde pública e ambiental, e representam uma fonte de enormes lucros para os monopólios.

Os transgênicos foram liberados a partir dos Estados Unidos sem testes adequados e em cima de relatórios elaborados pelos próprios monopólios. Na década de 1990, a FDA (agência federal de alimentos e medicamentos) norte-americana passou a ser controlada diretamente pela Monsanto e os transgênicos foram, na prática desregulamentados.

Os efeitos para a saúde humana são muito graves, pois as modificações no DNA, além de terem efeitos imprevisíveis nos seres humanos, injetam genes, inclusive de animais, nas plantas que fazem com que as suas células continuem provocando a produção de venenos após a sua ingestão. O consumo de agrotóxicos aumenta, no médio prazo, conforme tem sido revelado por vários estudos científicos, a dependência dos agrotóxicos produzidos pelos fabricantes das sementes transgênicas o que intensifica a contaminação do solo e dos recursos hídricos.

Os transgênicos são um produto das políticas imperialistas de propriedade intelectual e de patentes impostas a partir do Consenso de Washington na década de 1990. Eles visam manter o controle de um punhado de especuladores sobre as sementes, os agrotóxicos, os fertilizantes e toda a cadeia produtiva alimentar. Os monopólios direcionam a produção para os mercados especulativos futuros com o objetivo de manter as altas taxas de lucro dos especuladores financeiros a qualquer custo, depredando os recursos ambientais e generalizando a exploração dos trabalhadores nos piores níveis da história da humanidade.

Alejandro Acosta é cientista social, colaborador do Diário Liberdade e escreve para o seu blog pessoal.


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