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chinaChina - Diário Liberdade - [Alejandro Acosta] A imprensa burguesa apresenta a China como a segunda maior economia mundial. Inclusive, supostamente, iria superar a economia dos Estados Unidos em alguns anos. Na realidade, isso é pura fantasia.


A China é um dos principais compradores de petróleo e matérias primas. Foto: Wikimedia Commons (Domínio Público)

Qual é a realidade da economia chinesa?

Na China, mais da metade da população é composta por camponeses pobres. As indústrias de ponta são controladas pelos monopólios, assim como acontece com o grosso da especulação financeira.

De acordo com uma publicação da Bolsa Internacional de Energia de Xangai publicada no mês de agosto, o governo chinês planeja lançar o próprio indicador relacionado ao petróleo, similar ao Brent (controlado a partir de Londres) e ao WTI (controlado a partir dos Estados Unidos). O iuane, a moeda local, será usado como a moeda de referência no lugar do dólar norte-americano. Se trata da primeira operação futuro em que os chineses permitirão a participação direta dos especuladores financeiros.

Em junho, o governo tinha permitido às empresas privadas a importação de petróleo. Anteriormente, as importações eram monopolizadas pelas grandes empresas públicas, a Sinopec, a China National Petroleum Corporation e a China National Petroleum Corporation.

Os mercados futuros de energia representam um dos pilares da especulação financeira, que é controlada de perto pelas potências imperialistas. É um clube seleto que dividiu o mercado mundial por meio das várias guerras sangrentas que têm promovido, principalmente, no século passado.

O índice Brent foi desenvolvido pela bolsa de energia ICE em 1988, a partir do petróleo do Mar do Norte que tinha sido desenvolvido desde a década anterior. A produção de petróleo no Mar do Norte é de apenas um milhão de barris diários, mas o índice é usado para precificar as duas terceiras partes do mercado mundial de petróleo.

A China é um dos principais compradores de petróleo e matérias primas.

A especulação financeira aumenta, o imperialismo se enfraquece

A especulação financeira começou a escalar a partir da década de 1970 por causa do aprofundamento da crise capitalista mundial. Em 1971, a Administração Richard Nixon aplicou um enorme calote no mundo ao acabar com a conversão do dólar ao ouro. A chamada crise do petróleo de 1974 colocou uma lápide nas políticas keynesianas e abriu passo à disparada da inflação e do desemprego. A crise acabou sendo contida por meio das chamadas políticas neoliberais.

A entrada dos trabalhadores chineses no mercado mundial, na década de 1980, possibilitou conter a ascensão do movimento operário e impor enormes ataques contra as massas.

O colapso capitalista de 2008 liquidou o neoliberalismo como política de contenção da crise. A burguesia mundial não conseguiu colocar em pé uma nova política alternativa ao chamado neoliberalismo. A indústria mundial entrou em recessão. O parasitismo financeiro escalou por causa dos crescentes volumes de capital fictício que não acham lugar na produção.

Na China, a produção industrial entrou em crise em 2009 por causa da queda das importações. O governo repassou enormes volumes de capital com o objetivo de fomentar o consumo interno. Mas as pressões da crise continuaram aumentando. Os trilhões de dólares das chamadas reservas soberanas, relacionados com os títulos do Tesouro norte-americano, não representam qualquer garantia contra a escalada da crise.

A recente impossibilidade da Reserva Federal de aumentar as taxas de juros mostra a falta de alternativas das políticas monetaristas.

O dólar é uma moeda podre que hoje se encontra em xeque devido às dificuldades do imperialismo norte-americano impor o controle do mundo. Os petrodólares se encontram com os dias contados. Até países como a Arábia Saudita estão comercializando petróleo em moedas locais.

O aumento das contradições com as potências regionais

Várias políticas impulsionadas pelas potências regionais, principalmente a China e a Rússia, têm colocado em xeque os mecanismos de controle norte-americanos. O Novo Banco dos BRICS, o Banco de Infra-estrutura da Ásia a OCX (Organização de Cooperação de Xangai) têm sido estabelecidos contra esses mecanismos. Mas o acirramento das contradições do imperialismo com as potências regionais não significa que essas potências possam correr por fora dos mecanismos do capitalismo atual estabelecidos em escala mundial. A crise também se aprofunda na China, na Rússia, na Índia, no Brasil e em todas as demais potências regionais, e avança a passos largos na direção dos grandes centros.

A potências regionais têm aumentado a implantação de mecanismos especulativos conforme a industrial tem se acentuado.

A China tenta impulsionar a internacionalização do iuane (Renmenbi) e abocanhar uma parte do mercado da especulação financeira. Mas essas operações têm sido realizadas com a participação dos monopólios financeiros. O imperialismo impõe um forte bloqueio contra a China. A metade do orçamento do Pentágono foi direcionada para a região Ásia Pacífico com esse objetivo.

Conforme os lucros têm ficado cada vez mais restritos a situação política evolui para o confronto militar.

Alejandro Acosta é cientista social, colaborador do Diário Liberdade e escreve para seu blog pessoal.


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