O prazo para que o governo da Grécia, do primeiro-ministro Alexis Tsipras, e os demais membros da União Europeia (UE) cheguem a um acordo para a liberação de um novo empréstimo para os gregos está chegando ao fim. No dia 30 de junho, a Grécia terá que pagar € 1,6 bilhões para o FMI, de juros da dívida. Para liberar novas parcelas do plano de resgate da UE, o bloco exige dos gregos a implementação de um programa de reformas para cortar gastos públicos.
O plano de austeridade da UE para a Grécia, que já devastou a economia do País, quer avançar ainda mais nas aposentadorias dos gregos, principal divergência com o Syriza, partido de frente popular liderado por Tsipras. O Syriza foi eleito com a promessa de colocar fim à política de austeridade, mas cedeu a quase todas as exigências da UE, abandonando quase todo seu programa.
Para a burguesia imperialista europeia, entretanto, a capitulação do Syriza não foi o bastante. Exigem que Tsipras implante integralmente a política exigida pelo bloco. Diante do impasse, a Grécia poderá ficar sem dinheiro para pagar a dívida e ir à falência, o que tiraria o País da zona do euro.
Em Atenas, o governo considera que esse seja o objetivo da UE, diante de sua inflexibilidade nas negociações. No entanto, Tsipras ainda tenta, a qualquer custo, chegar a algum acordo. Enquanto isso, uma ala à esquerda dentro do Syriza, que assumiu o poder em janeiro e hoje está dividido internamente, defende que o governo abandone as negociações e decrete a moratória.
O modelo seria a Islândia, que decretou falência em 2008 e nacionalizou seus bancos. Parte do Syriza propõe que a Grécia nacionalize o sistema bancário, decrete a moratória e adote uma moeda nacional, fora da zona do euro. A proposta foi feita por 30 parlamentares, todos da Plataforma de Esquerda, corrente interna do partido no poder.
Para derrubar o governo grego ou obrigá-lo a aceitar a manutenção, intacta, das políticas de "austeridade", a UE pressiona o País economicamente. Em fevereiro, o Banco Central Europeu (BCE) deixou de aceitar títulos da dívida grega como garantia para a banca. Na prática, a instituição presidida por Mario Draghi estava inviabilizando os mecanismos de financiamento da dívida grega. A medida levou a uma queda imediata da bolsa de Atenas, e deixa como única alternativa para a Grécia linhas de financiamento de emergência, mais caras.
A tentativa é de desgastar o governo do Syriza e tirar o apoio popular que o partido ainda tem. Por outro lado, o Syriza é um governo de frente popular. Apesar da farta demagogia, as principais bandeiras de campanha foram logo abandonadas. A saída da UE e a moratória da dívida grega ficaram no papel.
De qualquer forma, o Syriza não conseguirá implantar a política de austeridade exigida pelo imperialismo e se manter no poder por muito tempo.
Desde que o Syriza assumiu o governo, a Grécia também está na mira do golpismo. Nesse caso, os rumores vêm dos funcionários da União Europeia (UE), que discutem abertamente uma nova composição para o governo do País.
Conforme mostra uma matéria do Financial Times, o que se diz nos corredores da UE são coisas como: "Tsipras deve decidir se ele quer ser o primeiro-ministro ou o líder do Syriza". Outro funcionário citado pela matéria (todos não identificados) diz: "Esse governo não pode sobreviver".
A UE quer se livrar ou da esquerda do Syriza, empurrando o primeiro-ministro Alexis Tsipras para uma aliança de centro-esquerda com o Pasok e o To Potami, ou se livrar do Syriza no poder, expulsando-o do governo.
