A mobilização se fez no mesmo dia da reunião dos ministros das Finanças europeus que discutia a dívida grega.
Poucos dias antes, o BCE havia anunciado que não aceitaria mais títulos gregos como garantia de financiamento. Também se ameaçou com o cancelamento de outras medidas de financiamento.
Assim, tenta-se extorquir o governo grego para que siga submetendo-se ao pagamento da dívida e os planos de corte que lançaram grande parte da população do país na miséria – com a cumplicidade da burguesia grega.
A mobilização em Berlim foi uma mostra de solidariedade antiimperialista e enfatizou a responsabilidade central do capital alemão pela crise grega, exigindo a não intervenção da Troika e do governo alemão.
Integrantes do grupo RIO, Organização Revolucionária Internacionalista, organização irmã da LER-QI na Alemanha e seção alemã da Fração Trotskista – Quarta Internacional, intervieram no ato com um material exigindo a anulação completa da dívida grega. E colocando que esta demanda deve ser parte inseparável de um programa transicional de medidas anticapitalistas, como a nacionalização dos bancos e a expropriação sem indenização da grande indústria sob controle operário, na perspectiva de uma saída operária e socialista para a Grécia e a Europa.
Enquanto alguns manifestantes expressavam suas ilusões no governo do Syriza com cantos como "Syriza, Podemos, Venceremos", desde RIO enfatizamos que o cancelamento completo da dívida só se pode impor contra a Troika assim como de forma independente do governo grego, já que o programa do Syriza não busca romper com o capital europeu mas manobrar para melhor administrar a crise grega. Nossa solidariedade é com os trabalhadores e o povo gregos que se levantam contra a chantagem da Troika.
Para combater a Troika e a burguesia grega é necessário estender as mobilizações e organizar a mais ampla solidariedade internacional com os trabalhadores gregos.
Ao mesmo tempo, os revolucionários na Grécia e em toda a Europa devemos construir uma verdadeira alternativa ao Syriza, Podemos e outros partidos reformistas, ou seja, partidos revolucionários que rompam com o capital grego e europeu e coloquem a única saída progressista para a classe operária grega: um governo dos trabalhadores na perspectiva dos Estados Unidos Socialistas da Europa.