Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, em uma entrevista na TV, o ministro do Defesa do novo governo grego, Panos Kammenos, declarou que a Grécia irá procurar ajuda de outros países caso a União Europeia (UE) mantenha sua intransigência na negociação do pagamento da dívida. "O que queremos é um acordo. Mas se não houver um acordo - tomara que haja - e se a Alemanha continuar rígida e quiser dividir a Europa, então nós temos a obrigação de ir para o plano B. O plano B é buscar financiamento em outro lugar", disse Kammenos.
No fim do mês passado, o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, já havia declarado que a Rússia pode resgatar a dívida grega, sob condições melhores. O imperialismo alemão, os bancos que mandam na UE, tem usado a dívida para pressionar o governo do Syriza, eleito em janeiro com a promessa de combater as políticas de "austeridade". Na semana passada, o Banco Central Europeu (BCE), deixou de aceitar títulos da dívida grega como garantia para a banca. É uma tentativa de deixar a Grécia sem saída no momento de negociar a dívida, aceitando todas as condições do imperialismo.
O desemprego na Grécia disparou para 28% da força de trabalho, mais de 20% acima do nível anterior à crise. Entre os jovens, mais da metade dos menores de 25 anos de idade estão sem emprego. Muitos dos que estão formalmente empregados não estão recebendo nenhum salário ou o recebem somente depois de longa espera.
As políticas de austeridade liquidaram a economia grega. O gasto público foi quase extinto. As pensões/aposentadorias diminuíram em 25%. A Grécia perdeu a quinta parte de sua produção econômica. O nível de nível dos gregos tem caído pela metade.
A saúde pública e a educação foram totalmente sucateados. As escolas não têm livros, os hospitais e farmácias não têm medicamentos, e o nível de mendicância nas ruas é assustador. A pobreza passou de 23%, antes da crise, para 40,5% atualmente. Passou a predominar uma economia de escambo, para se esquivar de um sistema financeiro em quebra. A taxa de suicídios disparou, apesar da imprensa burguesa oculta-lo.
É esse País que os banqueiros alemães querem forçar a pagar a dívida, ameaçando destruí-lo financeiramente. Com alternativas como a Rússia para refinanciar sua dívida, a Grécia pode terminar deixando a UE. Seria o primeiro passo para um colapso total do bloco e de sua moeda única. Seria o contrário do que fez a Ucrânia, ao rejeitar um acordo com a Rússia e tentar se aliar à UE. Com o detalhe de que, para que isso acontecesse, foi necessário que o imperialismo impulsionasse um golpe na Ucrânia para derrubar o governo de Viktor Yanukovich.