Em novembro do ano passado, apesar do declínio nos preços do petróleo, a Opep decidiu abandonar o seu tradicional papel de estabilizar o mercado e manter o teto da sua produção inalterado em 30 milhões de barris por dia. O anúncio causou divergências internas no cartel. As cotações do produto, já sob pressão em meio à forte expansão da produção nos EUA e à demanda fraca, despencaram após a decisão, acumulando perdas de mais de 50% desde junho do ano passado.
Na sexta-feira (16), os futuros de petróleo operam em alta, depois de mostrar perdas acentuadas ao longo da semana. Pela manhã, o Brent para março subia 2,47%, a US$ 49,46 por barril, enquanto o petróleo para fevereiro negociado na Nymex avançava 2,44%, a US$ 47,38 por barril.
O relatório da Agência Internacional de Energia destacou ainda que recuo do petróleo também afeta produtores não filiados à Opep. Empresas do setor petrolífero estão reduzindo investimentos, enquanto o número de plataformas em operação e de licenças para novas perfurações nos Estados Unidos está diminuindo, sugerindo que a pressão da oferta poderá diminuir nos próximos meses.
De acordo com o documento, "uma recuperação dos preços pode não ser iminente, mas há sinais crescentes de que a maré vai virar". A entidade reduziu o seu prognóstico para o aumento na oferta de países não associados à Opep em 2015, prevendo que esta dinâmica deverá aumentar a demanda pelo petróleo da Opep.
Enquanto isso, a produção do cartel continua superando as projeções de demanda e o próprio teto da organização. A informação indica que a estratégia do grupo em defender a sua participação de mercado pode estar dando certo.