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corbynInglaterra - Diário Liberdade - [Alejandro Acosta] A eleição de Jeremy Corbyn à presidência do Partido Trabalhista, com 60% dos votos, pegou de surpresa a ala direita do Partido e a burguesia inglesa. O primeiro ministro Conservador, David Cameron, declarou: “o Partido Trabalhista representa agora uma ameaça para a nossa segurança nacional, a nossa segurançaa econômica e a segurança da vossa família".


Jeremy Corbyn representa a ala esquerda do Partido Trabalhista. Foto: Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O que representa a eleição de Jeremy Corbyn?

Corbyn foi uma espécie de “azarão”, que corria por fora, e acabou capitalizando a crise aberta com a renúncia de Ed Milliban após a humilhante derrota sofrida nas últimas eleições municipais que aconteceram no primeiro semestre deste ano.

Jeremy Corbin capitalizou o crescente descontentamento com as políticas de austeridade e o empobrecimento das massas na Grã-Bretanha. Ele acabou sendo eleito com o apoio dos principais sindicatos ingleses, que formam a base da burocracia sindical que controla o Partido Trabalhista.

Aparentemente a ala encabeçada por Jeremy, que representa a extrema-esquerda do Partido, seria similar aos auto-proclamados partidos “anti-capitalistas” europeus, como o Podemos espanhol ou o Syriza grego. Mas, na realidade, há uma diferença fundamental: a base de apoio eleitoral e, até certo ponto, orgânica, dos sindicatos. O Podemos e o Syriza são partidos artificiais, criados a partir de movimentos da classe média, como os “Indignados” na Espanha, cuja direção foi rapidamente cooptada por oportunistas ao estilo de Pablo Iglesias, o líder do Podemos. O núcleo central do Syriza é composto pela ala mais oportunista do KKE grego, o Sinaspismo, que rompeu com o KKE na década de 1980 para formar um novo partido nos moldes da “Perestroika” de Mikhail Gorbachev.

Da derrota da greve de 1984-85 a 2010

O movimento operário inglês sofreu uma derrota duríssima na greve de 1984-1985, que durou um ano. A então primeira-ministra, Margareth Thatcher, deu o tiro de largada para promover ataques em larga escala contra o movimento operário inglês e mundial. Fortalecida com a vitória na Guerra das Malvinas, conseguiu derrotar a vanguarda do movimento operário num dos países mais importantes do mundo. Meses depois, a Administração de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, derrotou a greve dos controladores aéreos. Era o início da imposição em escala mundial do chamado “neoliberalismo” que tinha na base a entrada no mercado de milhões de operários chineses que, na época, ganhavam US$ 30 mensais trabalhando para os monopólios nas zonas especiais.

Margareth Thatcher e Ronald Reagan acabaram desgastados pelos ataques contra a população, mas tanto o Partido Democrata como o Partido Trabalhista acabaram dando continuidade às políticas “neoliberais”. A ala direita do Partido, com Tony Blair e Gordon Brown, acabaram dominando a década passada. Em grande medida a reboque dos governos de George Bush, participaram das invasões do Iraque e do Afeganistão e impuseram a regulamentação que favoreceu a especulação financeira em larga escala, de acordo com as políticas estabelecidas a partir da gestão da Reserva Federal norte-americana por Allan Greenspan. O desgaste desses governos levou ao colapso eleitoral do Partido Trabalhista e à perda das eleições nacionais em 2010 para o Partido Conservador.

Uma nova ascensão no horizonte

O colapso capitalista mundial de 2008 marcou o fim da viabilidade das políticas neoliberais como mecanismo para conter o aprofundamento da crise capitalista. O problema é que a burguesia não conseguiu colocar em pé uma nova política por causa do elevado parasitismo do capitalismo. As chamadas políticas de austeridade buscam desmontar o que ainda existe do “estado de bem-estar social” com o objetivo de salvar os lucros dos monopólios a qualquer custo.

A crise tem dificultado manter o controle da burocracia sindical que, por sua vez, enfrenta crescentes dificuldades para conter o descontentamento da classe operária que ameaça tornar-se explosivo. Para o próximo período, está colocado um novo colapso capitalista de proporções ainda muito maiores que os anteriores. O Estado burguês se encontra muito debilitado por causa do alto endividamento generalizado provocado pelo resgate dos monopólios a partir da crise de 2008.

Vários sintomas apontam para uma piora profunda das condições de vida dos trabalhadores. A própria Grã-Bretanha é apenas uma sombra do que foi nas décadas de 1950 e 1960.

A burguesia tenta colocar em pé a extrema-direita como um instrumento de contenção das massas. Na França, a Frente Nacional. Na Inglaterra, o UKIP.

A burocracia sindical, altamente integrada aos monopólios, mas também pressionada pela classe operária, esteve na base da eleição de Corbyn. Isto representa uma virada à esquerda da situação política. Uma ascensão operária em largas proporções tem a possibilidade de impulsionar setores combativos desde a base, contra a burocracia. A partir de setores do Partido Trabalhista poderá colocar-se a formação de um partido operário, revolucionário e de massas para o próximo período.

Alejandro Acosta é cientista social, colaborador do Diário Liberdade e escreve para seu blog pessoal.


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