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Editorial do Diário Liberdade sobre reunião de FHC em Foz

201010_fhcbrBrasil - Diário Liberdade - Com o objetivo de abastecer ainda mais a nossos leitores e leitoras sobre as informações divulgadas pelo jornalista e colunista do Diário Liberdade, Laerte Braga, (aqui) publicamos o texto abaixo para apresentar alguns elementos que estão por trás destes acontecimentos e que não estavam explicitados nas reportagens do jornalista.


Nesta semana as informações apresentadas pelo jornalista mineiro Laerte Braga causaram muita polêmica em torno da reunião de portas fechadas, com forte aparato de segurança e sem a participação de nenhum órgão de imprensa, realizada por Fernando Henrique Cardoso com, segundo o próprio ex-presidente, "jovens investidores de São Paulo" no Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, no Paraná, entre eles, Alice W. Handy, Anjum Hussein e, principalmente, Raphael Eckmann, da Tarpon, ligado ao grupo Globo e ex-diretor da Globosat. O próprio portal da Tarpon Investimentos traz as seguintes informações:

"Raphael Eckmann juntou-se à Tarpon em 2007. Atualmente, trabalha na área de Desenvolvimento de Negócios, sendo responsável pelo relacionamento com as regiões da Ásia, Oriente Médio e EUA. Anteriormente, foi Diretor Comercial de uma das empresas do Grupo VR. Raphael também foi Gerente Comercial da Globosat Canais, da Câmara Americana de Comércio e Analista Sênior de Portfólio de Real Estate da Binswanger Inc.

Raphael formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, e fez MBA na Universidade de Pittsburgh".

Pois bem. Segundo o jornalista Carlos Lopes, editor do jornal Hora do Povo, "O organizador, Raphael Eckmann, é funcionário da Tarpon Investimentos, que se diz uma 'empresa brasileira'. O nome da empresa é retirado de uma cidade da Flórida. Eckmann já foi gerente comercial da Globosat, mas, antes disso, era empregado da Câmara Americana de Comércio e 'analista-sênior' da Binswanger Management Corporation, um grupo da Pensilvânia, dedicado a intermediar a compra de empresas, que tem como 'clientes' ('apenas para citar uns poucos', segundo o seu site) a Motorola, Shell, Intel, ExxonMobil, Nextel, Crown Cork & Seal, Hoechst, Comcast e Wal-Mart.

Outra presença – que dificilmente pode ser chamada de "jovem" investidor ou jovem qualquer outra coisa – é Alice W. Handy, fundadora e presidente da Investure. Esta empresa é uma LLC [Limited Liability Company], algo que só existe nos EUA, e que pode ser descrita, mais ou menos, como uma ONG da especulação. Mas a Investure não é qualquer ONG especulativa: é um braço do Rockefeller Brothers Fund. A senhora Handy é funcionária da Fundação Rockefeller - e já foi secretária do Tesouro da Virgínia. Outro nome na plateia de Foz do Iguaçu: Keith Johnson – um redator do "The Wall Street Journal", o que dispensa maiores apresentações. Por fim, Anjum Hussain - um especialista em "investir" dinheiro dos fundos de pensão americanos, atualmente "diretor de gerenciamento de risco" de uma administradora de fundos."

Fernando Henrique Cardoso não desmente a reunião e apenas contesta a versão do jornalista Laerte Braga com o seguinte escrito:

"Fiz, sim, uma palestra em Foz do Iguaçu, para um grupo de jovens investidores de São Paulo, Tarpon, que lidam especialmente com fundos de pensão de Universidades e professores. Havia mais de cem pessoas presentes, e os temas discutidos nada tinham a ver, obviamente, com as infâmias propaladas. Tratou-se de mais uma palestra na qual eu reafirmo a minha confiança no futuro do Brasil, aliás, como disse lá, ganhe quem ganhar!" (Extraído do blog de Hildegard Angel, no portal R7, http://noticias.r7.com/blogs/hildegard-angel/)

E segue agora a nota da assessoria do PSDB, extraída também do blog Hildegard Angel:

"O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classificou de mentirosas as informações reproduzidas pelo blog da jornalista Hildegard Angel, no último dia 18, sob o título FHC ESTÁ ACERTANDO A VENDA DO BRASIL EM FOZ DO IGUAÇU.

O blog, que é hospedado no portal R7 (leia-se Rede Record), comentou e reproduziu matéria de outro blog, este em nome de Laerte Braga. Ambos declaradamente eleitores da candidata do PT, Dilma Rousseff.

O texto inicial, referendado por Angel, elabora a mentira de que, 'falando em inglês, o ex-presidente não só acertou com esses 'investidores' a venda de empresas, como também distribuiu 'uma pasta com a descrição detalhada' de como seriam os negócios.
Ainda segundo os dois jornalistas, o 'acordo' de FHC com empresários internacionais em Foz do Iguaçu 'envolve a instalação de uma base militar norte-americana na região, desejo antigo dos governos dos Estados Unidos'."

Reunião confirmada

Pois bem, um portal de Foz do Iguaçú, o Clickfoz, entrou em contato com o Hotel das Cataratas e confirmou a realização de reunião com funcionários, "e disse ainda que a reunião foi fechada e contou com a participação de vários estrangeiros". E, ainda nesta quarta-feira (20), o mesmo portal Clickfoz reproduziu a notícia divulgada no blog de Hildegard Angel, em que FHC desmente as informações reproduzidas pelo jornalista Laerte Braga. O jornalista Luiz Carlos Azenha também confirmou com o Hotel das Cataratas a reunião e revela que a lista de hóspedes é confidencial, além de trazer informações a partir de uma matéria publicada na revista Exame sobre a empresa de investimentos Tarpon.

A pergunta que não quer calar

Desde quando FHC precisa de um forte aparato de segurança e da não participação de sequer um jornalista para fazer uma palestra "na qual eu reafirmo a minha confiança no futuro do Brasil, aliás, como disse lá, ganhe quem ganhar"?

As matérias de Laerte Braga e sua fonte

O jornalista Laerte Braga tomou conhecimento do evento por meio de contatos em São Paulo e, por coincidência, teve um contato nas dependências do Hotel das Cataratas. Decidiu então cobrir o evento por meio deste contato. A primeira avaliação foi que a maioria dos empresários presentes era formada de captadores de recursos, gente ligada a fundos de pensões – estes, peças fundamentais no processo de privatização. Um dos participantes do evento de FHC era conhecido da referida fonte e aceitou passar informações sobre os fatos que se passavam a partir do momento em que tudo foi fechado para o jantar, quando foi feita a palestra de FHC.

Segundo o jornalista mineiro, "Na fala do jantar, FHC fez um discurso em inglês falando dos feitos do seu governo, que Lula pegou a cama arrumada, que as privatizações foram um êxito, que o Brasil deve alinhar-se com Washington. Isto é o que fala sempre, e externou o desejo de mudanças a partir da eleição do Serra."

Ainda segundo Laerte, "Todos os participantes receberam uma pasta com dados sobre o Brasil, oportunidades de negócios, perspectivas econômicas atuais na América Latina, no resto do mundo. Enfim, análises a partir de artigos de jornais estrangeiros e nacionais, uma espécie de portfólio para o caminho das pedras."

E, terminado o jantar é que começam as falas que foram captadas pelo contato do jornalista, inclusive tendo registrado fotos.

"Terminado o jantar, FHC circulou entre os presentes e, estimulado por Raphael Eckmann, ex-diretor da Globosat, fez vários comentários sobre o Brasil, Lula, as eleições e, especificamente, junto a um público de no máximo seis dos presentes, considerados os principais investidores. As conversas foram descontraídas, as fotos em que FHC aparece se vê que o ex-presidente está sorridente e, exatamente nesse clima, ele fez aquelas considerações a esse grupo."

Portanto, as falas mencionadas pelo jornalista em sua matéria não foram ditas durante a palestra, e sim em um momento de descontração após o "jantar-palestra" proferido por FHC, em que a fonte teve acesso às falas.

Ainda segundo Laerte, "O informante assistiu e participou da conversa, principalmente como ouvinte, estupefato com a 'descontração' de FHC e alguns adjetivos que usou, referindo-se a Lula por exemplo. Ou seja, todas as frase ditas por FHC o foram em clima de total irresponsabilidade dele, sentiu-se seguro diante das pessoas que estavam na roda e foi estimulado por uma delas. Em dados momentos haviam gargalhadas sobre o que ele disse."

A fonte

Infelizmente o Diário Liberdade não pode revelar o nome da fonte que o jornalista Laerte Braga obteve, dado que a própria fonte lhe pediu para não ter o nome revelado, temendo represálias por parte da máquina tucana.

Diário Liberdade: nosso compromisso com a verdade

Assim como ocorreu com a revista Carta Capital, na edição 614, quando o jornalista Maurício Dias revelou que o ex-Governador de Minas Gerais, eleito para o Senado, Aécio Neves, disse em um jantar no Rio de Janeiro a empresários e amigos que iria sair do PSDB. O jornalista da revista semanal não podia revelar o nome de sua fonte e nem houve registros de áudio ou fotos. Entretanto, o jornalista, comprometido com a verdade, optou por informar, mesmo que isso pudesse colocar a credibilidade do veículo em questão, a revista Carta Capital, em xeque.

O Diário Liberdade é um portal de jornalismo anticapitalista e militante, não exercemos jornalismo profissional, não recebemos dinheiro de nenhum tipo de instituição (pelo contrário, pagamos nossas contas com nossas rendas) e temos total comprometimento com a verdade factual. Como portal anticapitalista, publicamos conteúdo de todas as matizes do anticapitalismo.

Quando recebemos as informações reveladas por Laerte Braga, esperamos outros veículos repercutirem o assunto, o que aconteceu, quando da divulgação das informações nos blogs do jornalista Luiz Carlos Azenha, Hildegard Angel e do político carioca Brizola Neto. Optamos por divulgar na íntegra a reportagem do jornalista Laerte Braga. As fotos, retiradas pela informante de Laerte Braga, estão disponíveis em nosso portal e anula a tese de muitos que acreditam se tratar de um factóide.

Ora, quem deve explicações à sociedade brasileira é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, responsável por 109 privatizações, pagamento de propina para promover alteração na constituição para promover sua reeleição, entre vários outros escândalos amplamente tratados pela imprensa brasileira.

E neste caso específico, cabe ao político tucano justificar por que uma reunião com "jovens empresários de São Paulo" precisou de tanto segredo, dado que o evento não aparecia na agenda de FHC. E mais, qual o motivo de um aparato de segurança tão forte e, mais importante ainda, qual o motivo de não haver a participação de nem mesmo um jornalista nesta reunião.

Infelizmente, o Diário Liberdade não dispõe de estruturas de redações profissionais, somos militantes anticapitalistas comprometidos com a verdade e com a luta dos trabalhadores. Damos voz a toda oposição anticapitalista e às denúncias promovidas contra as forças reacionárias e/ou conservadoras, dado que não há meios de comunicação de massa que promovam estas vozes e estas denúncias.

O Diário Liberdade fez sua parte em trazer informações a respeito desta reunião de FHC com investidores estrangeiros. Caberá aos jornalistas e veículos independentes, críticos e comprometidos com a verdade apurarem, pesquisarem, entrevistar trabalhadores do hotel, buscar o acesso à lista de hóspedes, enfim, todo o trabalho necessário para que a verdade seja trazida à tona.


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