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080710_combatentesMoçambique - Canalmoz - A proliferação de versões, nalguns casos consideradas falsas, sobre a história de luta de libertação nacional, está a preocupar os antigos combatentes em Moçambique. Eles consideram que tais versões deturpam a realidade dos factos acontecidos no passado.


Nesse contexto, para pôr fim ao que classificam de especulações, o Ministério dos Combatentes reuniu-se ontem, em Maputo. O encontro, no qual participaram massivamente os antigos combatentes, serviu para procurar formas de elaborar uma estratégia nacional de pesquisa da história da luta de libertação e defesa da independência.

No momento das intervenções, os antigos combatentes foram unânimes em propor a criação de um centro de pesquisa para a averiguação da veracidade das histórias escritas sobre a luta de libertação nacional. O referido centro deverá funcionar em paralelo com o já existente, criado pelo Conselho de Ministros, através do Decreto nº 3€8, de 9 de Abril.
O centro criado, de acordo com os mesmos, é ineficaz porque não consegue cumprir efectivamente com os seus propósitos. Segundo argumentaram, a medida visa acabar com a onda de multiplicação de diferentes versões, não poucas vezes movidas por desígnios políticos, sobre o assunto em alusão.

História nacional sob risco de ser desacreditada

O reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Filipe Couto, usou da palavra. Na sua óptica, em Moçambique existem versões falsas sobre histórias da luta de libertação nacional. Várias versões são, segundo Couto, propositadamente feitas por certos grupos. O reitor da UEM, o padre que durante a luta armada escapou à saga anti-religiosa da direcção da Frelimo, aponta a necessidade de uma investigação, descrição exacta e catalogação do assunto para estancar as "versões falsas".
De acordo com o Padre Filipe Couto, as falsas histórias resultam do "excesso de auto estima" de alguns antigos combatentes. Estes "contam as histórias falsas aos pesquisadores afim de assumir algum protagonismo na luta de libertação".
Questionado até que ponto as mentiras em torno da história da luta de libertação nacional seriam prejudiciais para a sociedade moçambicana, Couto disse: "os efeitos negativos poderão se reflectir num futuro próximo. A história poderá cair no descrédito, até mesmo pelos nossos jovens, dado que haverá cada vez mais histórias controversas. Actualmente, ao contrário de poucos anos antes da independência, os antigos combatentes estão muito mais desentendidos em relação à história da luta de libertação nacional".
Tudo isso, disse o padre Couto, deriva ainda do facto de se querer defender certas posições idealistas dos seus partidos. Ele acrescentou que "é preciso que haja uma reflexão séria e profunda para evitar falsificação da história do povo moçambicano, mas tudo deve partir da vontade do próprio Governo para acabar com a tal ocorrência".
Por seu turno, Zacarias João Chichava, um dos antigos combatentes da luta de libertação nacional, disse que a falsificação surge com os historiadores que preferem pesquisar as fontes de informação duvidosas. A seu ver, os historiadores mesmo sabendo que a fonte primária existe, preferem escrever certas histórias consultando fontes terciárias, ou seja, que não tenham vivido directamente o acontecimento.

Governo deve facilitar o acesso às fontes

O director do Centro de Pesquisa da história da luta de libertação nacional, Carlos Jorge Silva, defende que há necessidade de o Governo intervir para facilitar o acesso às fontes de informação para os historiadores. Acontece, segundo ele, que alguns antigos combatentes quando são abordados para falar sobre os seus feitos que depois passam para a história do país, alegam não poderem falar sem autorização dos seus superiores, "acto que, de certo modo, burocratiza o acesso à informação".


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