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220416 indBrasil - Diário Liberdade - [Jean Alves] "Pelos nossos antepassados, conhecerei a terra que piso." Os povos daqui estão morrendo a cada dia que passa. As terras são grandiosas fontes sagradas de independência.


Logo, por isso mesmo são sabotadas pelo agronegócio que tem total apoio do estado. Não trabalhar, não usar dinheiro, não se sujeitar a indústria cultural, não viver uma vida sem sentido, ou seja, mercantil. É desertar e fugir das desgraças que o branco traz desde 1500 que nos servem para reparar ou aumentar nossa passividade e servidão.

Nossxs nativxs estão sim na cidade. A terra que tentavam ao máximo viver, está muito frágil e maltratada. Para sobreviverem, enfim, veem-se obrigadxs a viver na cidade e buscar os recursos para suas famílias que estão sofrendo junto as florestas. Esses povos não são só recordação nos livros de história, eles existem e são de carne e osso. Espalhados por todas as terras de Abya yala seguem resistindo a sua maneira. Parece uma derrota a necessidade de vir a cidade, mas as tradições, os conhecimentos, a língua materna, jamais morrem dentro do peito de cada nativx. Vendendo seus artesanatos, contando sobre sua vivência, tentando ter voz.

Sem perder a sabedoria e a calma, esses povos guerreiros ainda aturam os brancos progressistas e consumidores turistas que adoram o que lhes parece exótico, excêntrico. Eles vêm aos montes procurando defeitos e falhas nos bichxs do mato e seus materiais. Consumidorxs atentxs olham de cima a baixo o que futuramente virá a ser lixo. E batem palma como se estivessem em um cinema, se pintam com pinturas sagradas para xs nativxs, invadem seus rituais de hora marcada para x consumidorx, esvaziam séculos de tradição. Tiram fotos como se estivessem em um zoológico, brincam com o que antes servia para matar europeus invasores, enfim apreciam o que lhes parece nada mais que um Espetáculo.

Ser branco já não mais se limita a cor de pele. Todxs somos seduzidxs pelo mundo branco, perdemos identidade, rosto, tornamonos manequins. Que vagam de um lado para o outro procurando um sentido para a tua existência, que atacam x outrx, que querem se sentir superiores, aceitxs, que têm vergonha de tua própria existência, objetos perdidos e apressados. Flutuando no vazio esperam a morte com certa ansiedade, pois da agonia descobrir-se parte de um nada.

Querer a demarcação de terra para teu povo é uma importante luta. Mas, há muitos outros povos que perderam a terra, há muitxs outrxs que precisam de ajuda. Todas as lutas devem crescer juntas e desenvolverem-se com a diversidade da mesma. A categorização das lutas nos divide e limita. Distraidxs nos atropelamos, dando um passo a frente e voltando o dobro. Todxs devemos actuar juntxs para desertar e fugir do Império. A escuta e a consequente troca de conhecimentos é o que nos unirá e fortalecerá. Reaprender a ouvir e a falar, replantar o que foi morto pelo asfalto.

Umx pretx ser dono de uma multinacional?Um povo nativo com um hospital e escola perto de tua aldeia? Liberdade, de consumo? O deserto continua com seus ventos a jogar areia por todo o lado. A corda que esta no pescoço dessas pessoas é afrouxada, mas continua lá. Limpar nossos olhos fará enxergarmos x outrx que nos parece distante. Nos fará enxergar a terra habitável, sucumbirá a civilização. Não nos distraiamos mais.

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