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800px Mariacorinamachado2Venezuela - Diário Liberdade - [Edu Montesanti] A porta-voz da ultradireita venezuelana é também a mesma política venezuelana que recebeu o senador brasileiro Aécio Neves cordialmente, ambos posando de braços dados no aeroporto da capital venezuelana de Caracas em 2015, quando o opositor da presidenta Dilma Rousseff fora defender "liberdade" no país caribenho.


Foto do World Economic Forum (CC by-sa) - A ultradireitista Maria Corina Machado.

A ex-deputada venezuelana María Corina Machado, líder do partido oposicionista Vente Venezuela, denunciou no último dia 3 de fevereiro que um bebê havia caído do colo da mãe durante protesto em fila para compra de alimentos em determinado estabelecimento da cidade de El Tigrito, estado de Anzoátegui (leste do país), e morrido. 

tuitou a ex-parlamentar no mesmo dia, com postagem de vídeo gravado por ela mesma no local, com um detalhe: sem o testemunho da mãe, e nem imagens do filho supostamente morto, fato desmentido pela mãe da criança no dia seguinte.

A imprensa local difundiu rapidamente a informação. O jornal El Nacional, um dos maiores da Venezuela e que compõem os mais de 80% privados do país caribenho, publicou no mesmo dia em seu sítio na Internet o que viria a ser notícia na versão impressa no dia seguinte, sob título que dava toda a razão à deputada cujo histórico não lhe é nada favorável do ponto de vista democrático: "Morreu bebê durante distúrbio em fila para compra de arroz".

Junto da irresponsável publicação do Nacional (o qual, segundo as leis de imprensa da Venezuela, é passível de punição), foi publicado o vídeo de Corina Machado cheia de "senso cidadão" e sua devida "indignação" - que no caso dos opositores venezuelanos e da mídia corporativa venezuelana, sempre ecoados internacionalmente sem demora, apenas enganam os mais desinformados e desconhecedores das próprias histórias golpistas dos Estados Unidos apoiados nas elites nacionais, dentro e fora da América Latina.

No dia 4, o governo bolivariano, através do deputado Diosdado Cabello (Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV) em seu programa semanal Con el Mazo Dando transmitido pela rede estatal Venezolana de Televisión, desmentiria a informação através do testemunho da mãe da criança:

Em seu programa de TV, o parlamentar governista rebateu fortemente as acusações de Corina Machado: "É totalmente irracional o descaramento dessa gente (...). Isso é não ter vergonha ao falar ao país, porque só falam mentiras e manipulação".

Corina Machado, velha golpista: Preferida da mídia internacional

María Corina Machado teve seu mandato parlamentar suspenso por doze meses em julho de 2015, sem possibilidade de exercer nenhum tipo de cargo público por incitar a violência no ano anterior através das chamadas "guarimbas", que resultaram na morte de 43 pessoas e mais de 800 feridos, além de ter promovido então golpe contra o presidente Nicolás Maduro.

Outro ferimento à Constituição que levou à cassação temporária de Corina Machado, foi o fato de ela ter aceitado, também em 2014, o cargo de embaixadora alterna do Panamá perante a Organização dos Estados Americanos durante o governo do então presidente panamenho, Ricardo Martinelli.

O artigo 149 da Constituição venezuelana prevê que a Assembleia Nacional (AN) deve autorizar os funcionários públicos a aceitar cargos, honras ou recompensas de governos estrangeiros. Contudo, o artigo 191 determina que deputados da AN não poderão aceitar nem exercer cargos públicos sem antes deixar o Parlamento.

A fundadora e presidente do Vente também havia participado no golpe de 48 horas contra o então presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, arquitetado e apoiado logisticamente pela administração de George Bush [sobre isto, leia e assista reportagens internacionais com traduções inéditas ao português, no blog deste autor (role a tela)].

Quando Pedro Carmona assumiu inconstitucionalmente a Presidência venezuelana então, Corina Machado foi uma das assinantes do decreto que dissolveu todos os poderes públicos, inclusive a AN. No final daquele mesmo ano, ela participaria ativamente na sabotagem petroleira contra o próprio país.

A porta-voz da ultradireita venezuelana é também a mesma política venezuelana que recebeu o senador brasileiro Aécio Neves cordialmente, ambos posando de braços dados no aeroporto da capital venezuelana de Caracas em 2015, quando o opositor da presidenta Dilma Rousseff fora defender "liberdade" no país caribenho (imagem ao lado.

Vale recordar aqui que o mesmo partido de Neves, o PSDB (Partido da Social-Democracia Brasileira), tem recebido de longa-data apoio secreto da "Embaixada" (entenda-se centro de espionagem) dos Estados Unidos no Brasil, de acordo com telegramas secretos revelados por WikiLeaks (diversos artigos com exposição de documentos neste sentido, em WikiLeaks - Revelações dos Segredos de Estado dos Estados Unidos, no blog deste autor).

Quebra-cabeças: peças à mão

Como disse Cabello no último programa Con el Mazo Dando, referindo-se à Corina Machado e às ininterruptas tentativas de golpe contra a revolução Bolivariana em seu país, perpetradas pelo eixo Miami-Bogotá-Madrid, ecoada inescrupulosamente pela mídia de desinformação internacional: "As mentiras são desfeitas por si só".

Se não bastassem todos os duros ensinamentos históricos que valeram o sangue de nossos avós, hoje, na era da informação global, em tempo real, e da expansão sem precedentes da mídia alternativa, só não vê quem realmente não quer como se dá o jogo sujo dos porões do poder reacionário. Mudaram-se a época, alguns personagens e o cenário, porém a estratégia e a plateia alienada seguem as mesmas dos golpes militares na América Latina.

"Se eu me calar, gritariam as pedras dos povos da América Latina, dispostos a ser livres de todo o colonialismo depois de quinhentos anos de colonização", disse certa vez Hugo Chávez.

Até a vitória... sempre, camarada!


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