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Soraya Misleh - Um espaço aconchegante, em que se podia ter uma mostra do artesanato, culinária, vestimentas, textos e imagens dos territórios ocupados. 


Assim era a Casa Palestina, montada no FSM (Fórum Social Mundial), na cidade de Canoas, na Grande Porto Alegre. O evento realizou-se nos diversos municípios daquela região metropolitana entre 25 e 29 de janeiro último e inaugurou a série de 27 iniciativas do gênero que ocorrerão no ano ao redor do globo, inclusive no mundo árabe.

 Na Casa Palestina, era possível ouvir narrativas e conhecer fatos históricos que marcam a mais longa ocupação da era contemporânea, não apenas mediante palestras, mas sobretudo por intermédio da linguagem do cinema. Quatro curtas-metragens do acervo do ICArabe (Instituto da Cultura Árabe) integraram a programação e permitiram a aproximação com o público bastante variado que circulava pelas praças que compuseram o FSM. Além da exibição de documentários, os grupos folclóricos Al Aqsa e Terra se apresentaram, inclusive no Acampamento da Juventude.

Vozes no FSM

A urgência da solidariedade global face à dramática situação em que se encontram os palestinos foi enfatizada ainda em vários outros momentos no FSM. Na capital gaúcha, à marcha de abertura do fórum, uma delegação contava com dezenas de pessoas portando bandeiras palestinas e hatas. Em três falas, a comunidade destacou tal premência. O Mopat (Movimento Palestina para Tod@s) observou que direitos humanos fundamentais, como o de circular livremente e viver com dignidade, são negados cotidianamente nos territórios. Mudar esse cenário - um dos desafios colocados aos participantes do FSM dez anos depois de iniciado esse processo - passa pela pressão da comunidade internacional.

Uma das maneiras é levar adiante a campanha global por boicotes a produtos que financiam a ocupação. Na contramão disso, Nader Bujah, de Porto Alegre, lembrou que o Brasil firmou acordos de cooperação e compra de equipamentos militares e aviões não tripulados – no valor de US$ 350 milhões –, os quais precisam, portanto, ser rompidos. Para o sociólogo brasileiro Emir Sader, a política externa brasileira é subalterna aos Estados Unidos, como mostram acordos como esses e o próprio Tratado de Livre Comércio entre Israel e Mercosul, que tramita no Parlamento nacional. “O País não deve ratificá-lo.”

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos destacou, durante sua palestra sobre "Mundialização alternativa e emergência das periferias”, no dia 26, que na Europa foi instalado o Tribunal Bertrand Russell para condenar Israel por crimes contra a humanidade, mediante ações como o boicote ao apartheid – o qual é “muito pior do que o vivenciado na África do Sul”. Fazendo questão de afirmar que a Palestina é lhe uma luta muito cara, Boaventura continuou: “É uma injustiça histórica, em que aquela população pagou pelo equívoco e hipocrisia europeus.”

A distância, o coordenador do Stop the Wall, Jamal Juma, garantiu sua participação à mesa sobre “Conjuntura política hoje”, também no dia 26. Agradecendo a solidariedade internacional, levou a mensagem ao Fórum Social Mundial: “Devemos continuar nesse esforço de apoiar o povo palestino na luta contra a ocupação. Assim será possível derrotar o colonialismo e a opressão, a exemplo do que ocorreu em relação ao apartheid na África do Sul. O Comitê Nacional Palestino chama os movimentos sociais brasileiros a que deem fim a esses acordos assinados pelo seu Governo, que são favoráveis à ocupação. Temos que fazer acordos que unam os povos, aproximem a humanidade.” Assista ao vídeo enviado ao FSM por Juma em http://www.ciranda.net/spip/article3580.html.

Ele era uma das presenças internacionais bastante esperadas no fórum e não pôde ir por ter sido solto pouco menos de 15 dias antes do início do evento. Ele foi preso pelo exército israelense arbitrariamente quando estava em sua casa em 16 de dezembro último e, segundo confirmou, somente foi libertado graças à mobilização da comunidade internacional. Diante desse exemplo de que a solidariedade global tem impacto efetivo, o coordenador do Stop the Wall fez um apelo aos participantes de roda de comunicação compartilhada: que continuem a pressionar o Governo de Israel mediante ações como a de boicotes a produtos que financiam a ocupação de territórios palestinos e fortalecer o trabalho coletivo para disseminar informações que não são difundidas pela mídia tradicional.

Os jornalistas participantes da iniciativa – coordenada pela Ciranda Internacional da Informação Independente – também conversaram online com seus colegas do AIC (Alternative Information Center), na Palestina. Esses relataram as dificuldades de cobertura no território sob ocupação e discutiram iniciativas de comunicação compartilhada, em nível global, para tentar romper o cerco às notícias sobre a conjuntura na região e conseguir transmiti-las. E assim denunciar a opressão e a violação sistemática de direitos humanos por parte do Estado de Israel.

As últimas detenções e a repressão contínua demonstram que o Governo de Israel mantém-se determinado a silenciar as vozes que se oponham a sua política ou a critiquem, por todos os meios. Assim, em 20 de janeiro, foi impedido de entrar em Israel, após voltar de férias, o jornalista estadunidense de origem judaica Jared Malsin, que trabalhava na agência de notícias independente palestina Ma’an, na Cisjordânia, havia dois anos. A roda no FSM demonstrou que a comunicação compartilhada tem contribuição a dar para denunciar essas práticas antidemocráticas e ecoar o grito daqueles que se recusam a se calar diante de injustiças.


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