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954fb0ebf1d84fb921bfb0b6e045d57f LGaliza - AEG - A iminente apresentaçom do projeto educativo 'Semente Lugo', que se segue aos projetos irmaos de Compostela, Vigo e Trasancos, levou-nos a conversar com a companheira Maria Vila Verde. Mae e trabalhadora em Lugo, é umha das promotoras desta iniciativa de ensino comunitário em galego para crianças.


AEG - Desde quando estás interessada no nascimento dumha Semente de Lugo?

Maria Vila Verde - Quando cheguei a Lugo há já três anos, através do centro social Mádia Leva, envolvim-me num grupo de criança junto com outras maes e pais, a ideia, que já funcionava quando eu cheguei aqui, era estabelecer umha rede de apoio mútuo para trocar informaçom, conhecimentos... Organizamos actividades e procuramos espaços onde as nossas filhas pudessem desenvolver-se e relacionar-se na sua língua. Estas juntanças serviam também para pôr em comum as nossas preocupaçons e inquietudes como maes e pais, e claro, a escolarizaçom das crianças era um tema recorrente. Mesmo aqui em Lugo, umha cidade em que o galego tem umha presença relativamente importante cumpre-se a máxima “começam a escola falando galego e saem falando espanhol”. Mas também, percebemos dum ponto de vista crítico o tipo de educaçom que recebem as nossas filhas, o submetimento cada vez maior e em crianças cada vez mais pequenas a um autoritarismo e a umha disciplina que procura coarctar o livre desenvolvimento das crianças, a sua natural curiosidade, para ajustá-las a modelos normativos que se adequem à actual sociedade, competitividade, obediência, etc.

Para mim língua e pedagogia som aspectos inseparáveis à hora de pensar a eduçaçom das crianças na Galiza. Eu pessoalmente conheço a Semente quase desde que deu os primeiros passos em Compostela, e o facto de os dous aspectos, imersom linguística e educaçom respeituosa, fundirem-se no mesmo projecto acordou o meu interesse desde o início.

Como começou a fraguar-se o projeto que tentará criar a Semente de Lugo?

Esta preocupaçom que partilhávamos algumhas maes do grupo de criança foi-se tornando em necessidade, debatemos muito acerca de como intervir na ensinança pública-estatal e sobre outras alternativas de carácter autogestionário. Em maio do ano passado organizamos umhas jornadas sobre experiências de ensino alternativo em galego, para aquelas jornadas convidamos educadoras críticas com a escola pública, colectivos de maes e pais que luitam por transformar o ensino público, e também as Sementes de Compostela e Trasancos. Aquelas jornadas forom um ponto de inflexom, tomamos contacto directo com educadoras, com outros pais e maes, com activistas, e tomamos consciência de que se procurávamos transformar as cousas tínhamos que ser nós mesmas a fazê-lo, nesse sentido, as experiências que ali nos transmitirom as Sementes de Compostela e Trasancos servirom de estímulo, saber que noutros sítios já se tinha andado muito caminho.

Que tem de atrativos a Semente para o grupo promotor?

O facto de ser umha escola de imersom linguística e a ao mesmo tempo um espaço de respeito ao desenvolvimento educativo das crianças, coeducaçom, atençom à diversidade, respeito aos próprio ritmos das crianças etc., acho mesmo que é umha iniciativa pioneira, também porque somos nós, as próprias mães e os próprios pais, as educadoras, as ativistas, quem decidimos iniciar um projecto democrático através de assembleias. Para o grupo promotor o facto de a escola Semente ter umha vocaçom pública, ninguém tira rendimentos lucrativos, foi umha das principais razons pola qual decidimos vincular-nos às Sementes que já estám em andamento, nesse sentido tencionamos criar umha escola para educar as nossas filhas, mas o processo está resultando toda umha aprendizagem para nós também, aprendemos uns dos outros através da colaboraçom e a solidariedade. Nos tempos actuais e acho que é algo em que coincidimos todo o grupo promotor, com todas as incertezas sobre o rumo que tomam as cousas, este processo de criaçom comunitária tem um valor social muito importante.

Que crês que pode achegar a abertura dum centro educativo destas características na dinámica linguistica de Lugo?

Lembro ter acudido a algumha actividade para promover a normalizaçom linguística organizada em Lugo, onde, apesar de os artistas representarem umha peça em galego, ou cantar e contar contos na nossa língua, ao serem os assistentes umha maioria de maes, pais e crianças espanhol-falantes, impunham a sua língua como modelo para as relaçons entre iguais. Dava-se o paradoxo de a minha filha assistir a um concerto na sua língua e sentir-se estranha por falar essa mesma língua entre o resto de crianças a falarem espanhol, quer dizer, umha actividade pensada para reforçar a sua auto-estima como galega-falante convertia-se num novo âmbito de pressom social a favor do espanhol. Acho que o facto de sermos capazes de criar espaços onde a nossa língua e também a nossa cultura constituam a base das nossas relaçons muda por completo a percepçom que temos sobre a normalizaçom linguística. Som espaços que conquistamos as galego-falantes como forma de exercer um direito, nom políticas que se aplicam em base a dados e cifras tiradas dumha estadística.

No caso da Semente ao incidir no âmbito da educaçom adquire maior relevância, porque está relacionado directamente com o processo de desenvolvimento pessoal das crianças, mas também polo grau de mobilizaçom social que requere a criaçom dumha escola destas características. Estou convencida de que é o colectivo quem muda as dinâmicas linguísticas mais do que a consciência individual das pessoas. Além disto, nos arredores de Lugo ainda prevalece o rural, e o galego mantem-se como língua dominante, para nós é importante que a escola restabeleça os vínculos que tradicionalmente a cidade de Lugo sempre conservou com o rural, hoje ameaçados. A autovalorizaçom da cultura popular e o conhecimento do património natural, som também umha condiçom necessária no processo de normalizaçom.

Que objetivos há a curto prazo?

Constituímo-nos como associaçom Semente com o objectivo de abrir um centro de educaçom em galego para infantil, mas como objectivos imediatos priorizamos a campanha de informaçom e difussom da associaçom, socializar a necessidade dum centro destas características e somar forças e apoios de todo o tipo.

Há algumhas actividades programadas?

No próximo Sábado 27 de Fevereiro faremos a apresentaçom pública no Museo Provincial de Lugo, daremos a conhecer o projecto, também convidamos duas mulheres reconhecidas em Lugo polo seu activismo social e linguístico para falar-nos do papel desgaleguizador da escola em diferentes contextos históricos e a partir das suas experiências, contaremos também com os músicos Branca Villares e Pablo Pintor que tocarám umhas peças em homenagem a Rosália de Castro. Depois celebraremos um jantar no C.S. Mádia Leva, e de tarde Anxo Moure realizará actividades dirigidas às crianças. Quem esteja interessado em acudir ao jantar em apoio à Semente pode conseguir os bonos através de sementelugo@gmail.com.

Queres aproveitar para fazer um chamamento a pessoas interessadas de Lugo?

Pois, animo as boas gentes de Lugo a participar da jornada do sábado, acho que o encontro é a melhor oportunidade para conhecermo-nos, mas também através do Facebook podem encontrar informaçom da Semente Lugo, e das actividades e dos passos que vaiamos dando. Encontramo-nos no caminho pois a semente plantamo-la entre todas.


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