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190416 ttAmérica Latina - Esquerda Diário - [Edson Elgueta] O cenário geopolítico na América Latina se complexifica cada vez mais, onde aqueles governos denominados pós-neoliberais já mostram claros sintomas de esgotamento.


À instauração de novos governos de direita, como é o caso do de Mauricio Macri, ou ao declive do chavismo que o governo de Nicolás Maduro tem enfrentado soma-se o julgamento político contra a atual presidente do Brasil, Dilma Roussef.

Assim também a força com que a direita, através de Keiko Fujimori, ganha espaço, condensando 40% dos votos nas últimas eleições peruanas, mostra-nos que essa tendência à direitização na América Latina, longe de se encerrar, aprofunda-se ainda mais.

Para muitos analistas da situação política atual, foi surpreendente a recente visita do presidente Obama, cujo itinerário se restringiu especificamente a dois países da América Latina; o primeiro, Cuba, visitado após 50 anos por algum representante norte-americano; o segundo, a Argentina de Mauricio Macri, que atualmente submerge em tarifaços, ajustes e demissões contra o povo trabalhador desse país. Entretanto, não é de se surpreender se analisamos o último grande golpe arranjado pelo governo norte-americano, que vem se recuperando após uma crise econômica de 8 anos, o Tratado Transpacífico, ou conhecido também como TPP.

O TPP como ponta de lança de uma nova ofensiva imperialista

O TPP, conhecido também como Acordo Tratado Transpacífico, contempla 12 países em um acordo que reúne 40% do PIB mundial e 11% da população e no qual, entre muitos pontos, encontram-se a patente de medicamentos através das indústrias farmacêuticas, a patente de sementes, como é o caso da Monsanto, e inclusive o controle sobre o livre fluxo de circulação e informação através da internet. O acordo também inclui a exportação de veículos, eletrodomésticos, carnes, fertilizantes, petróleo, minerais e uma série de produtos na qual o maior exportador corresponde aos EUA com a nada pequena porcentagem de 94% do total.

Os países signatários desse acordo são EUA, Canadá, México, Chile, Peru, Japão, Singapura, Brunei, Malásia, Vietnã, Austrália e Nova Zelândia, e há conversas entre EUA e Argentina e Colômbia para poderem ingressar, ou seja, mais de um terço dos países mencionados correspondem à América Latina.

A desaceleração chinesa e a disputa da América Latina

Temos podido evidenciar como a desaceleração econômica na China e o fim do superciclo das matérias-primas e commodities enfraqueceram governos que após um tempo de apogeu e estabilidade começam a viver os efeitos da crise.

Argentina e Brasil, dois aliados chaves para a China dentro da zona, hoje vivem situações bastante dramáticas em termos econômicos, às quais se soma um contexto de deslegitimação popular, sendo vinculados funcionários e autoridades de ambos os governos a casos de corrupção. No caso do Brasil, é ainda mais dramático, já que a presidente Roussef se encontra a um passo do impeachment ou destituição.

Tal cenário tem sido alentador para Obama e sua gestão, já que permite reativar novamente laços político-econômicos, em uma zona na qual faz um tempo era mais complexo chegar a acordos diplomáticos e comerciais.

Tempos de degelo e processos de restauração

Não é casual a visita de Obama a Cuba em tempos de degelo do imperialismo norte-americano com o país e de restauração, como é o caso inclusive do presidente Juan Manuel Santos da Colômbia, que hoje vive datas chaves no diálogo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) por uma transição pactuada. Isso mostra que somada à difícil situação que vive a Venezuela, com uma direita na ofensiva, começa a ser terreno fértil para os EUA.

A resposta a nível internacional

Contudo, a resposta da população se fez sentir. Importantes manifestações têm sido realizadas em distintos rincões do mundo, onde setores da população de maneira quase espontânea têm se manifestado contrariamente a esse tipo de pacto colonial, como é o caso do TPP, que apenas busca pavimentar o caminho para que os grandes empresários e as transnacionais possam ter um completo domínio sobre os produtos e serviços, através de acordos com o imperialismo.

A marcha do 18 de Abril tem esse sentido, que, em países como o Chile, o México, Peru e Canadá, fará retumbar um forte grito contrário ao Tratado Transpacífico.


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