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PSOL ELDORADO DO SULBrasil - Unidade Socialista - [Luiz Araújo] Na minha infância ouvi muitas vezes que fulano ou sicrano eram “seca pimenteira”. Procurei na internet respostas explicativas sobre este dito popular. Parece que tudo começou por que a pimenteira é uma planta muito resistente e, quando uma pessoa carrega dentro de si muita negatividade, ela é capaz de matar até os sentimentos mais fortes, ou seja, esta pessoa seria capaz até de secar uma pimenteira.


Sendo otimista (os socialistas teimam em cativar este sentimento!), um partido de esquerda em tempos sombrios como os atuais precisa ser forte feito uma pimenteira, ou seja, resistir aos ataques e manobras das forças conservadoras, ao sectarismo doentio interno e, especialmente, aos ataques especulativos dos que disputam o mesmo espaço político.

A crise, ao mesmo tempo em que nos angustia, abre oportunidades para o crescimento partidário. A falência do petismo deixa no desamparo milhares de brasileiros que se consideram de esquerda. Parte deles milita em alguma entidade associativa, luta pela ampliação dos direitos sociais e alguns até pela transformação radical de nossa sociedade capitalista. Outros, não menos importantes, de quatro em quatro anos procuram votar em candidaturas que defendem causas sociais, combatem as injustiças ou mesmo, os mais radicais, defendem o socialismo.

O PSOL completou dez anos de legalização (e 11 de existência). É um partido que nasceu para reconstruir o sonho de uma esquerda socialista de massas no Brasil. Foi uma das primeiras manifestações concretas e organizativas do esgotamento do petismo. Nasceu e tem crescido em momento menos fértil do que o vivenciado nas décadas de 80 e 90, mas cresce e se fortalece. Podemos admitir que somos pequenos e distantes ainda do que gostaríamos, mas sem sombra de dúvida hoje somos um porto um pouco mais seguro para quem já se desiludiu com o governo e quer apostar em um projeto de esquerda.

Sendo assim, necessariamente, é um partido em constante formação. Não está pronto e acabado. Muitos ativistas, parlamentares e cidadãos de esquerda cabem nele e podem contribuir para a reaglutinação da esquerda brasileira. Assim, considero que devemos nos esforçar para acolher os que chegam ansiosos de mudança em nosso país. Devemos oferecer um ambiente propício à incorporação de novos membros com o perfil acima descrito.

Bem, nem todos dentro do PSOL pensam assim. Considero que convivemos com uma política que bem que poderia ser definida como “seca pimenteira”. São militantes socialistas que, na prática, sonham com um PSOL muito próximo do perfil do seu coirmão PSTU, só que um pouco mais arejado, com mais votos e mais militantes, mas circunscrito à mesma visão de mundo, visão de construção partidária. Para esta visão, toda ampliação é desfiguração, é contaminação, é o risco de virarmos um “novo PT”.

Cada novo parlamentar socialista, mas que não provém da mesma corrente de pensamento destes agrupamentos, é um potencial traidor. E cada novo cidadão, mesmo que concordante com a maioria das posições partidárias, é certamente um “filiado-gado”, que está sendo levado a votar nas plenárias pela burocracia partidária (sempre ela é a causa do isolamento destes grupos!). E esta burocracia está sempre pronta a vender os princípios de esquerda para se manter no poder. Ou seja, somente existem dois caminhos possíveis e inexoráveis: ou ficamos pequenos e puros ou crescemos, nos contaminamos e nossos dirigentes acabarão na Papuda.

Esta semana, depois de várias tentativas, finalmente Marina Silva conseguiu legalizar o seu partido (Rede). E, mesmo tendo dado uma imensa guinada para o lado conservador na reta final do primeiro turno e apoiado o tucano no segundo turno, voltou a disputar o imaginário mais à esquerda do eleitorado e pescar parlamentares insatisfeitos em vários partidos, especialmente os que possuem perfil mais à esquerda no sentido amplo do termo.

O PSOL não ficou imune aos cantos de sereia deste novo partido. Mas a pergunta correta não é inquirir os que saíram por que acreditaram na viabilidade deste novo projeto tão contraditório. A pergunta correta é que condicionantes internos ao partido tornaram desconfortável a convivência destes parlamentares que, no primeiro ataque especulativo aparentemente no mesmo campo político, os fez pular do barco psolista (ou pensar em fazê-lo). Aí é que entra o papel deletério dos “seca pimenteira”. Ao infernizar a vida dos que entram ou querem entrar no partido, estes setores agem como uma quinta-coluna dentro do partido. Não comemoram as novas aquisições, pelo contrário, disputam nas redes sociais o prêmio de quem consegue demonstrar maior contrariedade. Aliás, quando podem tentam barrar a entrada de novos filiados e parlamentares de esquerda. E mesmo após a aprovação da nova adesão continuam minando a convivência interna, tornando a vida dos recém-chegados um verdadeiro inferno.

Felizmente a base partidária tem demonstrado que para vencermos a guerra é preciso unidade, direção e clareza nos rumos. O sentimento de que o partido precisará se posicionar claramente favorável à ampliação no campo da esquerda, seja dialogando com segmentos sociais insatisfeitos com o petismo, seja acolhendo novos filiados e parlamentares, é bastante majoritária na direção nacional e na base do partido.

Continuarei trabalhando, junto com a maioria do partido, para que o partido se posicione de maneira a atrair cada vez mais parlamentares. São bem-vindos o deputado federal Glauber Braga (que veio do PSB do Rio de Janeiro), o vereador Brizola Neto (que veio do PDT do Rio de Janeiro), o vereador Renato Geske (oriundo do antigo MDB e que foi eleito pelo PSD em Florianópolis), o vereador Adilson Mariano (que veio do PT em Joinville), o vereador Maurício Gurgel (oriundo do PHS em Natal). Além desses, outros vereadores também estão ingressando em cidades do interior do país. O vereador Roque Ferreira (veio do PT em Bauru), o vereador Jailson Souza (veio do PCdoB na cidade acreana de Rodrigues Alves) e o vereador Raimundo dos Santos (veio do PT no Acará-PA) se somam as fileiras do partido. Parece ser o caso do vereador petista de Nova Friburgo (RJ) chamado Cláudio Damião. São bem-vindos pela trajetória, pela decisão corajosa e por que suas tradições cabem no partido.

Para se ocupar o seu espaço neste novo período, denominado de pós-petismo, o PSOL vai ter que estar aberto ao crescimento, pronto para dialogar com todos os que querem enfrentar o ajuste fiscal, combater o conservadorismo e que concordam com a construção de uma alternativa de esquerda, de massas, socialista e democrática. As dores do crescimento passam também por não deixar prevalecer o desejo dos “seca pimenteira”, para que nossa árvore cresça ocupando todo o espaço que a conjuntura nos oferece.

Luiz Araújo é Presidente Nacional do PSOL.


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