Deste jeito Plácido Castro sublinhou a importáncia histórica da participaçom da Galiza no IX Congresso de Nacionalidades Europeias, organismo da Sociedade de Naçons, que decorreu do 16 ao 18 de setembro de 1933, e que supujo o primeiro reconhecimento oficial do país como naçom. O reconhecimento chegou num momento em que a Sociedade de Naçons (o equivalente no período de entreguerras à atual ONU) ficou enfraqucida polas tensons na Europa que finalizariam na Segunda Guerra Mundial. Porém, o facto histórico e legal ficou e o próprio Castelao no Sempre em Galiza salienta que “a Galiza é umha nacionalidade, e como tal foi reconhecida em Berna, polo IX Congresso das Minorias Nacionais Europeias, adscrito à Sociedade das Naçons”.
Nsta semana completam-se os 80 anos deste reconhecimento, escassamente reivindicado na atualidade, mesmo desde boa parte do galeguismo. Em boa medida fôrom nos últimos anos o Instituto Galego de Análise e Documentaçom Internacional (IGADI) e a própria Fundaçom Plácido Castro os que com mais força chamárom a atençom sobre a importáncia do evento, sobretodo no 75 aniversário, com a organizaçom de umha mesa de debate e com a colocaçom de umha placa na casa de Plácido Castro em Vigo. Daquela Júlio Rios destacava que "fora do fim político de cada um, já for a autodeterminaçom, a independência, o autonomismo, o regionalismo..., o acontecido em 1933 é um facto histórico" e laiava-se que "é umha realidade sobre a que há um grande desconhecimento na sociedade e que os líderes políticos galegos nom deberiam obviar".
O Congresso de Nacionalidades Europeias surgiu em 1925 para reivindicar o direito à autonomia (administraçom nacional própria) e ao livre desenvolvimento cultural das naçons sem Estado e das minorias nacionais existentes na Europa. Rejeitava a modificaçom das fronteiras políticas existentes e reclamava sistemas eleitorais que permitissem às minorias contar com umha representaçom proporcional à sua significaçom numérica. Para ingressar no Congresso "a parte solicitante tinha que fornecer provas ou manifestaçons que evidenciassem a sua existência mediante signos exteriores demonstrativos de umha vida coletiva com carácter duradouro", como recolhe o IGADI num especial.
Já nos anos trinta a Galiza achegou-se a este organismo da mao de bascos e cataláns e depois de que umha delegaçom do CNE (liderada polo seu secretário geral, o estónio E. Ammende) realizasse umha visita ao nosso país. O Partido Galeguista procurava fundamentalmente, segundo o IGADI, "o estabelecimento de um marco de cooperaçom com os movimentos afins que permitissem a universalizaçom da Galiza no duplo senso de fazer que a Europa nos conheça e nós conhecermos melhor a Europa" e o "reconhecimento da condiçom de naçom por parte de um organismo internacional de considerável prestígio e reputaçom".
Plácido Castro, formado no Reino Unido desde muito novo, foi o encarregado de representar a Galiza no Congresso, e foi recebido polo presidente do Conselho da Sociedade Naçons, Mowinckel, primeiro ministro norueguês, e polo presidente do parlamento suíço, M. Motta. Na declaraçom apresentada ao congresso proclamava-se que a Galiza “é umha naçom bem definida, que se diferencia claramente dos outros povos que habitam a Espanha. A sua origem, a sua história, o seu idioma, e os seus costumes justificam esta diferença de umha maneira absoluta", ao tempo que reivindicava “o direito inegável do povo galego a dispor de si mesmo” e reclamava "a plena liberdade do uso do seu idioma materno, especialmente na instruçom". A declaraçom acrescentava que a "Galiza deseja viver em boas relçons com as outras nacionalidades da Espanha e quer colaborar com elas para a regulamentaçom de todas as questons de interesse comum. É evidente que nom opom nengum obstáculo à realizaçom de um ideal federal, qualquer que for a sua amplitude".
Á súa volta a Galiza Plácido Castro deu conta da importáncia do que vinha de suceder en Berna en tres artigos que publicou en El Pueblo Gallego, o primeiro o 30 de setembro, no que destacaba que "por primeira vez na súa historia Galiza concorreu con personalidade propia a un Congreso internacional". O segundo o 5 de outubro, no que Castro destacaba que unha das resolucións do congreso fixera constar que "a autonomia territorial é o meio máis adecuado de resolver os problemas minoritarios, cando se trata de minorías que ocupan, en masa compacta, un territorio definido", o que vinha apoiar as reivindicaçons de autogoverno do PG: "velaí algo que se relaciona directamente com o problema de Galiza e vén a confirmar, com a mais alta autoridade, o posicionamento do movimento galeguista".
O terceiro artigo, titulado Galiza, nacionalidade europeia, fazia qustom na importáncia histórica da participaçom da Galiza no Congresso. Plácido Castro salientava "o reconhecimento por umha organizaçom internacional, integrada por representantes de corenta milhons de europeus, pertencentes a catorce nacionalidades, de que o nosso povo constitui umha naçom". Também constatava o pulo que supugera para a "universalización da Galiza", o que constituía "outra constante aspiraçom do galeguismo". No texto, Castro descartava o "separatismo", apostava por "fazer parte de umha Federaçom, qualquer que for a sua amplitude. Federaçom hispánica, ibérica, europeia ou mundial, com todas se declara compatível o nacionalismo galego". E concluía que "a Galiza, porque é galega, polos seus próprios méritos, conseguiu ocupar um posto que nom estivesse ao seu alcance se se conformasse com ser um anaco da Espanha grande. Quer dizer, que a Galiza, sendo galega, é mais universal e tem mais personalidade que se perder a sua identidade num Estado espanhol uniforme". Neste artigo Castro proclamou, aliás, que “qualquer que for o regime político em que a Galiza viva, a nossa terra, autónoma ou nom, está já proclamada moralmente como umha naçom”.

